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Tornar-se «providência» para os próprios irmãos
55. A prática dos jubileus refere-se sobretudo à divina Providência e à história da salvação (80). Se a fundamentamos sobre esta filiação, podemos considerar que a realidade da miséria e da subnutrição constitui uma consequência do pecado humano, revelado desde os primeiros versículos do livro do Génesis: « Então Javé perguntou a Caim: "Onde está o teu irmão Abel?". Caim respondeu: "Não sei. Por acaso sou eu o guarda do meu irmão?". Javé disse: "O que fizeste? Ouço o sangue do teu irmão, que clama da terra por Mim! Por isso, sê amaldiçoado por esta terra que abriu a boca para receber das tuas mãos o sangue do teu irmão. Ainda que tu cultives o solo, ele não te dará mais o seu produto. Tu andarás errante e perdido pelo mundo" (Gn. 4, 9-12).
Esta imagem exprime com perfeita clareza a relação entre o respeito da dignidade da pessoa humana e a fecundidade do receptáculo ecológico, já maculado e corrompido. Esta relação ressoa como um eco ao longo de toda a história humana e constitui provavelmente o esboço teológico das relações de causalidade, analisadas antes a propósito da miséria e da subnutrição. Tudo acontece como se as eventualidades naturais, às vezes até mesmo desfavoráveis, se encontrassem amplificadas pelas consequências da sede imoderada de poder e de lucro, e pelas «estruturas de pecado» que dela derivam. O homem, ao afastar-se da intenção criadora de Deus, já não se vê a si mesmo, nem aos próprios irmãos e nem ao seu futuro, senão através duma miopia que o condena à experiência do erro que caracteriza o género humano: « ... O que fizeste do teu irmão?».