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Face aos desafios actuais
31. O processo de
globalização caracteriza o horizonte do novo século. Trata-se de um fenómeno
complexo nas suas dinâmicas. Este tem efeitos positivos, como a possibilidade
de encontro entre povos e culturas, mas também aspectos negativos, que arriscam
produzir ulteriores desigualdades, injustiças e marginalizações. A rapidez e a
complexidade das mudanças, produzidas pela globalização, reflectem-se também na
escola, a qual pode arriscar-se a ser instrumentalizada pelas exigências das
estruturas produtivo-económicas, ou por pré-juízos ideológicos e cálculos
políticos, que ofuscam a sua função educativa. Esta situação incita a escola a
reafirmar, convicta, o seu papel específico de estímulo à reflexão e de instância
crítica. Em função da sua vocação, as pessoas consagradas comprometem-se na
promoção da dignidade da pessoa humana, colaborando para que a escola se torne
lugar de educação integral, de evangelização e de aprendizagem de um diálogo
vital entre pessoas de cultura, religiões e âmbitos sociais diferentesxxiv.
32. O crescente
desenvolvimento e a difusão das novas tecnologias põem à disposição meios e
instrumentos até há poucos anos inimagináveis, mas suscitam também
interrogações acerca do futuro do desenvolvimento humano. A vastidão e a
profundidade das inovações tecnológicas invadem os processos do acesso ao
saber, da socialização, da relação com a natureza e prefiguram radicais
mudanças, nem sempre positivas, em vastos sectores da vida da humanidade. As
pessoas consagradas não podem esquivar-se do dever de se interrogar sobre o
impacto que tais tecnologias exercem nas pessoas, na modalidade das
comunicações, no futuro da sociedade.
33. No contexto de
tais mudanças, à escola compete um papel significativo para a formação da
personalidade das novas gerações. O emprego responsável das novas tecnologias,
de modo particular da Internet, exige uma adequada formação éticaxxv.
Juntamente com quantos trabalham na escola, as pessoas consagradas sentem a
exigência de conhecer os processos, as linguagens, as oportunidades e os
desafios das novas tecnologias, mas sobretudo de se tornarem educadores da
comunicação, para que tais tecnologias sejam utilizadas com discernimento e
sabedoriaxxvi.
34. Entre os
desafios da sociedade actual, com os quais a escola é chamada a confrontar-se,
encontram-se as ameaças à vida e à família, as manipulações genéticas, a
crescente poluição, a destruição dos recursos naturais, o drama não resolvido
do subdesenvolvimento e da pobreza que esmaga populações inteiras do sul do
mundo. São questões vitais para todos, que precisam de ser enfrentadas com
visão ampla e responsável, promovendo uma concepção de vida que respeite a
dignidade do homem e da criação. Isto significa formar pessoas capazes de
dominar e transformar processos e instrumentos em sentido humanizante e
solidário. Esta preocupação é partilhada por toda a comunidade internacional,
que trabalha para que as políticas e os programas educativos nacionais
contribuam para desenvolver uma acção formativa em tal direcçãoxxvii.
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