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O ensino da religião
54. Neste contexto,
assume um papel específico o ensino da religião. As pessoas consagradas,
juntamente com os outros educadores, mas com mais forte responsabilidade, são
frequentemente chamadas a assegurar itinerários de educação religiosa
diferenciados segundo as diversas realidades escolares: em algumas
escolas, a maioria das alunas e dos alunos são cristãos, noutras, predominam
pertenças religiosas diversas, ou escolhas agnósticas e ateias. É seu trabalho
dar relevo ao valor do ensino da religião, integrado no horário da instituição
e no programa cultural. Apesar de reconhecer que o ensino religioso na escola
católica assume uma função diversa daquela que tem nas outras escolas, ele
conserva a finalidade de abrir à compreensão da experiência histórica do cristianismo,
de orientar para o conhecimento de Jesus Cristo e o aprofundamento do seu
Evangelho. Dessa maneira, apresenta-se como proposta cultural que pode ser
oferecida a todos para lá das escolhas pessoais de fé. Em muitos contextos, o
cristianismo constitui, já, o horizonte espiritual da cultura de
pertença.
Na escola católica, pois, o ensino
da religião tem o dever de ajudar os alunos a amadurecer uma posição pessoal em
matéria religiosa, coerente e respeitosa das posições dos outros, contribuindo
para o seu crescimento e para uma mais completa compreensão da realidade. É
importante que toda a comunidade educativa, particularmente nas escolas
católicas, reconheça o papel e o valor do ensino da religião e contribua para a
sua valorização, por parte dos alunos. O professor de religião, utilizando as
linguagens aptas a mediar a mensagem religiosa, é chamado a estimular nos
alunos o aprofundamento das grandes interrogações relativas ao sentido da vida,
ao significado da realidade e ao compromisso responsável para a transformar à
luz dos valores evangélicos, estimulando um confronto construtivo entre os
conteúdos e os valores da religião católica e a cultura contemporânea.
A comunidade da escola católica
oferece, pois, para além do ensino da religião, outras oportunidades, outros
momentos e caminhos para educar na síntese entre fé e cultura, fé e vidaxxxviii.
A
vida como vocação
55. As pessoas
consagradas, juntamente com os outros educadores cristãos, saibam colher e
valorizar a dimensão vocacional intrínseca ao processo educativo. A vida é, de
facto, um dom que se realiza na resposta livre a um chamamento particular, a
descobrir nas circunstâncias concretas de cada dia. O cuidado da dimensão
vocacional orienta a pessoa a interpretar a própria experiência à luz do
projecto de Deus.
A ausência ou a débil atenção à
dimensão vocacional, para além de defraudar os jovens e as jovens da ajuda a
que teriam direito no importante discernimento acerca das escolhas fundamentais
da própria vida, empobrece a sociedade e a Igreja, ambas necessitadas da
presença de pessoas capazes de dedicação estável no serviço a Deus, aos irmãos
e ao bem comum.
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