9. Quanto ao povo Católico, antes de mais nada é
necessário que eles sejam instruídos quanto ao verdadeiro estado de coisas na
Itália no que diz respeito à religião, o caráter essencialmente religioso do
conflito na Itália contra o Pontífice, e os objetivos reais constantemente
visados, para que eles possam ver pela evidência dos fatos os muitos modos
pelos quais se conspira contra a sua religião, e possam se convencer do risco
que eles correm de serem roubados e despojados do inestimável tesouro da fé.
Com esta convicção em suas mentes, e tendo ao mesmo tempo a certeza de que sem
fé é impossível agradar a Deus e ser salvo, eles irão entender que o que agora
está em jogo é o maior, para não dizer o único interesse, o qual cada um na
terra está obrigado antes de todas as coisas, ao custo de qualquer sacrifício,
a colocar fora de perigo, sob pena de miséria eterna.
Eles irão, ainda mais, facilmente entender que, neste tempo de aberto e furioso
conflito, seria desgraçante para eles desertarem do campo e se esconderem. Seu
dever é permanecer em seus postos, e abertamente mostrar serem verdadeiros
católicos por suas crenças e ações, em conformidade com a sua fé. Isto eles
devem fazer pela honra de sua fé, e a glória do Soberano Líder
cuja bandeira eles seguem; e para que eles possam escapar do grande infortúnio
de serem repudiados no último dia, e de não serem reconhecidos como Seus pelo
Supremo Juiz que declarou que qualquer um que não está com Ele está contra Ele.
Sem ostentação ou timidez, que eles dêem prova daquela verdadeira coragem que
vem da consciência de cumprir um dever sagrado perante Deus e os homens. A esta
franca profissão de fé os Católicos devem unir uma perfeita docilidade e amor
filial para com a Igreja, um respeito sincero por seus Bispos, e uma absoluta
devoção e obediência ao Pontífice Romano. Em uma palavra, eles irão reconhecer
quão necessário é largar tudo que seja obra das seitas, ou que receba impulso
ou favor da parte deles, como sendo sem dúvida alguma infectado pelo espírito
anti-Cristão; e eles irão, ao contrário, devotar-se com atividade, coragem e
constância, a obras Católicas, e às associações e instituições que a Igreja
abençoou, e que os Bispos e o Pontífice Romano encorajam e mantêm.
Além disso, vendo que o principal instrumento empregado por nossos inimigos é a
imprensa, que em grande parte recebe deles sua inspiração e suporte, é
importante que os Católicos se oponham à imprensa maligna por uma imprensa que
seja boa, para a defesa da verdade, nascida do amor à religião, e para
sustentar os direitos da Igreja. Enquanto a imprensa Católica estiver ocupada
em deixar nus os desígnios pérfidos das seitas, em ajudar e defender as ações
dos sagrados Pastores, e em defender a promover as obras Católicas, é dever os
fiéis suportar eficazmente esta imprensa, - recusando ou cessando de favorecer
de qualquer modo a imprensa maligna; e também diretamente, concorrendo, tanto
quanto cada um possa, para ajudá-la a viver e florescer: e neste assunto Nós
pensamos que até agora não foi feito o suficiente na Itália.
Finalmente, o ensinamento dirigido por Nós a todos os Católicos, especialmente
nas encíclicas "Humanum genus" e "Sapientiae Christianae",
deveria ser particularmente aplicado aos Católicos da Itália, e ser imprimido
sobre eles. Se eles têm algo a sofrer ou a sacrificar para permanecer fiéis aos
seus deveres, que eles tomem coragem no pensamento de que o Reino dos Céus
sofre violência e é ganhado somente fazendo violência a nós mesmos; e que
aquele que ama a si mesmo e o que é seu mais do que Jesus Cristo, não é digno
dEle. O exemplo dos muitos campeões invencíveis que, em todos os tempos,
generosamente sacrificaram tudo pela fé, e os especiais auxílios da graça que
fazem o jugo de Jesus Cristo suave e Seu fardo leve, devem animar poderosamente
a sua coragem e sustentá-los no glorioso combate.