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Pio XII
Sacra virginitas

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...a fuga das tentações e das ocasiões do pecado

52. Além disso, segundo a lição dos santos padres 54 e doutores da Igreja,55 libertamo-nos mais facilmente dos atrativos do pecado e das seduções das paixões, fugindo com todas as forças, do que atacando de frente. Segundo são Jerônimo, para conservar a pureza, a fuga vale mais do que a luta aberta: "Fujo, para não ser vencido", 56 dizia de si mesmo. Essa fuga consiste em nos afastarmos com diligência das ocasiões do pecado, e sobretudo em elevarmos nosso espírito para as realidades divinas durante as tentações, fixando-o naquele a quem consagramos a nossa virgindade: "Olhai para a beleza do vosso amante Esposo", 57 recomenda santo Agostinho.

53. Mas essa fuga e vigilância, para não nos expormos as ocasiões de pecado, parece que não são hoje compreendidas por todos, apesar de os santos as terem considerado sempre o melhor meio de luta nesta matéria. Pensam de fato alguns que os cristãos, e especialmente os sacerdotes, já não devem ser uns separados do mundo como outrora, mas devem pelo contrário estar presentes ao mundo e, por conseguinte, arrostar o perigo e pôr à prova a sua castidade, para assim se patentear se têm ou não suficiente força para resistir. Vejam, portanto, tudo os jovens clérigos, para se habituarem a encarar tudo sem perturbação e para se imunizarem assim contra toda a espécie de tentações. Desse modo, facilmente lhes permitem fixar sem resguardo tudo o que lhes cai debaixo dos olhos, freqüentar cinemas, mesmo para ver películas proibidas pelos censores eclesiásticos, percorrer toda a espécie de ilustrações, mesmo que sejam obscenas, e ler até os romances que estão no Índex ou que proíbe o direito natural. Concedem-lhes tudo isso sob pretexto de que hoje grande parte das pessoas alimenta o espírito com esses espetáculos e publicações, e que é preciso que aqueles a quem hão de ajudar, lhes compreendam a maneira de pensar e sentir. É fácil de ver a falsidade e o perigo de tal maneira de formar o clero e de o preparar para a santidade da sua missão: pois "quem ama o perigo nele perecerá" (Eclo 3,27 Vulg.). A recomendação de santo Agostinho não perdeu nada da sua oportunidade: "Não digais que tendes almas puras se tendes olhos impuros, porque os olhos impuros são mensageiros dum coração impuro".58

54. Esse funesto método baseia-se numa confusão grave. É verdade que nosso Senhor disse dos apóstolos: "Enviei-os ao mundo" (Jo 17,18), mas acabara de dizer: "Eles não são do mundo, como eu também não sou do mundo" (Jo 17,16) e tinha rogado ao Pai: "Não te peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal" (Jo 17,15). Segundo esses princípios, a Igreja tomou prudentes medidas para preservar os padres que vivem no meio do mundo, das tentações que os rodeiam:59 essas normas têm por sim defender-lhes a santidade de vida das preocupações e prazeres próprios dos leigos.

55. Com maior razão ainda, é necessário separar os jovens clérigos da agitação do século, para os formar na vida espiritual e na perfeição sacerdotal ou religiosa, antes de os lançar no combate. Por isso, devem eles ficar por longo tempo no seminário ou nas casas de noviciado e formação, e receber educação apurada, aprendendo pouco a pouco e, com prudência, a tomar contato com os problemas do nosso tempo, como nós o prescrevemos na nossa exortação apostólica Menti nostrae.60 Qual é o jardineiro que expõe às intempéries plantas escolhidas, mas ainda tenras, sob o pretexto de as experimentar? Ora, os seminaristas e os religiosos em formação são plantas novas e delicadas, que precisam de proteção e só progressivamente se vão habituando a resistir e a lutar.




54 Cf. S. Caesarius Arelat., Sermo 41; ed. G. Morro, Maredsous,1937, vol. I, p.172.



55 Cf. S. Thomas, In Ep. I ad Cor VI, lect. 3; S. Franciscus Salesius, Introduction à la vie dévote, part. IV, c. 7; S. Alphonsus a Liguori, La vera sposa di Gesù Cristo, c. l, n.16; c.15, n.10.



56 S. Hieronym., Contra Vigilant., 16; PL 23, 352.



57 S. Augustin., De sancta virginitate, c. 54; PL 40, 428.



58 S. Augustin., Epist. 211, n.10; PL 33, 961.



59 Cf. CIC cân.124-142. Cf. Pius PP. X, Exhort. ad cler, cath. Haerent animo, AAS 41(1908), pp. 565-573; Pius PP. XI, Litt. enc. Ad catholici sacerdotii, AAS 28(1936), pp. 23-30; Pius XII, Adhort. apost. Menti Nostrae, AAS 42(1950), pp. 692-694.



60 Cf. AAS 42(1950), pp. 690-691.






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