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| Pio XII Miranda prorsus IntraText CT - Texto |
Problemas
específicos da televisão
A televisão, além dos aspectos comuns com as duas precedentes técnicas de
difusão, possui também características próprias. Permite, com efeito, assistir
de forma simultâneamente auditiva e visiva, a acontecimentos realizados a
distância e no próprio instante em que acontecem, com aquela sugestividade que
se aproxima do contacto pessoal e cuja feição e forma imediata é aumentada pela
sensação de intimidade e confiança própria da vida familiar.
Na maior consideração se deve ter, portanto, este carácter de sugestividade das
transmissões televisivas na intimidade do santuário da família, onde será
incalculável o seu influxo na formação da vida espiritual, intelectual e moral
dos membros da mesma, e, sobretudo, dos filhos, que hão-de ser dominados,
inevitàvelmente, pela fascinação da nova técnica.
"Uma pequena porção de fermento corrompe toda a massa". 53 Se
na vida física dos jovens um gérmen de infecção pode impedir o desenvolvimento
normal do corpo; quanto mais, um elemento permanentemente negativo na educação
poderá comprometer o equilíbrio espiritual e o desenvolvimento moral! E quem
não sabe como, tantas vezes, a própria criança que resiste ao contágio de uma
doença na rua, se mostra falta de resistência se a fonte do contágio se
encontra na própria casa?
A santidade da família não pode ser objecto de compromissos, e a Igreja não se
cansará, como é seu pleno direito e dever, de empenhar todas as forças para que
este santuário não venha a ser profanado pelo mau uso da televisão.
Com a grande vantagem de entreter mais fàcilmente, adentro das paredes
domésticas, grandes e pequenos, a televisão pode contribuir para reforçar os
liames do amor e da fidelidade na família, mas sempre com a condição de não vir
a prejudicar as mesmas virtudes da fidelidade, da pureza e do amor.
Não falta, todavia, quem julgue impossível, ao menos na hora presente, a
satisfação de tão nobres exigências. O compromisso tomado com os espectadores -
dizem eles - requer que se preencha, seja como for, o tempo estabelecido para
as transmissões. A necessidade de ter à disposição uma selecção vasta de
programas, obriga a recorrer também àqueles espectáculos que, de início, eram
destinados às salas públicas. A televisão, finalmente, não é só para jovens,
mas também para adultos.
As dificuldades são reais, mas a solução delas não pode ser adiada para período
ulterior, quando a falta de discrição e de prudência, no uso da televisão,
tiver já causado gravíssimos danos individuais e sociais, - danos hoje,
porventura, ainda difícilmente avaliáveis.
Para que essa solução se possa obter ao mesmo tempo que se vai introduzindo em
cada país a televisão, será preciso, primeiro que tudo, levar a cabo esforço
intenso na preparação de programas que correspondam às exigências morais,
psicológicas e técnicas. Convidamos, por isso, os homens católicos de cultura,
ciência e arte, e, em primeiro lugar, o clero e as Ordens e Congregações Religiosas,
a procurar dominar a nova técnica e prestar a sua colaboração a fim de que a
televisão possa aproveitar as riquezas espirituais do passado e as de todo o
autêntico progresso.
Será, além disso, preciso que os responsáveis dos programas televisivos, não só
respeitem os princípios religiosos e morais, mas tenham em conta o perigo que
transmissões destinadas a adultos podem oferecer aos jovens. Noutros campos,
como por exemplo sucede no cinema e no teatro, os jovens, na maioria dos países
civilizados, estão protegido com especiais medidas preventivas, contra os
espectáculos inconvenientes. Lògicamente, e com maior razão, devem também ser
asseguradas as vantagens de uma apurada vigilância no respeitante à televisão.
Quando não se excluam das transmissões televisivas, como aliás tem sido
louvàvelmente feito nalguns lugares, espectáculos vedados a menores, serão pelo
menos indispensáveis medidas preventivas de precaução.
Todavia, nem mesmo a boa vontade e a conscienciosa actividade profissional de
quem transmite, são suficientes para assegurarem o pleno proveito da
maravilhosa técnica da pequena tela dum aparelho televisivo, nem suficientes
também para afastar todo o perigo. A vigilância prudente e avisada de quem
recebe em sua casa a transmissão é insubstituível. A moderação no uso da
televisão, a admissão prudente dos filhos a presenciar programas segundo a sua
idade, a formação do carácter e do recto juízo acerca dos espectáculos vistos
e, finalmente, o afastá-los dos programas inconvenientes, incumbem, como grave
dever de consciência aos pais e aos educadores. Bem sabemos quefi especialmente
este último ponto, poderá, criar situações delicadas e difíceis, e o sentido
pedagógico muitas vezes exigirá dos pais darem bom exemplo também com o
sacrifício pessoal em renunciarem a determinados programas. Mas seria
porventura demasiado pedir aos pais um sacrifício, quando está em jogo o bem
supremo dos filhos?
Será, portanto, "mais que necessário e urgente - como escrevemos aos
Bispos da Itália - formar nos fiéis uma consciência recta dos deveres cristãos
acerca do uso da televisão", 54 para que esta não sirva nunca para
difundir o erro e o mal, mas se torne "instrumento de informação, de
formação e de transformação". 55