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| Pio XII Miranda prorsus IntraText CT - Texto |
Produtores e
directores de produção
As mais graves responsabilidades - embora em planos diversos - são, porém, as
dos produtores e directores de produção. A consciência de tais
responsabilidades não deve constituir obstáculo, mas antes encorajamento aos
homens de boa vontade que disponham dos meios financeiros ou dos talentos
requeridos pars a produção de filmes.
Não raro as exigências da arte imporão, aos produtores e directores de produção
responsáveis, difíceis problemas morais e religiosos, os quais para bem
espiritual dos espectadores e perfeição da própria obra requererão critério e
orientação competentes, antes mesmo que o filme esteja realizado ou durante a
sua realização.
Não hesitem, portanto, em pedir conselho ao respectivo
Organismo Católico, que estará, de bom grado, ao seu dispor, delegando mesmo,
se for necessário e com as devidas cautelas, um consultor religioso e perito. A
confiança na Igreja não diminuirá, por certo, a autoridade e prestígio dos
produtores e directores de produção. "A fé defenderá, até ao último
extremo, a personalidade do homem", 44 e mesmo no campo da criação
artística, a personalidade humana só poderá ser enriquecida e completada pela
luz da doutrina cristã e das rectas normas morais.
Não se admitirá, todavia, que os eclesiásticos se prestem a colaborar com os
produtores cinematográficos, sem especial encargo dos Superiores, sendo
òbviamente requerida, para isso, particular competência e adequada preparação e
não podendo ser deixada ao arbítrio dos particulares a determinação dessa
competência.
Aos produtores e directores de produção católicos pedimos Nós não permitam a
realização de filmes contrários à fé e à moral cristã, mas se isto (o que Deus
não permita) viesse a suceder, os Bispos não deixarão de adverti-los usando
mesmo, se o caso o pedisse, das sanções oportunas.
Estamos, porém, convencido que o remédio mais radical para orientar eficazmente
o cinema no sentido da altura do "filme ideal" é o aprofundamento da
formação cristã de todos quantos tomam parte na criação de obras
einematográficas.
Os autores dos filmes aproximem-se das fontes da graça, assimilem a doutrina do
Envagelho, tomem consciência de tudo o que a Igreja ensina acerca da realidade
da vida, acerca da felicidade e da virtude, da dor e do pecado, do corpo e da
alma, acerca dos problemas sociais e das aspirações humanas, e, então, hão-de
ver abrir-se ante os seus olhos caminhos novos e luminosos, inspirações
fecundas que produzirão obras fascinantes e de valor permanente.
Haverá, portanto, que favorecer a multiplicação das iniciativas e das
manifestações destinadas a desenvolver e intensificar a sua vida interior,
tendo acima de tudo cuidado particular da formação cristã dos jovens que se
preparam para as profissões cinematográficas.
Ao terminar estas considerações específicas acerca do cinematógrafo, exortamos
as autoridades civis a não auxiliarem, por forma alguma, a produção ou
programação de filmes moralmente inferiores, e a encorajarem com medidas
apropriadas as boas produções cinematográficas, especialmente as destinadas á
juventude. Entre as ingentes despesas do Estado para fins de educação não pode faltar
o esforço e empenho na solução positiva de um problema educativo de tanta
importância.
Em alguns países, e também por ocasião de exposições internacionais, vêm sendo
ùtilmente atribuídos prémios especiais aos filmes que se distinguem pelo seu
valor educativo e espiritual: ousamos esperar que as Nossas advertências hão-de
contribuir para juntar as forças do bem a fim de todos os filmes merecedores
serem galardoados com o prémio do apoio e reconhecimento geral.