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Guy de Maupassant
A acha

IntraText - Concordâncias

(Hapax Legomena)


abaju-separ | sera-volta

    Par.
1 1 | branda, suavizada por um abajur de renda antiga, sobre duas 2 15| velhice, filhos que nos abandonem, procuremos um bom e sólido 3 35| mim?” Protestei. Apoiou-se abertamente no meu peito e, sem olhar-me, 4 2 | nos salta ao olfato quando abrimos uma caixa de pó de íris 5 15| dessa pressão que parece abrir os corações, desnudá-los, 6 39| tição salvador, a porta abriu-se bruscamente! Julien entrou, 7 22| como às vezes é difícil achar coisas que dizer. Pois bem; 8 29| de partir vidros finos e acrescentou: ~ 9 16| rechonchudinha, que parecia adorá-lo. ~ 10 2 | brancos, era uma dessas velhas adoráveis, de pele sem rugas, fina 11 22| impossível de expressar, essa advertência misteriosa que nos previne 12 11| Eis o segredo de nosso afastamento. ~ 13 41| amizade; e, pouco a pouco, afastou-me de sua casa; e deixamos 14 29| com um riso seco, nervoso, agitado, um desses falsos risos 15 | agora 16 | Ah 17 | 18 | além 19 | algo 20 | algum 21 | alguma 22 | algumas 23 | alguns 24 25| aqui, disse; vamos para ali, para o canapé.” ~ 25 15| são sempre estranhos de alma, de inteligência; permanecem 26 34| e, apoiada nos coxins, alongou e deitou a cabeça no meu 27 27| uma mulher dissesse que o ama?” ~ 28 36| Julien, eu, tornar-me o amante dessa  pequena louca perversa 29 18| Parecia que se amavam; não se separavam nunca. 30 20| mão: “Você é muitíssimo amável.” e senti em meus dedos 31 4 | minuto pouco mais ou menos, e ambos olhavam o fogo,  sonhando 32 20| em meus dedos uma longa e amigável pressão. Não dei importância 33 35| lhe dissesse, eu, que o amo, que faria você?” não me 34 8 | mulheres já entradas em anos, de uma curiosidade refletida, 35 | antes 36 1 | suavizada por um abajur de renda antiga, sobre duas pessoas que 37 11| Meus antigos camaradas mais de uma vez 38 13| Uma noite, ao entrar, anunciou-me seu casamento. ~ 39 | aos 40 23| fogo, meu amigo; está-se apagando”. Fui ao cesto da lenha, 41 40| fosse a acha, eu teria sido apanhado em flagrante delito. E já 42 17| estorvar sua ternura, ao aparecer demasiado; e algumas vezes, 43 41| jamais, jamais, jamais! Apercebi-me, então, que Julien estava 44 15| ardor; contudo, jamais as apertam numa larga e forte pressão 45 20| Apertei-lhe a mão: “Você é muitíssimo 46 | apesar 47 34| indiferente, quase cínico; e, apoiada nos coxins, alongou e deitou 48 35| medo de mim?” Protestei. Apoiou-se abertamente no meu peito 49 7 | sorrindo para ela, disse, apontando a acha, posta novamente 50 | aquilo 51 25| Passados alguns minutos, a acha ardia de tal modo que nos crestava 52 15| e as mãos estremecem de ardor; contudo, jamais as apertam 53 15| corações, desnudá-los, num arranque de sincera, forte e viril 54 5 | por cima das grelhas e, arrojado no salão, rolou pelo tapete, 55 | assim 56 32| coração, torça os nervos, assole a cabeça, que seja – como 57 8 | Ela observou-o, assombrada, com esse olhar curioso 58 36| pequena louca perversa e astuta, horrivelmente sensual, 59 | até 60 32| história qualquer. Ela ouvia-me atentamente, com sinais freqüentes de 61 36| brincar de amor pela simples atração do fruto proibido, do desafio 62 35| os braços ao pescoço, e, atraindo-me bruscamente a cabeça, seus 63 36| sua perfídia, inflamada de audácia, palpitante e obstinada. 64 30| Os homens nunca são audazes nem maliciosos.” Calou-se, 65 18| levantando-se da mesa, tenho que me ausentar para tratar dum negócio. 66 6 | enorme pedaço de madeira, avivando a sola dos sapatos todos 67 21| lado da lareira, de cabeça baixa, o olhar indeciso, um 68 21| esgotei todas as minhas idéias banais, calei-me. ~ 69 2 | exalavam, quando se lhes beija  a mão, o mesmo odor suave 70 36| quem nunca sentiu na boca o beijo profundo duma mulher disposta 71 15| inteligência; permanecem beligerantes; são de raças diferentes; 72 22| achar coisas que dizer. Pois bem; eu sentia que havia qualquer 73 22| das intenções secretas, boas ou más, de outra pessoa 74 36| Que quem nunca sentiu na boca o beijo profundo duma mulher 75 16| Julien casou. Sua mulher era bonita, encantadora, uma pequenina 76 23| Depois, Berthe disse-me: “Bote uma acha ao fogo, meu amigo; 77 35| uma resposta; lançou-me os braços ao pescoço, e, atraindo-me 78 2 | uma velhota de cabelos brancos, era uma dessas velhas adoráveis, 79 1 | lâmpada derramava uma luz branda, suavizada por um abajur 80 6 | sapatos todos os carvões em brasa que o rodearam. ~ 81 36| constantemente, enganar sempre, brincar de amor pela simples atração 82 2 | da casa, uma velhota de cabelos brancos, era uma dessas 83 38| pegando fogo ao tapete e caindo numa poltrona que ia infalivelmente 84 2 | olfato quando abrimos uma caixa de pó de íris florentino. ~ 85 21| as minhas idéias banais, calei-me. ~ 86 25| pareceram estranhos. “Faz muito calor aqui, disse; vamos para 87 30| audazes nem maliciosos.” Calou-se, para prosseguir pouco depois: “ 88 11| Meus antigos camaradas mais de uma vez estranharam 89 26| E eis-nos a caminho do canapé: ~ 90 1 | numa grande lareira, a cujo canto, uma só lâmpada derramava 91 12| parecia tão forte que nada era capaz de quebrá-la. ~ 92 29| falsos risos que se diriam capazes de partir vidros finos e 93 14| desconfiada, inquieta e carnal, não tolera o apego vigoroso 94 2 | perfumes, penetrada até à carne das essências finas, uma 95 6 | sola dos sapatos todos os carvões em brasa que o rodearam. ~ 96 13| entrar, anunciou-me seu casamento. ~ 97 15| que, ao invés da gente se casar e procurar, como consolação, 98 16| Enfim, meu amigo Julien casou. Sua mulher era bonita, 99 | cedo 100 33| reflexão filosófica: Ó! Cérebro feminino, aí estás tu, em 101 18| não se separavam nunca. Certa noite Julien escreveu-me, 102 23| está-se apagando”. Fui ao cesto da lenha, colocado justamente 103 38| rolando como um furacão de chama, pegando fogo ao tapete 104 19| quem teve a idéia de mandar chamá-lo.” ~ 105 7 | sentiu-se um forte cheiro a chamusco. O homem sentou-se novamente 106 7 | desastre, sentiu-se um forte cheiro a chamusco. O homem sentou-se 107 5 | inflamadas, ruiu. Pulou por cima das grelhas e, arrojado 108 34| um ar indiferente, quase cínico; e, apoiada nos coxins, 109 14| e para sempre. A afeição ciumenta de uma mulher, essa afeição 110 17| regressava à casa de noite, cogitava em seguir seu exemplo, decidindo-me 111 23| Fui ao cesto da lenha, colocado justamente como o seu, e 112 21| dia a dia, o tête-à-tête colocava-nos numa nova situação. Comecei 113 21| colocava-nos numa nova situação. Comecei por falar de coisas vagas, 114 29| Então, ela começou a rir, com um riso seco, 115 | comigo 116 3 | de todas as semanas, um companheiro na viagem da existência. 117 18| Conto com você para que faça companhia a Berthe.” ~ 118 8 | uma curiosidade refletida, complicada, às vezes maliciosa. E perguntou-lhe: ~ 119 11| melhores amigos, Julien.  Não compreendiam como dois íntimos, dois 120 15| envelheçamos com ele nessa comunhão de pensamentos que não pode 121 41| Conduzi-me daí para o futuro de modo 122 31| confessei-lhe que sim, já havia estado 123 14| espírito, de coração e de confiança que existe entre dois homens. ~ 124 40| delito. E já imagina as conseqüências! ~ 125 28| embaraçado: “Francamente, não considerei o caso, mas... mas, dependeria 126 15| se casar e procurar, como consolação, para os dias da velhice, 127 36| contentava com o marido? Trair constantemente, enganar sempre, brincar 128 23| madeira, quase inteiramente consumidos. ~ 129 31| havia estado apaixonado. “Conte-me isso”, pediu ela. ~ 130 32| Contei-lhe uma história qualquer. Ela 131 36| sensual, que decerto não se contentava com o marido? Trair constantemente, 132 35| meu peito e, sem olhar-me, continuou: “E se eu lhe dissesse, 133 18| em ponto, estarei aqui. Conto com você para que faça companhia 134 | contudo 135 4 | Haviam parado de conversar fazia um minuto pouco mais 136 1 | sobre duas pessoas que conversavam. ~ 137 15| pressão que parece abrir os corações, desnudá-los, num arranque 138 34| quase cínico; e, apoiada nos coxins, alongou e deitou a cabeça 139 27| Depois, de repente, cravou-me os olhos no rosto: “Que 140 21| de nossa intimidade, que crescia dia a dia, o tête-à-tête 141 25| ardia de tal modo que nos crestava o rosto. A jovem levantou 142 32| perigoso, mesmo terrível, quase criminoso, quase sacrílego; que seja 143 | cujo 144 8 | entradas em anos, de uma curiosidade refletida, complicada, às 145 41| Conduzi-me daí para o futuro de modo a 146 37| um terrível ruído nos fez dar um salto. ~ 147 36| horrivelmente sensual, que decerto não se contentava com o 148 17| cogitava em seguir seu exemplo, decidindo-me por uma mulher, tão triste 149 20| amável.” e senti em meus dedos uma longa e amigável pressão. 150 20| e amigável pressão. Não dei importância ao caso. Sentamo-nos 151 34| apoiada nos coxins, alongou e deitou a cabeça no meu ombro, o 152 41| afastou-me de sua casa; e deixamos de ver-nos. ~ 153 34| vestido um pouco levantado, deixando ver uma meia de seda vermelha 154 | deles 155 40| sido apanhado em flagrante delito. E já imagina as conseqüências! ~ 156 17| sua ternura, ao aparecer demasiado; e algumas vezes, quando 157 28| considerei o caso, mas... mas, dependeria da mulher.” ~ 158 1 | cujo canto, uma só lâmpada derramava uma luz branda, suavizada 159 38| amiga saltava para o salão, derrubando a pá, o guarda-fogo, rolando 160 36| atração do fruto proibido, do desafio ao perigo, da amizade traída! 161 7 | Evitando o desastre, sentiu-se um forte cheiro 162 14| uma mulher, essa afeição desconfiada, inquieta e carnal, não 163 15| parece abrir os corações, desnudá-los, num arranque de sincera, 164 32| freqüentes de reprovação e desprezo; e de súbito: “Não, não, 165 15| como consolação, para os dias da velhice, filhos que nos 166 15| beligerantes; são de raças diferentes; deve haver sempre um domador 167 32| cabeça, que seja – como diria? – perigoso, mesmo terrível, 168 29| desses falsos risos que se diriam capazes de partir vidros 169 1 | reposteiros espessos, e discretamente perfumado. Um fogo vivo 170 23| a mais grossa de todas, dispondo-a em pirâmide sobre os outros 171 36| beijo profundo duma mulher disposta a entregar-se me lance a 172 23| algum tempo. Depois, Berthe disse-me: “Bote uma acha ao fogo, 173 36| que aquilo não era nada divertido! Enganar Julien, eu, tornar-me 174 15| haver sempre um domador e um domado, um senhor e um escravo; 175 15| diferentes; deve haver sempre um domador e um domado, um senhor e 176 2 | Ela, a dona da casa, uma velhota de 177 18| me ausentar para tratar dum negócio. Não estarei de 178 36| na boca o beijo profundo duma mulher disposta a entregar-se 179 23| Esse silêncio penoso durou algum tempo. Depois, Berthe 180 26| E eis-nos a caminho do canapé: ~ 181 | eles 182 28| Respondi, muito embaraçado: “Francamente, não considerei 183 21| que se enchem os silêncios embaraçosos. Ela não me respondia nada 184 16| Sua mulher era bonita, encantadora, uma pequenina loura frisada, 185 21| insignificantes com que se enchem os silêncios embaraçosos. 186 35| não me deu tempo para encontrar uma resposta; lançou-me 187 6 | lançava outra vez na lareira o enorme pedaço de madeira, avivando 188 6 | levantou-se como para fugir, enquanto ele, com a ponta do , 189 36| difícil, porque ela estava ensandecida em sua perfídia, inflamada 190 32| súbito: “Não, não, você não entende nada disso. Para que o amor 191 8 | esse olhar das mulheresentradas em anos, de uma curiosidade 192 13| Uma noite, ao entrar, anunciou-me seu casamento. ~ 193 36| profundo duma mulher disposta a entregar-se me lance a primeira pedra... ~ 194 39| abriu-se bruscamente! Julien entrou, todo jovial, gritando: “ 195 15| um bom e sólido amigo, e envelheçamos com ele nessa comunhão de 196 5 | uma grossa acha, um tronco eriçado de raízes inflamadas, ruiu. 197 15| um domado, um senhor e um escravo; seja um ou outro; nunca 198 18| nunca. Certa noite Julien escreveu-me, pedindo-me que fosse jantar 199 21| difícil meditação. Quando esgotei todas as minhas idéias banais, 200 5 | salão, rolou pelo tapete, espalhando faíscas de fogo. ~ 201 1 | todo forrado de reposteiros espessos, e discretamente perfumado. 202 14| e franco, este apego de espírito, de coração e de confiança 203 19| A jovem esposa sorriu: “Fui eu, aliás, 204 2 | penetrada até à carne das essências finas, uma dessas velhas 205 | esta 206 23| acha ao fogo, meu amigo; está-se apagando”. Fui ao cesto 207 31| confessei-lhe que sim, já havia estado apaixonado. “Conte-me isso”, 208 4 | não sente a necessidade de estar sempre falando para se lamentar 209 33| Ó! Cérebro feminino, aí estás tu, em toda a tua nudez! ~ 210 | este 211 21| o olhar indeciso, um estendido para o fogo, como que perdida 212 30| pouco depois: “Você nunca esteve apaixonado, Paul?” ~ 213 17| pouco a casa deles, receando estorvar sua ternura, ao aparecer 214 39| todo jovial, gritando: “Já estou livre, o negócio terminou 215 11| camaradas mais de uma vez estranharam a frieza surgida de repente 216 11| outro em duas pessoas quase estranhas. Eis o segredo de nosso 217 15| nunca os dois são iguais. Estreitam as mãos e as mãos estremecem 218 15| Estreitam as mãos e as mãos estremecem de ardor; contudo, jamais 219 36| fazer? Imitar José? Papel estúpido e, além disso, muito difícil, 220 41| frio comigo. Sua mulher, evidentemente, solapara nossa amizade; 221 7 | Evitando o desastre, sentiu-se um 222 2 | finas, uma dessas velhas que exalavam, quando se lhes beija  a 223 17| cogitava em seguir seu exemplo, decidindo-me por uma mulher, 224 14| coração e de confiança que existe entre dois homens. ~ 225 3 | companheiro na viagem da existência. Só isso, aliás. ~ 226 15| pensamentos que não pode existir senão entre dois homens. ~ 227 22| não sei quê impossível de expressar, essa advertência misteriosa 228 18| Conto com você para que faça companhia a Berthe.” ~ 229 32| fraternais; um amor tranqüilo, fácil, sem perigos, legal, será, 230 5 | pelo tapete, espalhando faíscas de fogo. ~ 231 4 | necessidade de estar sempre falando para se lamentar mutuamente. ~ 232 29| nervoso, agitado, um desses falsos risos que se diriam capazes 233 25| me pareceram estranhos. “Faz muito calor aqui, disse; 234 36| não era para mim. Mas, que fazer? Imitar José? Papel estúpido 235 10| prosseguiu, uma história triste e feia. ~ 236 33| reflexão filosófica: Ó! Cérebro feminino, aí estás tu, em toda a 237 37| quando um terrível ruído nos fez dar um salto. ~ 238 24| E fez-se novamente silêncio. ~ 239 3 | era um velho amigo que ficara solteiro, um amigo de todas 240 15| para os dias da velhice, filhos que nos abandonem, procuremos 241 33| mim mesmo esta reflexão filosófica: Ó! Cérebro feminino, aí 242 2 | adoráveis, de pele sem rugas, fina como papel de seda e perfumada, 243 2 | até à carne das essências finas, uma dessas velhas que exalavam, 244 29| capazes de partir vidros finos e acrescentou: ~ 245 40| eu teria sido apanhado em flagrante delito. E já imagina as 246 1 | perfumado. Um fogo vivo flamejava numa grande lareira, a cujo 247 2 | uma caixa de pó de íris florentino. ~ 248 7 | acha, posta novamente no fogão: “Eis porque nunca me casei.” ~ 249 1 | Era um pequeno salão, todo forrado de reposteiros espessos, 250 28| Respondi, muito embaraçado: “Francamente, não considerei o caso, 251 14| tolera o apego vigoroso e franco, este apego de espírito, 252 32| sagrados, as leis, os laços fraternais; um amor tranqüilo, fácil, 253 32| atentamente, com sinais freqüentes de reprovação e desprezo; 254 11| de uma vez estranharam a frieza surgida de repente entre 255 41| então, que Julien estava frio comigo. Sua mulher, evidentemente, 256 16| encantadora, uma pequenina loura frisada, viva, rechonchudinha, que 257 36| pela simples atração do fruto proibido, do desafio ao 258 6 | e levantou-se como para fugir, enquanto ele, com a ponta 259 38| guarda-fogo, rolando como um furacão de chama, pegando fogo ao 260 41| Conduzi-me daí para o futuro de modo a não me voltar 261 14| Senti um golpe no peito, como se me tivessem 262 1 | fogo vivo flamejava numa grande lareira, a cujo canto, uma 263 5 | ruiu. Pulou por cima das grelhas e, arrojado no salão, rolou 264 39| Julien entrou, todo jovial, gritando: “Já estou livre, o negócio 265 6 | A velha deu um gritinho e levantou-se como para 266 38| salão, derrubando a pá, o guarda-fogo, rolando como um furacão 267 | haver 268 | Haviam 269 36| louca perversa e astuta, horrivelmente sensual, que decerto não 270 19| aliás, disse, quem teve a idéia de mandar chamá-lo.” ~ 271 21| esgotei todas as minhas idéias banais, calei-me. ~ 272 15| outro; nunca os dois são iguais. Estreitam as mãos e as 273 40| em flagrante delito. E já imagina as conseqüências! ~ 274 36| para mim. Mas, que fazer? Imitar José? Papel estúpido e, 275 20| amigável pressão. Não dei importância ao caso. Sentamo-nos à mesa; 276 22| invisível, um não sei quê impossível de expressar, essa advertência 277 2 | de seda e perfumada, toda impregnada de perfumes, penetrada até 278 38| poltrona que ia infalivelmente incendiar. ~ 279 21| de cabeça baixa, o olhar indeciso, um estendido para o 280 34| Tomara, ao falar, um ar indiferente, quase cínico; e, apoiada 281 38| caindo numa poltrona que ia infalivelmente incendiar. ~ 282 36| ensandecida em sua perfídia, inflamada de audácia, palpitante e 283 5 | tronco eriçado de raízes inflamadas, ruiu. Pulou por cima das 284 34| que os lampejos do fogo inflamavam de quando em quando. ~ 285 14| essa afeição desconfiada, inquieta e carnal, não tolera o apego 286 11| como dois íntimos, dois inseparáveis como nós, pudessem transformar-se 287 21| coisas vagas, dessas coisas insignificantes com que se enchem os silêncios 288 23| pedaços de madeira, quase inteiramente consumidos. ~ 289 15| sempre estranhos de alma, de inteligência; permanecem beligerantes; 290 22| misteriosa que nos previne das intenções secretas, boas ou más, de 291 21| sozinhos e, apesar de nossa intimidade, que crescia dia a dia, 292 11| Não compreendiam como dois íntimos, dois inseparáveis como 293 15| Manda a sabedoria que, ao invés da gente se casar e procurar, 294 22| coisa de novo no ar, algo invisível, um não sei quê impossível 295 2 | abrimos uma caixa de pó de íris florentino. ~ 296 18| escreveu-me, pedindo-me que fosse jantar com eles. Fui. “Meu velho, 297 36| Mas, que fazer? Imitar José? Papel estúpido e, além 298 39| bruscamente! Julien entrou, todo jovial, gritando: “Já estou livre, 299 35| bruscamente a cabeça, seus lábios juntaram-se aos meus. ~ 300 12| Morávamos juntos. Nunca nos separávamos; 301 23| cesto da lenha, colocado justamente como o seu, e peguei uma 302 35| bruscamente a cabeça, seus lábios juntaram-se aos meus. ~ 303 32| obstáculos sagrados, as leis, os laços fraternais; um amor tranqüilo, 304 21| diante de mim, do outro lado da lareira, de cabeça baixa, 305 4 | estar sempre falando para se lamentar mutuamente. ~ 306 1 | lareira, a cujo canto, uma só lâmpada derramava uma luz branda, 307 34| de seda vermelha que os lampejos do fogo inflamavam de quando 308 39| Precipitei-me como um louco, e, ao lançar para a lareira o tição salvador, 309 6 | ele, com a ponta do , lançava outra vez na lareira o enorme 310 36| disposta a entregar-se me lance a primeira pedra... ~ 311 35| encontrar uma resposta; lançou-me os braços ao pescoço, e, 312 15| jamais as apertam numa larga e forte pressão leal, dessa 313 15| numa larga e forte pressão leal, dessa pressão que parece 314 32| tranqüilo, fácil, sem perigos, legal, será, realmente, amor?” ~ 315 32| obstáculos sagrados, as leis, os laços fraternais; um 316 23| apagando”. Fui ao cesto da lenha, colocado justamente como 317 34| ombro, o vestido um pouco levantado, deixando ver uma meia de 318 18| Meu velho, disse ele, levantando-se da mesa, tenho que me ausentar 319 25| crestava o rosto. A jovem levantou os olhos para mim, dois 320 6 | velha deu um gritinho e levantou-se como para fugir, enquanto 321 | lhe 322 | lhes 323 12| separávamos; e a amizade que nos ligava parecia tão forte que nada 324 39| jovial, gritando: “Já estou livre, o negócio terminou duas 325 20| senti em meus dedos uma longa e amigável pressão. Não 326 36| o amante dessa  pequena louca perversa e astuta, horrivelmente 327 39| Precipitei-me como um louco, e, ao lançar para a lareira 328 16| encantadora, uma pequenina loura frisada, viva, rechonchudinha, 329 1 | só lâmpada derramava uma luz branda, suavizada por um 330 21| Mal ele saiu, uma espécie de 331 21| uma espécie de singular mal-estar surgiu bruscamente entre 332 8 | refletida, complicada, às vezes maliciosa. E perguntou-lhe: ~ 333 30| homens nunca são audazes nem maliciosos.” Calou-se, para prosseguir 334 15| forte e viril afeição. Manda a sabedoria que, ao invés 335 19| disse, quem teve a idéia de mandar chamá-lo.” ~ 336 36| não se contentava com o marido? Trair constantemente, enganar 337 22| intenções secretas, boas ou más, de outra pessoa a nosso 338 21| que perdida numa difícil meditação. Quando esgotei todas as 339 35| Passado um minuto, disse: “Tem medo de mim?” Protestei. Apoiou-se 340 34| levantado, deixando ver uma meia de seda vermelha que os 341 37| perdão, ele é quem era!... ou melhor teria sido, quando um terrível 342 11| entre mim e um dos meus melhores amigos, Julien.  Não compreendiam 343 | menos 344 | minhas 345 25| Passados alguns minutos, a acha ardia de tal modo 346 22| expressar, essa advertência misteriosa que nos previne das intenções 347 12| Morávamos juntos. Nunca nos separávamos; 348 20| Apertei-lhe a mão: “Você é muitíssimo amável.” e senti em meus 349 4 | falando para se lamentar mutuamente. ~ 350 4 | da gente que não sente a necessidade de estar sempre falando 351 | nem 352 32| perturbe o coração, torça os nervos, assole a cabeça, que seja – 353 29| a rir, com um riso seco, nervoso, agitado, um desses falsos 354 | nessa 355 | nós 356 21| tête-à-tête colocava-nos numa nova situação. Comecei por falar 357 22| havia qualquer coisa de novo no ar, algo invisível, um 358 33| estás tu, em toda a tua nudez! ~ 359 | Ó 360 8 | Ela observou-o, assombrada, com esse olhar 361 32| dizer que deve romper os obstáculos sagrados, as leis, os laços 362 36| de audácia, palpitante e obstinada. Oh! Que quem nunca sentiu 363 2 | lhes beija  a mão, o mesmo odor suave que nos salta ao olfato 364 | Oh 365 10| Ohh, é toda uma história, prosseguiu, 366 20| Sentamo-nos à mesa; e, às oito horas, Julien partiu. ~ 367 2 | odor suave que nos salta ao olfato quando abrimos uma caixa 368 7 | novamente diante de sua amiga e, olhando, sorrindo para ela, disse, 369 35| abertamente no meu peito e, sem olhar-me, continuou: “E se eu lhe 370 4 | pouco mais ou menos, e ambos olhavam o fogo,  sonhando qualquer 371 34| e deitou a cabeça no meu ombro, o vestido um pouco levantado, 372 | outros 373 32| uma história qualquer. Ela ouvia-me atentamente, com sinais 374 38| para o salão, derrubando a , o guarda-fogo, rolando 375 36| perfídia, inflamada de audácia, palpitante e obstinada. Oh! Que quem 376 4 | Haviam parado de conversar fazia um minuto 377 15| leal, dessa pressão que parece abrir os corações, desnudá-los, 378 25| para mim, dois olhos que me pareceram estranhos. “Faz muito calor 379 29| que se diriam capazes de partir vidros finos e acrescentou: ~ 380 20| e, às oito horas, Julien partiu. ~ 381 35| Passado um minuto, disse: “Tem medo 382 25| Passados alguns minutos, a acha ardia 383 30| nunca esteve apaixonado, Paul?” ~ 384 6 | vez na lareira o enorme pedaço de madeira, avivando a sola 385 23| pirâmide sobre os outros pedaços de madeira, quase inteiramente 386 18| noite Julien escreveu-me, pedindo-me que fosse jantar com eles. 387 31| apaixonado. “Conte-me isso”, pediu ela. ~ 388 36| entregar-se me lance a primeira pedra... ~ 389 38| como um furacão de chama, pegando fogo ao tapete e caindo 390 23| justamente como o seu, e peguei uma acha, a mais grossa 391 | pela 392 2 | dessas velhas adoráveis, de pele sem rugas, fina como papel 393 | pelo 394 2 | impregnada de perfumes, penetrada até à carne das essências 395 23| Esse silêncio penoso durou algum tempo. Depois, 396 15| com ele nessa comunhão de pensamentos que não pode existir senão 397 32| amor seja bom é preciso, penso eu, que nos perturbe o coração, 398 36| tornar-me o amante dessa  pequena louca perversa e astuta, 399 16| bonita, encantadora, uma pequenina loura frisada, viva, rechonchudinha, 400 1 | Era um pequeno salão, todo forrado de reposteiros 401 37| eu era... não, ela era... perdão, ele é quem era!... ou melhor 402 21| estendido para o fogo, como que perdida numa difícil meditação. 403 14| amigo se casa, é um amigo perdido, e para sempre. A afeição 404 36| estava ensandecida em sua perfídia, inflamada de audácia, palpitante 405 2 | fina como papel de seda e perfumada, toda impregnada de perfumes, 406 1 | espessos, e discretamente perfumado. Um fogo vivo flamejava 407 2 | perfumada, toda impregnada de perfumes, penetrada até à carne das 408 8 | complicada, às vezes maliciosa. E perguntou-lhe: ~ 409 36| proibido, do desafio ao perigo, da amizade traída! Não, 410 32| amor tranqüilo, fácil, sem perigos, legal, será, realmente, 411 32| que seja – como diria? – perigoso, mesmo terrível, quase criminoso, 412 15| de alma, de inteligência; permanecem beligerantes; são de raças 413 21| não me respondia nada e permanecia diante de mim, do outro 414 32| preciso, penso eu, que nos perturbe o coração, torça os nervos, 415 36| amante dessa  pequena louca perversa e astuta, horrivelmente 416 35| lançou-me os braços ao pescoço, e, atraindo-me bruscamente 417 22| secretas, boas ou más, de outra pessoa a nosso respeito. ~ 418 23| de todas, dispondo-a em pirâmide sobre os outros pedaços 419 2 | quando abrimos uma caixa de de íris florentino. ~ 420 15| comunhão de pensamentos que não pode existir senão entre dois 421 | Pois 422 38| ao tapete e caindo numa poltrona que ia infalivelmente incendiar. ~ 423 6 | fugir, enquanto ele, com a ponta do , lançava outra vez 424 18| das onze; mas, às onze em ponto, estarei aqui. Conto com 425 39| lareira o tição salvador, a porta abriu-se bruscamente! Julien 426 7 | disse, apontando a acha, posta novamente no fogão: “Eis 427 39| Precipitei-me como um louco, e, ao lançar 428 32| Para que o amor seja bom é preciso, penso eu, que nos perturbe 429 22| advertência misteriosa que nos previne das intenções secretas, 430 36| a entregar-se me lance a primeira pedra... ~ 431 17| A princípio ia pouco a casa deles, receando 432 15| invés da gente se casar e procurar, como consolação, para os 433 15| filhos que nos abandonem, procuremos um bom e sólido amigo, e 434 36| nunca sentiu na boca o beijo profundo duma mulher disposta a entregar-se 435 36| simples atração do fruto proibido, do desafio ao perigo, da 436 30| maliciosos.” Calou-se, para prosseguir pouco depois: “Você nunca 437 10| Ohh, é toda uma história, prosseguiu, uma história triste e feia. ~ 438 35| disse: “Tem medo de mim?” Protestei. Apoiou-se abertamente no 439 11| dois inseparáveis como nós, pudessem transformar-se de um dia 440 5 | raízes inflamadas, ruiu. Pulou por cima das grelhas e, 441 22| algo invisível, um não sei quê impossível de expressar, 442 12| forte que nada era capaz de quebrá-la. ~ 443 8 | que têm as mulheres quando querem saber alguma coisa, esse 444 36| Ah, minha queria amiga, acredite que aquilo 445 32| uma espécie de traição; quero dizer que deve romper os 446 15| permanecem beligerantes; são de raças diferentes; deve haver sempre 447 5 | acha, um tronco eriçado de raízes inflamadas, ruiu. Pulou 448 32| sem perigos, legal, será, realmente, amor?” ~ 449 17| princípio ia pouco a casa deles, receando estorvar sua ternura, ao 450 16| pequenina loura frisada, viva, rechonchudinha, que parecia adorá-lo. ~ 451 8 | anos, de uma curiosidade refletida, complicada, às vezes maliciosa. 452 33| fazia para mim mesmo esta reflexão filosófica: Ó! Cérebro feminino, 453 17| e algumas vezes, quando regressava à casa de noite, cogitava 454 1 | suavizada por um abajur de renda antiga, sobre duas pessoas 455 1 | pequeno salão, todo forrado de reposteiros espessos, e discretamente 456 32| com sinais freqüentes de reprovação e desprezo; e de súbito: “ 457 22| de outra pessoa a nosso respeito. ~ 458 33| Não sabia que responder, e fazia para mim mesmo 459 28| Respondi, muito embaraçado: “Francamente, 460 21| embaraçosos. Ela não me respondia nada e permanecia diante 461 35| tempo para encontrar uma resposta; lançou-me os braços ao 462 29| Então, ela começou a rir, com um riso seco, nervoso, 463 29| ela começou a rir, com um riso seco, nervoso, agitado, 464 29| agitado, um desses falsos risos que se diriam capazes de 465 6 | os carvões em brasa que o rodearam. ~ 466 38| derrubando a pá, o guarda-fogo, rolando como um furacão de chama, 467 5 | grelhas e, arrojado no salão, rolou pelo tapete, espalhando 468 32| traição; quero dizer que deve romper os obstáculos sagrados, 469 14| peito, como se me tivessem roubado ou traído. Quando um amigo 470 2 | velhas adoráveis, de pele sem rugas, fina como papel de seda 471 37| sido, quando um terrível ruído nos fez dar um salto. ~ 472 5 | eriçado de raízes inflamadas, ruiu. Pulou por cima das grelhas 473 15| e viril afeição. Manda a sabedoria que, ao invés da gente se 474 8 | as mulheres quando querem saber alguma coisa, esse olhar 475 33| Não sabia que responder, e fazia para 476 32| quase criminoso, quase sacrílego; que seja uma espécie de 477 32| deve romper os obstáculos sagrados, as leis, os laços fraternais; 478 21| Mal ele saiu, uma espécie de singular 479 2 | mesmo odor suave que nos salta ao olfato quando abrimos 480 38| acha, sim, a acha amiga saltava para o salão, derrubando 481 37| terrível ruído nos fez dar um salto. ~ 482 39| lançar para a lareira o tição salvador, a porta abriu-se bruscamente! 483 6 | madeira, avivando a sola dos sapatos todos os carvões em brasa 484 29| começou a rir, com um riso seco, nervoso, agitado, um desses 485 22| nos previne das intenções secretas, boas ou más, de outra pessoa 486 11| pessoas quase estranhas. Eis o segredo de nosso afastamento. ~ 487 17| casa de noite, cogitava em seguir seu exemplo, decidindo-me 488 22| algo invisível, um não sei quê impossível de expressar, 489 3 | solteiro, um amigo de todas as semanas, um companheiro na viagem 490 41| voltar a ver em situação semelhante, jamais, jamais, jamais! 491 | senão 492 15| domador e um domado, um senhor e um escravo; seja um ou 493 36| e astuta, horrivelmente sensual, que decerto não se contentava 494 20| dei importância ao caso. Sentamo-nos à mesa; e, às oito horas, 495 4 | amigos da gente que não sente a necessidade de estar sempre 496 22| que dizer. Pois bem; eu sentia que havia qualquer coisa 497 36| obstinada. Oh! Que quem nunca sentiu na boca o beijo profundo 498 7 | Evitando o desastre, sentiu-se um forte cheiro a chamusco. 499 7 | cheiro a chamusco. O homem sentou-se novamente diante de sua 500 18| Parecia que se amavam; não se separavam nunca. Certa noite Julien 501 12| Morávamos juntos. Nunca nos separávamos; e a amizade que nos ligava


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