II. A SANTA SÉ LOUVA E DEFINE A
POSIÇÃO
DAS CONGREGAÇÕES MARIANAS
1) Louva:
a) Pelos seus trabalhos em prol da Igreja
e das almas
7. Pelo que, contemplando do alto desta sede de Pedro,
como de elevada atalaia donde se descortina o mundo, o admirável esforço de
tantos féis cristãos em toda parte, na conservação, defesa e aumento da
religião, julgamos dignas de particular louvor as hostes das congregações
marianas, as quais, logo desde a sua origem, se propuseram tomar a cargo, como
coisa própria sua e muito em consonância com as suas leis,16 todas as
obras apostólicas recomendadas pela santa madre Igreja,17 tendo como
guias os pastores sagrados,18 e isso não só individual mas coletivamente.
Quão bem tenham satisfeito a esse encargo e dever, e com que felicíssimos
incrementos para a religião, declararam-no eloqüentissimamente os reiterados
encômios dos romanos pontífices.19 E na época atual, agitada por tantas
calamidades, é para nós suavíssima consolação contemplar em espírito como os
congregados de Maria, em todas as partes do mundo, empenham forças valorosa e
eficazmente, em todo gênero de apostolado, seja em levar à virtude e incitar ao
desejo de uma vida cristã mais pujante, por meio dos exercícios espirituais, os
homens de todas as classes, principalmente os adolescentes e os operários, seja
em aliviar as misérias espirituais e materiais dos pobres. E isso fazem-no, não
só por iniciativa particular e movidos por sentimentos de bondade inata, mas
também promovendo leis conformes com os princípios do evangelho e da justiça
social, nas assembléias públicas dos Estados e até mesmo desde os mais altos
cargos do Estado.20
8. Também se não devem passar em silêncio as associacões
que as congregações marianas fundaram ou consolidaram com o seu esforço, para
reprimir as representações teatrais e os espetáculos cinematográficos obscenos,
e preservar os bons costumes da aluvião de livros e periódicos perversos. Nem
se hão de esquecer as inúmeras escolas gratuitas abertas pelas congregações
para os meninos e adultos mais desprotegidos da fortuna; os institutos técnicos
para melhor formação dos operários na arte de cada qul, 21 e sobretudo
os que visam a uma maior especialização nas várias classes e gêneros de
profissões e disciplinas.22 Essa forma de apostolado, tão necessária em
nossos dias, é praticada por numerosas congregações, sobretudo pelas chamadas
interparoquiais, em proveito de grupos de pessoas unidas entre si pela maior
semelhança dos respectivos misteres e ofícios.23
b) Pela sua colaboração fraterna com as
demais associações católicas
9. Na verdade, essas obras são numerosas e utilíssimas à
causa católica. Ainda na mesma ordem de idéias, se deve tributar o louvor às
congregações marianas de terem sempre, e mais ainda nos últimos tempos,
desejado do fundo da alma colaborar íntima e fraternalmente com outras
associações católicas; para que, pela união de forças e sob a autoridade e
direção dos bispos, se colham, dos trabalhos suportados pelo reino de Cristo,
frutos mais abundantes. Mais ainda, como noutro lugar fazíamos ver acerca da
Ação católica italiana, 24 os primeiros núcleos destas associações em
algumas nações foram fundados por congregações de Maria, os quais,
sucedendo-lhes depois outros e outros que fervorosamente lhes foram juntando o
seu esforço, mostraram dever ser tidos, com verdade e justiça entre os
principais fautores da Ação católica.
c) Pelo seu apego à hierarquia: papa e
bispos
10. Além disso, assentando toda a força dos católicos na
união de todos como num só esquadrão em ordem de batalha sob a autoridade e
obediência dos pastores da Igreja, quem não vê quão oportunos instrumentos de
apostolado sejam as congregações marianas, não só em virtude da sua fervorosa e
incondicional sujeição a esta Sé Apostólica, cabeça e fundamento de toda a
hierarquia eclesiástica, 25 mas também pela humilde e dócil submissão
às ordens e conselhos dos ordinários,26 segundo a sua índole e
capacidade.
11. E quem examina a íntima constituição das congregações,
facilmente verificará que umas dependem dos bispos e párocos; outras, por
especial privilégio, de nós mesmo, e, por delegação de nós recebida, do
prepósito geral da Companhia de Jesus. Todas, porém, quanto aos trabalhos
apostólicos a organizar e a executar, estão sujeitas à autoridade do próprio
bispo ou ainda, por vezes, a do pároco. Por isso, visto serem recebidas entre
os esquadrões da milícia apostólica pela hierarquia eclesiástica, e dela
inteiramente dependerem na iniciativa e realização das suas atividades, com
razão, como noutra ocasião advertimos,27 se devem denominar
cooperadoras do apostolado hierárquico. E, na verdade, nos congregados de
Maria, esta como que ingênita "reverência e humilde submissão aos pastores
sagrados" brota necessariamente das suas próprias regras. Segundo elas, o
congregado há de professar incondicionalmente, na vida e nos costumes, tudo o
que ensina a Igreja católica, "louvando o que ela louva, e reprovando o
que ela reprova, sentindo como ela sente em todas as coisas, não se
envergonhando nunca, seja na vida particular, seja na pública, de proceder como
filho obediente e fiel de tão santa mãe"28.
12. A essa estreita e quase militar união dos católicos,
de modo nenhum se opõe o fato de que as congregações, fundadas pela Companhia
de Jesus, pareçam como renovos e derivações da mesma, dado sobretudo o serem
parte delas, embora pequena, dirigidas por sacerdotes da mesma Companhia, por
delegação nossa, como dissemos. Pelo contrário, uma vez que as congregações
marianas tomaram como lema, logo desde a fundação, as regras "para sentir
com a Igreja", parece terem adquirido certa como que inclinação natural de
obedecer aos ditames daqueles que "o Espírito Santo pôs como bispos a
regerem a Igreja de Deus" (At 20,28); donde resulta que prestaram e
prestarão valiosíssimo auxílio aos mesmos bispos na dilatação do reino de
Cristo. O mais irrefragável testemunho de que elas não buscaram nunca o
interesse de qualquer causa particular, mas sempre o bem comum da Igreja, está
naquele brilhantíssimo esquadrão de congregados marianos, a quem a mesma santa
madre Igreja decretou as supremas honras dos altares, com cuja glória se
ilustra não apenas a Companhia de Jesus, mas o próprio clero secular e não
poucas famílias religiosas, pois que das congregações marianas saíram dez
fundadores e patriarcas de novas ordens ou congregações Religiosas.
|