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| Pio XII Nell'alba e nella luce IntraText CT - Texto |
28. Nós contemplamos hoje, amados filhos, ao Homem Deus nascido numa gruta, para de novo levantar o homem àquela grandeza, donde tinha caído por sua culpa; para o repor sobre o trono de liberdade, de justiça e de honra que os séculos dos falsos deuses lhe tinham negado. O fundamento daquele trono será o Calvário; o seu ornato não será o ouro e a prata, mas o sangue de Cristo, sangue divino que há vinte séculos corre sobre o mundo e purpureia as faces da sua esposa a Igreja, e, purificando, consagrando, santificando, glorificando os seus filhos, se torna candor de paraíso.
29. Ó Roma cristã, aquele sangue é a tua vida; por aquele sangue tu és grande e iluminas com.tua grandeza as próprias ruínas e restos das tuas grandezas pagãs, e purificas e consagras os códigos da sapiência jurídica dos pretores e dos Césares: Tu és mãe de uma justiça mais alta e mais humana, que te honra a ti, a tua sede, e quem te escuta. Tu és farol de civilização, e a Europa civil e o mundo devem-te quanto de mais sagrado e de mais santo, quanto de mais sábio e mais honesto exalta os povos e torna bela a sua história. Tu és mãe de caridade: os teus fastos, os teus monumentos, os teus hospícios, os teus mosteiros, os teus conventos, os teus heróis e as tuas heroínas, os teus arautos e os teus missionários, as tuas épocas e os teus séculos, com suas escolas e universidades, atestam os triunfos da tua caridade, que tudo abraça, tudo sofre, tudo espera, tudo opera, para se fazer tudo a todos, e a todos confortar e aliviar, a todos sarar e chamar à liberdade dada ao homem por Cristo, e tranqüilizar a todos naquela paz que irmana os povos e de todos os homens, sob todos os climas, quaisquer sejam as línguas e os costumes que os distingam, faz uma só família e do mundo uma pátria comum.
30. Desta Roma, centro, cidadela e mestra do cristianismo, cidade que Cristo, mais do que os Césares, fez eterna no tempo, nós movidos pelo ardente e vivíssimo desejo do bem de cada povo e da humanidade inteira, a todos dirigimos a nossa voz rogando e suplicando que venha depressa o dia em que nas terras, onde hoje a hostilidade contra Deus e contra o seu Cristo arrasta os homens à ruína temporal e eterna, prevaleçam melhor conhecimento da religião e novos propósitos; o dia em que sobre o berço da nova ordem dos povos resplandeça a estrela de Belém anunciadora de um novo espírito que mova a cantar com os anjos: "Glória a Deus no mais alto dos céus", e a proclamar, como dom enfim concedido pelo céu a todas as gentes: "E paz aos homens de boa vontade". Despontada a aurora daquele dia, com que júbilo nações e governos, livres dos temores de insídias e de verem renovar-se os conflitos, transformarão as espadas, que rasgam agora peitos humanos, em arados que sulquem, ao sol da bênção divina, o fecundo seio da terra, para dela arrancarem um pão, banhado sim de suor, mas não já de sangue e de lágrimas!
31. Nesta esperança e com esta anelante oração sobre os lábios, enviamos a nossa saudação e a nossa bênção a todos os nossos filhos do mundo inteiro. Desça a nossa bênção mais copiosa sobre aqueles - sacerdotes, religiosos e leigos - que sofrem penas e angústias pela sua fé; desça também sobre os que, embora não pertençam ao corpo visível da Igreja católica, estão perto de nós pela fé em Deus e em Jesus Cristo e conosco concordam na ordem e nos fins fundamentais da paz; desça com particular afeto sobre quantos gemem na tristeza, duramente torturados pelas angústias da hora presente. Seja escudo a quantos militam sob as armas; refrigério aos doentes e feridos; conforto aos prisioneiros, aos expulsos da terra pátria, aos que estão longe do lar doméstico, aos deportados para terras estrangeiras, aos milhões de infelizes que a todas as horas lutam contra os espantosos estímulos da fome. Seja bálsamo a todas as dores e desventuras; seja amparo e consolação a todos os mesquinhos e necessitados que esperam uma palavra amiga que derrame em seus corações força, coragem, suavidade de compaixão e de auxílio fraterno. Repouse enfim a nossa bênção sobre aquelas almas e sobre aquelas mãos piedosas que com inexaurível generosidade e sacrifício nos têm dado com que poder, mais do que permitia a estreiteza dos nossos meios, enxugar as lágrimas, suavizar a pobreza de muitos, especialmente dos mais pobres e abandonados entre as vítimas da guerra; fazendo assim ver por experiência como a bondade e benignidade de Deus, cuja suma e inefável revelação é o Menino do presépio que nos enriqueceu com sua pobreza, não cessam nunca, através dos anos e das desventuras, de viver e de operar na sua Igreja.
A todos concedemos com profundo amor paterno, da plenitude do nosso coração, a bênção apostólica.
PIO PP. XII