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INTRODUÇÃO*
1. Inspirados pelo Espírito Divino,
escreveram os sagrados autores aqueles livros que Deus, no seu paterno amor
para com o gênero humano, se dignou dar-nos "para ensinar, para convencer,
para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja
perfeito e bem apetrechado para toda a obra boa."1 Não admira,
pois, se a santa Igreja, para quem este tesouro recebido do céu é fonte
preciosíssima e regra divina do dogma e da moral, como o recebeu ilibado das
mãos dos apóstolos, assim com todo o cuidado o conservou, e defendeu de toda e
qualquer interpretação falsa e errônea, e com o maior esmero o utilizou para
conseguir a salvação eterna das almas. Atestam-no eloqüentemente documentos
quase inumeráveis de cada século. Mas nos tempos mais recentes, quando se viu
mais particularmente ameaçada a origem divina dos Livros Sagrados e a sua reta
interpretação, também a Igreja tratou de as defender e proteger com maior
empenho e diligência. E assim já o sacrossanto concílio de Trento, com solene
decreto, determinou que devem reconhecer-se "como sagrados e canônicos os
livros inteiros com todas as suas partes conforme se costuma ler na Igreja
católica e estão na antiga Vulgata latina."2 E em nosso tempo o
concílio Vaticano [I], para condenar algumas falsas doutrinas relativas a
inspiração, declarou que a razão de os mesmos livros deverem ser considerados
como sagrados e canônicos "não é porque, tendo sido compostos apenas por
atividade humana, a Igreja depois os aprovou com a sua autoridade, nem unicamente
porque contêm a revelação sem erro algum, mas porque, escritos sob a inspiração
do Espírito Santo, tem a Deus por autor, e como tais foram confiados à mesma
Igreja."3 Todavia, mesmo depois desta solene definição da doutrina
católica que reivindica "aos livros inteiros com todas as suas
partes" tal autoridade divina, que os preserva de todo e qualquer erro,
houve escritores católicos que ousaram coarctar a verdade da Sagrada Escritura
unicamente às coisas relativas à fé e a moral, considerando as restantes, quer
físicas quer históricas, como "ditas de passagem" e sem conexão,
afirmavam eles, com as verdades da fé. Por isso o nosso predecessor de imortal
memória Leão XIII com a encíclica Providentissimus Deus, de 18 de
novembro de 1893, infligiu àqueles erros a merecida condenação, e ao mesmo
tempo regulou o estudo dos Livros divinos com prescrições e normas
sapientíssimas.
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