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13. Quanta seja a importância desta
crítica, bem o dá a entender santo Agostinho, quando entre as normas que
inculca ao estudioso dos Livros Santos, põe em primeiro lugar o cuidado de
procurar um texto correto. "A emendar os códices, diz aquele preclaríssimo
doutor da Igreja, deve antes de mais nada atender a sagacidade pelos que
desejam conhecer as divinas Escrituras, para que os não emendados cedam o lugar
aos emendados",23 Hoje em dia esta arte que sói chamar-se crítica
textual e nas edições de autores profanos se emprega com grande louvor e fruto,
com toda a razão se aplica também aos Livros Santos, precisamente pela
reverência devida à palavra de Deus. De fato o seu fim é reconstruir com toda a
possível perfeição o texto sagrado, expurgá-lo das alterações nele introduzidas
por culpa dos copistas, mundando-o das glossas e lacunas, transposições e
repetições de palavras, e de toda espécie de erros que costumam infiltrar-se na
transmissão plurissecular de obras manuscritas. Nem quase é preciso advertir
que essa crítica, que alguns decênios atrás muitos empregaram de modo
completamente arbitrário, tanto que muitas vezes parecia não pretenderem outra
coisa senão introduzir no texto sagrado as suas opiniões preconcebidas, hoje
chegou a tal consistência e segurança de regras, que se tornou um magnífico
instrumento para a edição da divina palavra em forma mais exata e mais pura, e
é fácil descobrir qualquer abuso que dela se faça. Nem é necessário lembrar
aqui - pois é coisa conhecida e manifesta a quantos estudam a Sagrada Escritura
- quanta apreço fez sempre a Igreja, desde os primeiros séculos até aos nossos
tempos, dos estudos críticos. Portanto hoje que esta arte atingiu tão grande
perfeição, é um dever de honra, bem que não sempre fácil, para os especialistas
em Sagrada Escritura, procurar por todos os meios que quanto antes se preparem
edições católicas dos Livros santos e das antigas traduções, feitas segundo
estas normas, de modo que com uma reverência suma para com o texto sagrado unam
uma exata observância de todas as leis da crítica. E saibam bem todos que este
longo trabalho não só é necessário para bem compreender os escritos divinamente
inspirados, mas é imperiosamente exigido pela piedade com que nos devemos
mostrar sumamente agradecidos a amorosíssima Providência de Deus que do trono
da sua majestade nos mandou esses livros como cartas do Pai celeste aos
próprios filhos.
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