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17. Para isso conseguir poderá o exegeta
católico auxiliar-se egregiamente do estudo inteligente dos escritos em que os
santos Padres e doutores da Igreja e os ilustres intérpretes das épocas
passadas comentaram os Livros Santos. Pois que eles, bem que talvez menos
fornecidos de instrução profana e de ciência lingüística do que os intérpretes
dos nossos dias, contudo pelo lugar que Deus lhes deu na Igreja, distinguem-se
por uma suave intuição das coisas celestes e por uma admirável perspicácia com
que penetram até às mais íntimas profundidades da divina palavra e tiram à luz
quanto pode servir para ilustrar a doutrina de Cristo e promover a santidade da
vida. Verdadeiramente é pena que tão preciosos tesouros da antiguidade cristã
sejam pouco conhecidos de muitos escritores do nosso tempo e que os cultores da
história da exegese não tenham ainda feito tudo para aprofundar bem e apreciar
devidamente uma coisa de tanta importância. Preza a Deus que muitos se dêem
diligentemente a explorar os autores e obras de interpretação católica da
Escritura, e, extraindo as riquezas quase imensas nelas acumuladas, concorram
eficazmente para que se veja melhor quão intimamente penetravam e quão bem
explicaram os antigos a divina doutrina dos Livros Santos; e os intérpretes
atuais tomem daí exemplo e aproveitem os preciosos materiais postos à sua
disposição. Assim efetuar-se-á, finalmente, a feliz e fecunda combinação da
doutrina e suave unção dos antigos com a mais vasta erudição e arte mais
progredida dos modernos, a qual decerto produzirá novos frutos no campo nunca
assaz cultivado das divinas Escrituras.
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