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19. E realmente a nossa época, se por um lado acumula novos
problemas e dificuldades, por outro, graças a Deus, oferece à exegese novos
recursos e subsídios. Entre esses merece especial referência o fato de os
teólogos católicos, seguindo a doutrina dos santos Padres e, principalmente, do
doutor angélico e comum, terem indagado e exposto com mais precisão e fineza do
que nos séculos passados, a natureza e efeito da inspiração bíblica. Partindo
nas suas investigações do princípio que o hagiógrafo ao escrever o livro
sagrado é órgão ou instrumento do Espírito Santo, mas instrumento vivo e
racional, observam justamente que ele sob a moção divina usa das suas
faculdades e energias de tal modo, que todos podem facilmente reconhecer do
livro por ele composto "qual a sua índole própria, e como que as feições e
traços característicos da sua fisionomia".28 Procure por
conseguinte o intérprete distinguir com todo o cuidado, sem descurar nenhuma
luz fornecida pelas recentes investigações, qual a índole própria e condição
social do autor sagrado, em que tempo viveu, de que fontes, escritas ou orais,
se serviu, que formas de dizer empregou. Assim poderá conhecer melhor quem foi
o hagiógrafo e o que quis dizer no seu escrito. Porque, enfim, ninguém ignora
que a norma suprema da interpretação é indagar e definir que coisa se propôs
dizer o escritor, como egregiamente adverte santo Atanásio: "Aqui, como em
todos os outros passos da Escritura divina, deve-se notar diligente e fielmente
em que ocasião falou o Apóstolo, qual o destinatário e qual o motivo de escrever;
não seja que, ignorando essas coisas ou tomando umas por outras, nos desviemos
do pensamento do autor".29
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