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24. Não é, contudo, para admirar se não se venceram nem resolveram já todas
as dificuldades, mas há ainda hoje graves questões que não pouco agitam os
espíritos dos católicos. Não é caso para desanimar; basta refletir que
nos estudos humanos sucede como nas coisas naturais: que crescem pouco a pouco
e não se colhe fruto senão depois de muito trabalho. Assim precisamente sucedeu
que a muitas questões controversas, não resolvidas e indecisas nos tempos
passados, só nos nossos dias com o progresso dos estudos se encontrou
felizmente solução. Pode-se, pois, esperar que também as que hoje nos parecem
sumamente complicadas e dificílimas, com uma constante aplicação virão a ser um
dia plenamente dilucidadas. E se a desejada solução tardar muito, de modo que
não possamos nós ver, mas esteja reservado aos vindouros o feliz resultado, não
é isso razão para ninguém se lamentar, porque deve valer também para nós o que
ao seu tempo advertiam os Padres e nomeadamente santo Agostinho:33 ter
Deus semeado de dificuldades os Livros Santos por ele inspirados, para nos
estimular a lêlos e perscrutá-los com maior aplicação e para que, conhecendo
por experiência o limitado da nossa inteligência, tivéssemos um salutar
exercício de humildade. Não haveria, portanto, razão de nos admirarmos, se a
uma ou outra questão não se chegasse nunca a achar resposta plenamente
satisfatória, porque se trata de matérias obscuras e demasiado remotas do nosso
tempo e da nossa experiência; e porque também a exegese, como as outras
disciplinas mais importantes, pode ter os seus segredos inacessíveis à nossa
mente e que nenhum esforço conseguirá penetrar.
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