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Pio XII
Divino afflante Spiritu

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  • SEGUNDA PARTE - CRITÉRIOS HERMENÊUTICOS PARA O ESTUDO DA SAGRADA ESCRITURA HOJE
    • 5. Como tratar as questões mais difíceis
      • 3 - A interpretação da Igreja e o progresso da exegese
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3 - A interpretação da Igreja e o progresso da exegese

 

25. Este estado de coisas não é motivo para que o intérprete católico, animado de amor efetivo e forte para com a sua ciência, e sinceramente dedicado à santa madre Igreja, deixe de arcar uma e outra vez com as questões difíceis até hoje insolúveis, não só para rebater as objeções dos adversários, mas também para ver se encontra uma solução positiva e sólida, em harmonia com a doutrina tradicional da Igreja, especialmente com a da inerrância da Sagrada Escritura, e que satisfaça convenientemente às conclusões certas das ciências profanas. E todos os demais filhos da Igreja lembrem-se que devem julgar não só com justiça, mas, com a maior caridade as fadigas desses valorosos operários da vinha do Senhor; guardando-se daquele zelo pouco prudente, que crê dever atacar ou declarar suspeita qualquer novidade unicamente pelo fato de o ser. Tenham presente, sobretudo, que nas diretrizes e leis dadas pela Igreja se trata da doutrina relativa à e aos costumes; e que entre as muitas coisas que se lêem nos Livros Santos legais, históricos, sapienciais e proféticos, poucas são aquelas cujo sentido tenha sido declarado pela autoridade da Igreja, nem são mais numerosas aquelas das quais tenhamos a sentença unânime dos Padres. Restam pois muitas e muito importantes em cuja discussão e explicação se pode e deve exercitar livremente o engenho e perspicácia dos intérpretes católicos, para que cada um pela sua parte contribua para a comum utilidade, para o progresso das ciências sagradas, e para a defesa e honra da Igreja. Essa verdadeira liberdade dos filhos de Deus, que se atém fielmente à doutrina da Igrej a e acolhe e aproveita com gratidão, como dom de Deus, as conquistas da ciência profana, quando favorecida e confortada pela boa vontade de todos, é a condição e a fonte de todo o fruto verdadeiro e de todo o sólido progresso na ciência católica, como egregiamente adverte nosso predecessor de feliz memória, Leão XIII, onde diz: "Se não se salva a concórdia dos espíritos, e não se mantêm firmemente os princípios, não se podem esperar grandes progressos dos vários estudos que muitos façam nesta disciplina".34




34 Cart. Apost. Vigilantiae; Leão XIII, Acta 22, p. 237; Ench. Bibl. n.136.






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