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Pio XII
Divino afflante Spiritu

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  • PRIMEIRA PARTE - SOLICITUDE DE LEÃO XIII E SEUS SUCESSORES PELOS ESTUDOS BÍBLICOS
    • 1. Leão XIII
      • 1 - Doutrina sobre a inerrância bíblica
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PRIMEIRA PARTE - SOLICITUDE DE LEÃO XIII E SEUS SUCESSORES PELOS ESTUDOS BÍBLICOS

 

1. Leão XIII

 

1 - Doutrina sobre a inerrância bíblica

 

3. O primeiro e maior cuidado de Leão XIII foi expor a doutrina relativa à verdade dos Livros Sagrados e defendê-la dos ataques contrários. Por isso em graves termos declarou que não há erro absolutamente nenhum quando o hagiógrafo falando de coisas físicas "se atém ao que aparece aos sentidos" como escreveu o Angélico,5 exprimindo-se "ou de modo metafórico, ou segundo o modo comum de falar usado naqueles tempos e usado ainda hoje em muitos casos na conversação ordinária mesmo pelos maiores sábios." De fato "não era intenção dos escritores sagrados, ou melhor - são palavras de santo Agostinho6 do Espírito Santo que por eles falava, ensinar aos homens essas coisas - isto é, a íntima constituição do mundo visível - que nada importam para a salvação"7 Esse princípio "deverá aplicar-se às ciências afins, especialmente à história", isto é, refutando "de modo semelhante os sofismas dos adversários" e defendendo das suas objeções a verdade histórica da Sagrada Escritura.8 Nem pode ser taxado de erro o escritor sagrado, "se aos copistas escaparam algumas inexatidões na transcrição dos códices" ou "se é incerto o verdadeiro sentido de algum passo". Enfim é absolutamente vedado "coarctar a inspiração unicamente a algumas partes da Sagrada Escritura ou conceder que o próprio escritor sagrado errou", pois que a divina inspiração "de sua natureza não só exclui todo erro, mas exclui-o e repele-o com a mesma necessidade com que Deus, suma verdade, não pode ser autor de nenhum erro. Esta é a fé antiga e constante da Igreja".9

4. Esta doutrina, pois, que nosso predecessor Leão XIII com tanta gravidade expôs, propo-mo-la nós também com nossa autoridade e a inculcamos, para que seja de todos escrupulosamente professada. E ademais ordenamos que, com não menor empenho, se sigam também hoje os conselhos e incitamentos que ele, como pedia o seu tempo, sabiamente acrescentou. Com efeito, vendo surgir novas e não leves dificuldades e problemas, quer dos preconceitos do racionalismo então em voga, quer principalmente dos numerosos monumentos da antiguidade descobertos e estudados no Oriente, o mesmo nosso predecessor; movido do zelo do seu múnus apostólico e ansioso não só de tornar uma tão importante fonte da revelação católica mais segura e largamente acessível para utilidade da grei do Senhor, mas também de a preservar de todo e qualquer inquinamento, manifestou vivo desejo de que "muitos compreendessem e constantemente sustentassem a defesa das divinas Escrituras, e que especialmente aqueles que a divina graça chamou às sagradas ordens, com diligência cada vez maior se aplicassem, como é de razão, a lê-las, meditá-las e explicá-las".10




5 Cf. I, q. 70, art. l a 3.



6 De Gen. ad litt. 2, 9, 20; PL 34, col. 270s.; CSEL, 28(II, 2), p. 46.



7 Leão XIII, Acta 13, p. 357s; Ench. Bibl. n.106.



8 Cf. Bento XV, enc. Spiritus Paraclitus; AAS 12(1920), p. 396; Ench. Bibl. n. 471.



9 Leão XIII, Acta 13, p. 357s; Ench. Bibl. n.109s.



10 Cf. Leão XIII, Acta 13, p. 328; Ench. Bibl. n. 83.






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