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Pio XII
Ecclesiae fastos

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3 - O mosteiro de Fulda

 

17. Entre os numerosos mosteiros, que mandou edificar naquelas regiões, está sem dúvida em primeiro lugar o de Fulda, que foi para os povos como farol, que indica aos navios o caminho sobre as ondas do mar. De fato, constituiu uma espécie de nova cidade de Deus, na qual inúmeras gerações de monges aprenderam as ciências humanas e divinas, e se prepararam para os futuros combates pacíficos com a oração e contemplação; donde, como enxames de abelhas, depois de sugarem nos livros sagrados e profanos o mel da sabedoria, partiram para várias terras a levá-lo desinteressadamente aos outros. Não desconheceram nenhuma ciência ou arte liberal. Procuraram-se velhos códices, para serem fielmente copiados, iluminados com arte e comentados com rigor, de maneira que se pode afirmar sem erro que a ciência sagrada e profana, que hoje tanto honra a nação germânica, teve em Fulda o seu venerando berço.

18. Além disso partiram dessa casa inúmeros monges beneditinos, os quais - com a cruz e o arado, isto é, com a oração e o trabalho - levaram a luz do cristianismo e a cultura da civilização a terras ainda mergulhadas nas trevas. Com esse trabalho aturado e indefesso, as florestas - imensos domínios das feras, quase impenetráveis ao homem - tornaram-se férteis e transformaram-se em campos cultivados; e esses povos, ainda separados entre si e dados a costumes selvagens, formaram com o andar do tempo uma só nação, amansada pela brandura e força do evangelho, e muito notável pelas virtudes cristãs e cívicas.

19. Mais que tudo, porém, foi o mosteiro de Fulda casa de oração e contemplação; os monges, antes de se entregarem à difícil evangelização dos povos, procuravam alcançar grande santidade pela oração, penitência e trabalho. E o próprio Bonifácio, sempre que podia descansar um pouco das labutas apostólicas, era lá que preferia recolher-se, para dar têmpera e vigor ao espírito com meditações e oração prolongada. "É... lugar selvagem - assim escrevia ele ao nosso predecessor Zacarias de santa memória - no ermo duma vastíssima quietude, em meio dos povos confiados à nossa pregação. Ao construirmos o mosteiro, pusemos nele monges que vivem segundo a regra do patriarca s. Bento, em estrita observância, sem comerem carne nem beberem vinho ou cerveja, e sem terem criados, contentando-se com o trabalho das próprias mãos... Nesse lugar, com o consentimento de vossa santidade, tenho intenção de restabelecer, com um pouco de descanso, o corpo alquebrado pela velhice, e jazer depois da morte. Porque se sabe que habitam à volta daqui quatro povos, aos quais, ajudados com a graça de Deus, anunciamos a doutrina de Cristo; a eles, enquanto estiver vivo ou válido, poderei ser útil, com a vossa intercessão. Desejo de fato, por meio das vossas orações e com a graça de Deus, perseverar na comunhão com a Igreja Romana e no vosso serviço entre os povos germânicos, a que fui enviado, e obedecer à vossa ordem".10

20. Foi sobretudo no silêncio desse mosteiro que alcançou de Deus a força sobrenatural com que partia repleto de ânimo a travar novos combates; e com ela conseguiu trazer ao redil de Cristo tanta gente da Germânia ou fortalecê-la na fé já recebida, e não raro levá-la mesmo à perfeição da vida evangélica.




10 S. Bonifatii Epist. ed Tangl, Epist. 86, pp.193-194.






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