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| Pio XII Ecclesiae fastos IntraText CT - Texto |
30. Essas palavras não só mostram zelo pela difusão do reino de Jesus Cristo, zelo que ele fortificava com a contínua oração sua e alheia, mas realçam também a humildade cristã, e a total dedicação e união à Igreja apostólica romana. Esse intenso devotamento e união estreitíssima conservou ele cuidadosa e fervorosamente por toda a vida, sendo possível dizer que não foi outro o inabalável fundamento do seu trabalho apostólico.
31. Ainda que tenhamos já aludido às suas piedosas peregrinações ao sepulcro de são Pedro e à sé do vigário de Jesus Cristo, queremos agora falar delas mais extensamente para que fique bem claro o seu empenho de obediência e acatamento para com os nossos predecessores, e do mesmo modo brilhe o grande afeto que lhe tinham os romanos pontífices.
32. A primeira vez que veio a esta augusta cidade para receber do papa s. Gregório II o mandato de pregar a palavra divina, esse nosso predecessor, apenas o conheceu, logo lhe deu a aprovação e o louvou, escrevendo-lhe depois paternalmente estas palavras: "O religioso propósito que nos manifestaste, cheio de amor a Cristo, e as provas que nos foram dadas da tua sincera fé, exigem que nós te consideremos como colaborador na pregação da palavra divina, que por graça de Deus nos está entregue... Alegramo-nos com a tua fé e queremos ajudar-te naquilo que nos pediste...; por isso - em nome da indivisível Trindade, pela autoridade inconcussa do bem-aventurado Pedro, príncipe dos apóstolos, de cujo magistério participamos por (divina) vontade e cujas vezes fazemos nesta sagrada sé - investimos a tua modesta pessoa de missão religiosa e ordenamos que; na palavra da graça divina, proclames, com a persuasão da verdade, o reino de Deus através do nome de Cristo, Senhor e Deus nosso, a todos os povos dominados pelo erro da infidelidade, a que tu puderes chegar com a ajuda divina".33 Pelos seus grandes méritos, sendo sagrado bispo por são Gregório II, depois de lhe jurar obediência a ele e aos seus sucessores,34 fez esta solene declaração: "Eu professo integralmente a pureza da santa fé católica, e com a ajuda de Deus quero permanecer na unidade desta fé, na qual sem dúvida nenhuma está toda a salvação dos cristãos".35
33. Tais provas de obediência e deferência deu-as claramente não só a são Gregório II, mas também aos romanos pontífices seus sucessores, e repetiu-as claramente todas as vezes que se apresentou ocasião.36 Assim, por exemplo, escreveu a são Zacarias, apenas teve notícia da sua elevação ao pontificado: "...Não nos podia ser mais grata nem causar maior gozo a notícia que nos chegou e agradecemo-la ao céu de mãos erguidas - de ter Deus concedido a vossa clemente paternidade ser o supremo árbitro da lei canônica e governar a Sé Apostólica. Por isso, prostrados humildemente de joelhos aos vossos pés, vos pedimos insistentemente que - como fomos servo devoto e súdito fel do vosso predecessor por autoridade de são Pedro - assim mereçamos ser servo obediente à vossa piedade, em harmonia com o direito canônico. Eu não cesso nunca de convidar e de submeter à obediência da Sé Apostólica os que desejam manter-se na fé católica e na unidade da Igreja romana, e todos aqueles que nesta minha missão Deus me dá como ouvintes e discípulos".37
34. Nos últimos anos da sua vida, já velho e gasto pelas fadigas, assim escrevia devotamente a Estêvão III, logo depois de eleito sumo pontífice: "Do íntimo do meu espírito dirijo uma oração fervorosa à clemência de vossa santidade, para que mereça impetrar e obter a familiaridade e unidade com a santa Sé Apostólica, e prestando serviço como piedoso discípulo a vossa Sé Apostólica, eu possa continuar a ser vosso servo fiel e devoto, do mesmo modo como servi a Sé Apostólica no tempo dos vossos três predecessores".38
35. Com muita razão o santo padre Bento XV, de feliz memória, no décimo-segundo centenário da legação apostólica começada por esse glorioso mártir junto dos Germanos, escrevia aos bispos dessa nação: "Movido por tal fé sólida e inflamado de tanta piedade e caridade, manteve Bonifácio constantemente aquela fidelidade e união com a Sé Apostólica que tinha adquirido primeiro na pátria seguindo a vida monástica; que depois, ao iniciar o combate do seu apostolado, jurara solenemente em Roma sobre o túmulo do santo príncipe dos apóstolos; e que, finalmente, em meio das lutas, tinha proclamado como característica do seu apostolado a regra da missão recebida. Não só isso, mas a todos os que tinham conquistado para o evangelho, não cessou nunca de recomendá-la fervorosamente e de inculcá-la com tanta solicitude que a deixou quase como próprio testamento".39
36. Esse modo de proceder de são Bonifácio, no qual se vê claramente a fidelidade aos romanos pontífices, foi sempre seguido exatamente, como sabeis, veneráveis irmãos, por todos aqueles que tiveram presente que o príncipe dos apóstolos foi colocado pelo divino Redentor como pedra firme, sobre a qual se levanta todo o edifício da Igreja até ao fim dos séculos, e que recebeu "as chaves do reino dos céus, o poder de ligar e desligar".40 Os que rejeitam essa pedra, esforçam-se por construir fora dela, não fazem senão lançar sobre areia móvel os alicerces dum edifício oscilante; e os seus esforços, as suas obras e empresas, como todas as coisas humanas, não podem ser sólidas, nem duradouras, nem estáveis; mas, como ensina a história antiga e recente, mudam e transformam-se quase necessariamente com a diversidade de opiniões que se sucedem e as alternativas dos tempos.
37. Por isso julgamos muito oportuno que, sob a vossa guia, nesta celebração jubilar se ponha em plena luz a estreitíssima união deste mártir insigne com a Sé Apostólica, como também as suas grandes iniciativas. Isso não só confirmará a fé e a fidelidade dos que aceitam o magistério infalível do romano pontífice, mas não poderá deixar também de levar à profunda e salutar reflexão aqueles mesmos que por qualquer motivo estão separados dos sucessores de são Pedro. Assim, serão esses conduzidos, sob o impulso da graça, a entrarem ponderada e animosamente pelo caminho que felizmente os reconduza à unidade da Igreja. Esse é o nosso vivo desejo, isto pedimos ao Dador de todos os dons celestiais, que se realize finalmente o ardente voto de todos os bons, isto é, que todos sejam uma só coisa,41 e todos se encaminhem para um só redil e tenham um só pastor.42