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Pio XII
Evangelii praecones

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2. Perseguições

 

11. Esses progressos salutares da causa missionária são fruto não só de imensos trabalhos dos semeadores da palavra divina, mas também de muito sangue derrama do em generoso martírio. Não faltaram, nesses 25 anos, terríveis perseguições à Igreja nalgumas nações, em que ela se encontrava em seus primórdios; nem faltam hoje regiões do extremo Oriente purpureadas no sangue de mártires. Chegam-nos notícias de que não poucos fiéis, como também religiosas, missionários, sacerdotes indígenas e até alguns bispos - precisamente porque se mantiveram e se mantêm heroicamente constantes na própria - foram expulsos de suas casas e privados de seus bens. Uns andam passando fome no exílio, outros estão encerrados em prisões ou em campos de concentração, outros ainda foram cruelmente trucidados

12. Enche-se de indizível tristeza o nosso coração, ao pensarmos nas angústias, nos sofrimentos e na morte desses queridíssimos filhos. Acompanhamo-los não só com paternal amor, mas com paterna veneração, pois sabemos que o altíssimo ofício de missionário é muitas vézes exaltado à dignidade do martírio. Jesus Cristo, o primeiro mártir, predisse: "Se me perseguiram, perseguir-vosão também a vós" (Jo 15,20), "sereis oprimidos neste mundo, mas tende confiança, eu venci o mundo" (Jo 16,33), "se o grão de trigo lançado à terra não morrer, ficará só; mas se morrer produzirá muito fruto" (Jo 12,24-25). 

13. Os arautos e pregoeiros da doutrina e moral cristãs, que longe dos lares pátrios tombam feridos de morte no desempenho do seu santíssimo ministério, são como sementes, das quais, a um sinal de Deus, hão de germinar frutos abundantíssimos. Por isso s. Paulo afirmava: "Gloriamo-nos das tribulações" (Rm 5,3), e S. Cipriano, bispo mártir, consolava e exortava os cristãos do seu tempo com estas palavras: "O Senhor quis que nos alegrássemos e exultássemos nas perseguições, porque nas perseguições se concedem coroas de , se provam os soldados de Deus e se abrem aos mártires as portas do céu. Não foi para pensar só na paz que demos o nosso nome à milícia de Deus, nem para afastar e rejeitar a luta, uma vez que o Senhor foi o primeiro a exercitar-se nela, como mestre de humildade, paciência e sofrimento, cumprindo ele primeiro o que nos ensinava, e sofrendo primeiro o que nos exortava a sofrermos".5

14. Também os semeadores do evangelho, que hoje se afadigam em plagas longínquas, propugnam a mesma causa, que se propugnava na primitiva Igreja. Encontram-se quase nas mesmas condições em que se encontravam em Roma os que - juntamente com os príncipes dos apóstolos, Pedro e Paulo - introduziram o evangelho na cidadela do império romano. Quem quer que reflita que a Igreja naqueles primórdios estava desprovida de qualquer poderio humano e era ademais oprimida de calamidades e perseguições não pode deixar de admirar como um punhado inerme de cristãos conseguiu vencer o maior poder que porventura houve na terra. O que então aconteceu, sucederá também agora. Como o jovem Davi, confiado mais no auxílio divino do que na sua funda, prostrou o gigante Golias envolto na armadura de ferro, assim a Igreja instituída por Jesus Cristo não poderá nunca ser vencida por qualquer poder da terra, mas há de superar impávida todas as perseguições. Sabemos que esta força inquebrantável tem sua origem na indefectível promessa divina; não podemos porém deixar de manifestar nosso agradecimento a todos aqueles que muito destemidamente testemunharam a em Jesus Cristo e na sua Igreja, coluna e fundamento da verdade (cf. 1Tm 3,5), e exortamo-los a que se mantenham firmes no caminho tomado

15. De tal fortaleza e intrepidez recebemos freqüentes notícias, que nos confortam imensamente. Se não faltou quem, sob pretexto de amor e fidelidade à própria pátria, pretendesse separar desta cidade eterna e desta Apostólica os filhos da Igreja católica, bem puderam e podem eles responder que a ninguém cedem no amor à pátria, mas que exigem se lhes respeite lealmente o direito a uma liberdade justa




5 S. Cipriano, Epist. 56, PL 4, 351A.






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