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| Pio XII Evangelii praecones IntraText CT - Texto |
25. É evidente que a Igreja não se pode estabelecer convenientemente nas novas regiões, sem organização adequada e principalmente sem clero indígena a altura das necessidades locais. Apraz-nos repetir aqui os ponderados e sábios ensinamentos da encíclica "Rerum Ecclesiae": "...Se cada um de vós deve procurar obter o maior número de sacerdotes indígenas, deve também procurar formá-los na santidade requerida pela vida sacerdotal e naquele espírito apostólico cheio de zelo pela salvação dos próprios irmãos, que os torne prontos a dar a vida pelos membros da sua tribo e nação".11
26. "Suponhamos que, por motivo de guerra ou de outros acontecimentos políticos, em algum território de missão se substitua um governo por outro e se exija ou se decrete o afastamento dos missionários de determinado país; suponhamos - o que mais dificilmente acontecerá - que as populações nativas, atingindo maior grau de civilização e uma espécie de maioridade cultural, decidam, para tornar-se independentes, excluir do seu território os representantes, as tropas e os missionários das nações colonizadoras e que isso não se possa levar a efeito sem o recurso à violência. Que ruína desastrosa ameaçaria então a Igreja em tais regiões, se não se tivesse providenciado às necessidades dos convertidos, estendendo por todo o território uma como rede de sacerdotes nativos".12
27. Contemplando em não poucos países do extremo oriente a verificação dessas previsões do nosso imediato predecessor, entristecemo-nos profundamente. Onde existiam missões florescentíssimas e então alvejantes para a messe (cf. Jo 4,35) vivem-se hoje dias da maior angústia. Seja-nos permitido esperar que os povos da Coréia e da China, dotados de natural bondade e delicadeza e herdeiros do esplendor de civilizações muito antigas, se vejam livres quanto antes, não só de tempestuosos conflitos bélicos, mas também da doutrina funesta que nega os bens celestes para inculcar só os da terra. E oxalá estimem, como é justo, a caridade cristã e a virtude dos missionários estrangeiros e dos sacerdotes indígenas, que com os seus trabalhos e com o risco da própria vida pretendem apenas o verdadeiro bem do povo.
28. Damos a Deus imensas graças por haver em ambas as nações um clero nativo escolhido e já numeroso, esperança da Igreja, e por bastantes dioceses estarem já entregues a bispos do país. É glória dos missionários estrangeiros ter-se podido chegar a este resultado.
29. Mas, a esse propósito, julgamos útil notar um ponto, que nos parece não dever esquecer-se quando se entregam a bispos e sacerdotes naturais missões antes confiadas a clero de fora. O instituto religioso, cujos membros cultivaram com seus suores esse campo do Senhor, quando, por decreto do Conselho supremo da Propagação da Fé, entrega a outros obreiros a vinha já carregada de abundantes frutos, não deve por isso abandoná-lo completamente; mas fará coisa muito útil se continuar a ajudar o novo bispo, escolhido na própria nação. Como na maior parte das dioceses do mundo há religiosos que ajudam o Ordinário, assim também nas regiões de missões, ainda que esses religiosos sejam originários de outros países, não deixarão de combater o santo combate como tropas auxiliares e assim se realizará perfeitamente o que disse o divino Mestre junto do poço de Sicar: "O ceifeiro recebe o salário e recolhe o fruto para a vida eterna, para que o semeador se alegre juntamente com quem colhe" (Jo 4,36).