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| Pio XII Fulgens radiatur IntraText CT - Texto |
II. BENEMERÊNCIAS DE S. BENTO E DA SUA ORDEM PARA A IGREJA E A CIVILIZAÇÃO
20. Depois de passar o santo Patriarca desta vida, com trânsito feliz, a Ordem, que fundara, enformada e conduzida pelo exemplo sempre vivo de suas virtudes e encorajada pela sua intercessão paternal, longe de decair e esmorecer, expandiu-se, largamente, nos anos subseqüentes.
21. Qual tenha sido a ação poderosamente reconstrutiva dos monges, na idade média, quais os serviços por eles prestados nos séculos seguintes, todo historiador imparcial, que explore serenamente os fatos, o há de reconhecer. Efetivamente, os beneditinos, além de terem sido como salientamos já - quase os únicos que nessa época tenebrosa, ignorante e dissolvente, se deram ao trabalho de nos conservarem intactos os amarelecidos códices da literatura antiga, transcrevendo-os e comentando-os pacientemente, foram também eles, sobretudo, que pelo exercício das artes, das ciências e do magistério proporcionaram à cultura e ao ensino impulso notável. Assim como se pode dizer que a Igreja católica deve o brilhante desenvolvimento e firmeza dos seus três primeiros séculos ao sagrado sangue dos mártires e que foi devido à ciência e energia dos santos padres, que, no seguinte, conservou intacta do contágio demolidor das heresias a pureza imaculada de seus dogmas, podemos igualmente afirmar que, ao desmoronar-se o império romano e surgirem as invasões dos bárbaros, foi providencial a aparição da ordem beneditina e de seus florentíssimos mosteiros, destinados a indenizar a Igreja das perdas sofridas, pacificando pela pregação do evangelho os novos povos, harmonizando-os fraternalmente entre si num esforço reconstrutivo, enformando-os, enfim, daquele conjunto de virtudes que derivam dos preceitos do Salvador. À marcha das legiões romanas, que rolavam pelas vias consulares a fim de subjugarem ao império de Roma os povos distantes, sucedeu, com efeito, o exército pacífico dos monges, desprovidos de "forças materiais, mas armados do poder que vem de Deus" (2Cor 10,4), enviados pelo sumos pontífice a dilatar o reinado de Jesus Cristo até aos confins da terra, não com a espada, o pavor do saque, da carnificina, mas com a cruz e o arado, com o amor e a verdade.
22. Onde quer que chegasse este exército inerme de agricultores, de artistas, de teólogos, de sábios, de pregoeiros do Evangelho, marcava bem fundo o rastro das suas pisadas, em oficinas que se erguiam, alegres de arte e de trabalho, em relhas que se multiplicavam, desabrochando o seio das florestas na promessa verde dos campos, em novos grupos de povos civilizados, arrancados aos costumes da selva pelo exemplo e pregação dos monges. Apóstolos sem-conta calcorrearam, transbordantes de caridade divina, as regiões turbulentas e ignoradas da Europa, regando-as, generosamente, de suor e de sangue, levando às populações pacíficas a luz das verdades e da moral cristã. Podemos realmente dizer que Roma, engrandecida com a extensão de suas conquistas, levando as guerras de seu império à terra e ao mar, "menos deve à braveza dos soldados que a moderação da paz cristã".39 Com efeito, desde a Inglaterra, a França, a Holanda, a Alemanha, a Dinamarca, a Frísia, a Escandinávia, até a Hungria, nenhum povo há que se não orgulhe do apostolado dos monges, os não considere como glória nacional e ilustres iniciadores da sua cultura. Quantos bispos, saídos do claustro, não governaram sabiamente suas dioceses, ou já constituídas ou por eles criadas, fecundando-as com o seu labor! Quantos mestres, quantos doutores exímios, fundando escolas que ficaram célebres depois, iluminando os espíritos obscurecidos no erro e contribuindo para desenvolvimento e progresso da cultura religiosa e profana! Quantos varões santíssimos, finalmente, que, ingressando na ordem beneditina, se adestraram no exercício da perfeição evangélica e intensamente propagaram o reino de Jesus Cristo, com o exemplo e com admiráveis prodígios que operavam mediante a graça divina.
23. Muitos deles, como perfeitamente sabeis, veneráveis irmãos, ascenderam às honras do episcopado ou se imortalizaram com a tiara dos pontífices. Recordar aqui o nome de tantos apóstolos, bispos, santos e pontífices que a Igreja tem inscritos a letras de ouro em seus anais, seria excessivamente longo e, aliás, inútil, porque a vívida luz que os nimba, a incomparável importância que tiveram na história, bastam por si a patenteá-los.