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Pio XII
Haurietis aquas in gaudio

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2) Estima e bênção dos sumos pontífices 
ao culto do sagrado coração de Jesus

8. Quem não , veneráveis irmãos, quão alheias são essas opiniões do sentir dos nossos predecessores, que desta cátedra de verdade publicamente aprovaram o culto do sacratíssimo coração de Jesus? Quem ousará chamar inútil ou menos acomodada aos nossos tempos esta devoção que o nosso predecessor de imperecível memória Leão XIII chamou de "estimadíssima prática religiosa", e na qual viu um poderoso remédio para os próprios males que, nos nossos dias de maneira mais aguda e com mais extensão, afligem os indivíduos e a sociedade? "Esta devoção - dizia ele - que a todos recomendamos, a todos será de proveito". E acrescentava estes avisos e exortações que também se referem à devoção ao sagrado coração: "Daí a violência dos males que, há tempo, estão como que implantados entre nós, e que reclamam urgentemente busquemos a ajuda do único que tem poder para os afastar. E quem pode ser este senão Jesus Cristo, o unigênito de Deus? Pois nenhum outro nome foi dado aos homens sob o céu no qual devamos salvar-nos" (At 4,12). "Cumpre recorrer a ele, que é caminho, verdade e vida".1

9. Nem menos dignos de aprovação e adequado para fomentar a piedade cristã julgou-o o nosso imediato predecessor, de feliz memória, Pio XI, que, na sua encíclica "Miserentissimus Redemptor", escrevia: "Acaso não está contido nessa forma de devoção o compêndio de toda a religião, e mesmo a norma de vida mais perfeita, como quer que ele guie mais suavemente as almas para o profundo conhecimento de Cristo Senhor nosso, e com maior eficácia as mova a amá-lo mais apaixonadamente e a imitá-lo mais de perto?" 2 Nós, por nossa parte, com não menor agrado do que os nossos predecessores, aprovamos e aceitamos essa sublime verdade; e, quando fomos elevado ao sumo pontificado, ao contemplarmos o feliz e triunfal progresso do culto ao sagrado coração de Jesus entre o povo cristão, sentimos o nosso ânimo cheio de alegria e regozijamo-nos com os inúmeros frutos de salvação que ele havia produzido em toda a Igreja, sentimentos que tivemos a satisfação de exprimir logo na nossa primeira encíclica. 3 Através dos anos do nosso pontificado - cheios não só de calamidades e angústias, como também de inefáveis consolações -, esses frutos não diminuíram nem em número, nem em eficácia, nem em beleza, antes aumentaram. Com efeito, iniciativas múltiplas e muito acomodadas às necessidades dos nossos tempos surgiram para reacender este culto: referimo-nos às associações destinadas à cultura intelectual e à promoção da religião e da beneficência; às publicações de caráter histórico, ascético e místico encaminhadas a este mesmo fim; às piedosas práticas de reparação e, de modo especial, às manifestações de ardentíssima piedade que têm promovido o Apostolado da oração, a cujo zelo e atividade se deve o se haverem famílias, colégios, instituições, e mesmo algumas nações, consagrado ao sacratíssimo coração de Jesus; e não raras vezes, por ocasião dessas manifestações de culto, mediante cartas, discursos e mesmo radiomensagens temos expressado a nossa paternal complacência. 4

10. Portanto, ao vermos que tamanha abundância de águas, quer dizer, de dons celestiais do supremo amor, que têm brotado do sagrado coração do nosso Redentor, se derramam sobre incontáveis filhos da Igreja católica por obra e inspiração do Espírito Santo, não podemos, veneráveis irmãos, deixar de exortar-vos com ânimo paterno a que, juntamente conosco, tributeis louvores e profundas ações de graças ao dispensador de todos os bens, repetindo estas palavras do apóstolo das gentes: "Aquele que é poderoso para fazer, acima de toda medida, com incomparável excesso, mais do que pedimos ou pensamos, segundo o poder que desenvolve em nós a sua energia, a ele glória na Igreja e em Cristo Jesus por todas as gerações, nos séculos dos séculos. Amém" (Ef 3,20-21). Mas, depois de tributarmos as devidas graças ao Deus eterno, queremos por meio desta encíclica exortar-vos, a vós e a todos os amadíssimos alhos da Igreja, a uma mais atenta consideração dos princípios doutrinais contidos na Bíblia, nos santos padres, e nos teólogos; princípios nos quais, como em sólidos fundamentos, se apóia o culto do sacratíssimo coração de Jesus. Porque nós estamos plenamente persuadidos de que só quando à luz da divina revelação houvermos penetrado a fundo a natureza e a essência íntima deste culto, é que poderemos apreciar devidamente a sua incomparável excelência e a sua inexaurível fecundidade em toda sorte de graças celestiais, e destarte, meditando e contemplando piedosamente os inúmeros bens que ela produz, poderemos celebrar dignamente o primeiro centenário da festa do sacratíssimo coração de Jesus na Igreja universal.

11. Com o fim, pois, de oferecer à mente dos féis o alimento de salutares reflexões, com as quais possam eles mais facilmente compreender a natureza deste culto, tirando dele frutos mais abundantes, deter-nos-erros antes de tudo nas páginas do Antigo e do Novo Testamento que contêm a revelação e descrição da caridade infinita de Deus para com o gênero humano, caridade cuja sublime grandeza jamais poderemos esquadrinhar suficientemente; depois aduziremos o comentário que sobre ela nos deixaram os padres e doutores da Igreja; e, finalmente, procuraremos esclarecer a íntima conexão que existe entre a forma de devoção que se deve tributar ao coração do divino Redentor e o culto que os homens estão obrigados a render ao amor, que ele e as outras pessoas da Santíssima Trindade têm a todo gênero humano. Pois achamos que, uma vez considerados à luz da Sagrada Escritura e da tradição os elementos constitutivos desta nobilíssima devoção, aos cristãos será mais fácil chegarem-se "com gáudio às águas das fontes do Salvador" (Is 12,3); quer dizer, poderão eles apreciar melhor a singular importância que o culto ao coração sacratíssimo de Jesus adquiriu na liturgia da Igreja, na sua vida interna e externa, e também nas suas obras; e assim cada um poderá obter frutos espirituais que assinalarão uma salutar renovação nos seus costumes, segundo os desejos dos pastores do rebanho de Cristo.




1 Enc. Annum Sacrum., de 25 de maio de 1899; Acta Leonis, 19(1900), pp. 71, 77-78.



2 Enc. Miserentissimus Redemptor, de 8 de maio de 1928; AAS 20(1928), p.167.



3 Cf. Enc. Summi Pontificatus, de 20 de outubro de 1939; AAS 31(1939), p. 415.



4 Cf.AAS 32(1940), p. 276; 35(1943), p.170; 37(1945), pp. 263-264; 40(1948), p. 501; 41(1949), p. 331.






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