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Pio XII
Haurietis aquas in gaudio

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6) O culto ao coração sacratíssimo de Jesus
é o culto da pessoa do Verbo encarnado

42. Nada, portanto, proíbe que adoremos o coração sacratíssimo de Jesus Cristo, enquanto é participante, símbolo natural e sumamente expressivo daquele amor inexaurível em que ainda hoje o divino Redentor arde para com os homens. Mesmo quando já não está submetido às perturbações desta vida mortal, ainda então ele vive, palpita, e está unido de modo indissolúvel com a pessoa do Verbo divino, e, nela e por ela, com a sua divina vontade. Superabundando o coração do Cristo de amor divino e humano, e sendo imensamente rico com os tesouros de todas as graças que o nosso Redentor adquiriu com sua vida, seus padecimentos e sua morte, ele é, sem dúvida, uma fonte perene daquela caridade que o seu Espírito infunde em todos os membros do seu corpo místico.

43. Assim, pois, o coração do nosso Salvador reflete de certo modo a imagem da divina pessoa do Verbo, e, igualmente, das suas duas naturezas: humana e divina; e nele podemos considerar não só um símbolo, mas também como que um compêndio de todo o mistério da nossa redenção. Quando adoramos o coração de Jesus Cristo, nele e por ele adoramos tanto o amor incriado do Verbo divino como seu amor humano e os seus demais afetos e virtudes, já que um e outro amor moveu o nosso Redentor a imolar-se por nós e por toda a Igreja, sua esposa, segundo a sentença do Apóstolo: "Cristo amou a sua Igreja e sacrificou-se por ela para santificá-la, lavando-a no batismo de água com a palavra de vida, a fim de fazê-la comparecer perante si cheia de glória, sem mancha, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e imaculada" (Ef 5,25-27).

44. Assim como amou a Igreja, Cristo continua amando-a intensamente, com aquele tríplice amor de que falamos (cf. 1Jo 2,1); e esse amor é que o impele a fazer-se nosso advogado para nos obter do Pai graça e misericórdia, "estando sempre vivo para interceder por nós" (Hb 7,25). As preces que brotam do seu inesgotável amor, dirigidas ao Pai, não sofrem interrupção alguma. Como nos dias da sua carne" (Hb 5,7), também agora, que está triunfante no céu, ele suplica o Pai com não menor eficácia; e aquele que "amou tanto o mundo que deu seu Filho unigênito, afim de que todos os que nele crêem não pereçam, mas vivam vida eterna" (Jo 3,16). Ele mostra o seu coração vivo e como ferido e inflamado de um amor mais ardente do que quando, já exânime, o feriu a lança do soldado romano: "Por isto foi ferido (o teu coração), para que pela ferida visível víssemos a ferida invisível do amor".32

45. Por conseguinte, não pode haver dúvida alguma de que, ante as súplicas de tão grande advogado, e feitas com tão veemente amor, o Pai celestial, "que não perdoou seu próprio filho, mas o entregou por todos nós" (Rm 8, 32), por meio dele derramará incessantemente sobre todos os homens a abundância das suas graças divinas.

 




32 S. Boaventura, Opusc. X: Vitis mystica, c. III, n. 5: Opera Omnia, Ad Claras Aquas (Quaracchi), 1898, t. VIII, p. 164; cf, s. Tomás, Summa theol., III, q. 54, a. 4; ed. Leon., t. XI,1903, p. 513.






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