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| Congregação para a Doutrina da Fé Notificação sobre o livro "Jesus symbol of God" do p. R. Haight, S. J. IntraText CT - Texto |
II. A preexistência do Verbo
A orientação hermenêutica inicial conduz o Autor antes de tudo a não reconhecer no Novo Testamento a base para a doutrina da preexistência do Verbo, nem sequer no prólogo de João (cf. pp. 155-178), onde, na sua opinião, o Logos deveria ser compreendido em sentido meramente metafórico (cf. p. 177). Além disso, ele lê no pronunciamento do Concílio de Niceia apenas a intenção de afirmar "que nada menos que Deus era e está presente e actua em Jesus" (p. 284; cf. p. 438), considerando que o recurso ao termo "Logos" deveria ser simplesmente considerado como pressuposto2, e por isso não objecto de definição, e por fim não plausível na cultura pos-moderna (cf. p. 281; 485). O Concílio de Niceia, afirma o Autor, "usa as Escrituras de uma forma que hoje não é aceitável, isto é, como uma fonte de informações directamente representativa de factos ou dados objectivos, sobre a realidade transcendente" (p. 297). Por conseguinte, o dogma de Niceia não ensinaria que o Filho ou o Logos eternamente preexistente seria consubstancial ao Pai e por Ele gerado. O Autor propõe "uma cristologia da encarnação, na qual o ser humano criado ou a pessoa de Jesus de Nazaré é o símbolo concreto que exprime a presença na história de Deus como Logos" (p. 439).
Esta interpretação não está em conformidade com o dogma de Niceia, que afirma intencionalmente, também contra o horizonte cultural do tempo, a real preexistência do Filho/Logos do Pai, que se encarnou na história para a nossa salvação3.