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A Comissão Internacional de Educação Marista
Educação Marista

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COLETÂNEA DE TEXTOS HISTÓRICOS E SUBSÍDIOS *

1. Discípulos de Marcelino Champagnat.

13.1.1. Primeiro dia de Marcelino Champagnat na escola

A mãe e a tia, sem condições de ensiná-lo a ler senão imperfeitamente, enviaram-no a um professor para aperfeiçoar-lhe a leitura e ensinar-lhe a escrever. No primeiro dia, como era tímido e não ousava sair de seu lugar, o mestre o chamou junto a si para a leitura, mas outro aluno apresentou-se e postou-se à frente de Marcelino. O mestre, tomado de nervosismo, pensando talvez agradar ao jovem Marcelino, deu uma bofetada no rapaz que se adiantara e o mandou chorando para o fundo da sala. Tal atitude não era de molde a tranqüilizar o novo aluno, menos ainda levá-lo a curar sua timidez. Ele diria mais tarde que tremia todo e tinha mais vontade de chorar que de ler. Essa brutalidade revoltou-lhe o espírito de justiça. Pensou consigo: "Não volto à escola de um tal mestre; o tratamento injusto dado àquele menino prova o que posso esperar dele. Na primeira ocasião poderá tratar-me de igual maneira. Não me interessam, pois, nem suas lições e menos ainda seus castigos". De fato, apesar das instâncias dos pais, não quis mais voltar a estudar com aquele professor.

Vida, Edição do Bicentenário, p. 5

14.1.2. O chamado de Deus

A decisão assumida por Marcelino Champagnat de aprender o latim não era veleidade. Os pais, cientes dos fracos dotes do filho, tentaram dissuadi-lo, alegando as dificuldades que tivera na aprendizagem da leitura e a falta de gosto pelo estudo. Tudo o que disseram foi inútil. O rapaz perdeu o atrativo pelos trabalhos e pelo pequeno comércio, aos quais outrora se dedicara com tanto afinco...

Passou um ano na casa do tio, que lhe dispensou o máximo cuidado sem, no entanto, conseguir dele progressos sensíveis. Assim, no fim do ano achou que o sobrinho não devia entrar no seminário. "Seu filho teima em continuar os estudos, disse ele aos pais, mas não vale a pena deixá-lo prosseguir; é muito pouco dotado para obter resultados satisfatórios."

Marcelino, que durante o ano todo rezara e refletira, em nenhum momento se deixou abalar pelas palavras do tio, nem pelas ponderações dos pais. "Preparem meu enxoval, disse. Quero entrar no seminário; hei de vencer, pois Deus me chama." Como lhe apresentassem algumas dificuldades na aquisição de roupas, atalhou: "Não se preocupem com os gastos; tenho dinheiro para cobri-los". Efetivamente, todo o enxoval foi pago com o dinheirinho juntado.

Vida, Edição do Bicentenário, pp. 11-12

15.1.3. A Sociedade de Maria

Nesse tempo (1812-1815) foram lançados os primeiros alicerces da Sociedade de Maria. Alguns seminaristas, à frente dos quais se achavam Colin e Champagnat, se reuniam freqüentemente para animar-se na piedade e no exercício das virtudes sacerdotais. O zelo pela salvação das almas e a procura dos meios para consegui-la eram o assunto mais comum de seus encontros. Da comunicação recíproca dos sentimentos e dos projetos, surgiu a idéia da fundação de uma sociedade de padres...

A devoção especial desse grupo de elite para com a Santíssima Virgem levou-os a colocar a nova Sociedade sob o patrocínio da Mãe de Deus, denominado-a Sociedade de Maria... Além disso, ele mesmo quis participar do grupo, pôs-se à frente e, de tempos em tempos, reunia-os para dirigi-los e animá-los e com eles traçar os planos da nova associação. Numa dessas sessões, combinaram fazer juntos uma peregrinação a Fourvières, a fim de colocar aos pés de Maria o plano da nova associação...

Entretanto, no plano da nova agremiação, ninguém cogitara a necessidade de Irmãos para o ensino. Somente Champagnat acalentou o projeto dessa instituição e o realizou sozinho. Freqüentemente, repetia aos companheiros: "Precisamos de Irmãos; precisamos de Irmãos que ensinem o catecismo, ajudem os missionários e eduquem as crianças".

Vida, Edição do Bicentenário, pp. 27-28

16.1.4. Por que Irmãos?

Nascido no cantão de Saint Genest Malifaux (Loire), tive dificuldades enormes para aprender a ler e a escrever. Por isso, senti a urgente necessidade de fundar uma Sociedade que pudesse com poucos gastos proporcionar às zonas rurais o ensino que os Irmãos das Escolas Cristãs ministram nas cidades.

Champagnat, ao Senhor Antoine Nicolas Narcise Achille de Salvandy,

Ministro da Instrução Pública, Carta 159

17.1.6. A experiência "Montagne"

Chamado a confessar um jovem doente num povoado, (P. Champagnat) pôs-se imediatamente a caminho, conforme seu costume. Antes de ouvi-lo em confissão, fez-lhe uma série de perguntas para saber se tinha as disposições necessárias para receber os sacramentos; estremeceu ao verificar que ele ignorava os principais mistérios, não sabendo nem mesmo se Deus existia. Aflito por encontrar um rapaz de doze anos mergulhado em tão profunda ignorância, e temendo vê-lo morrer nessa situação, sentou-se ao lado do doente e começou a ensinar-lhe os principais mistérios e as verdades essenciais da salvação. Assim, levou duas horas para instruí-lo e confessá-lo. Não foi sem grandes dificuldades que conseguiu ensinar-lhe as coisas mais indispensáveis, pois o jovem se encontrava tão doente que mal entendia o que ele falava. Depois de o ter confessado e feito repetir, várias vezes, atos de amor a Deus e de contrição, a fim de dispô-lo a bem morrer, deixou-o para atender a outro doente, na casa vizinha.

Ao voltar, perguntou como estava o rapaz: "Morreu instantes após sua saída", responderam os pais, em lágrimas. Então, ficou muito alegre, por ter chegado a tempo, mas também temeroso, em razão do perigo em que estivera o jovem... Voltou todo compenetrado desses sentimentos, cismando: "Quantos outros meninos se encontram, todos os dias, na mesma situação, correndo o mesmo risco, por não haver ninguém que os instrua nas verdades da ". E então, o pensamento de fundar uma sociedade de Irmãos, destinados a prevenir tão sérias desgraças, ministrando às crianças a instrução cristã, perseguiu-o com tamanha insistência, que foi ter com João Maria Granjon e lhe comunicou todos os seus planos.

Vida, Edição do Centenário, pp. 56-57

18.1.7. Formou os jovens Irmãos em La Valla

O Padre Champagnat... desejava ardentemente que chegasse a hora de seus Irmãos poderem assumir uma escola. Entretanto, julgando-os ainda bastante despreparados, resolveu chamar um mestre de primeiras letras que, na sua opinião, era necessário para dupla finalidade: dar às crianças da paróquia a intrução primária, aperfeiçoar os Irmãos nos conhecimentosadquiridos e iniciá-los nos métodos de ensino...O professor viveu em comunidade com os Irmãos; na residência deles abriu a escola que logo se lotou de crianças. Os Irmãos ajudavam na instrução dos alunos. Observavam como ele fazia, imitavam-no e aprendiam seu método. No intervalo das aulas, recebiam orientações particulares sobre as diversas seções do ensino.

Vida, Edição do Bicentenário, pp. 68-69

19.1.8. Escolheram viver frugalmente

O Superior da Associação dos Irmãozinhos de Maria... tem a honra de expor a V. Exª o Seguinte: sendo a finalidade da Associação proporcionar aos municípios rurais o meio de ministrar, a baixo custo, os benefícios da instrução aos filhos de seus habitantes, reduziu ao mínimo o custo de cada Irmão professor. . .

Champagnat, ao Senhor Conde Antoine Nicolas de Salvandy,
Ministro da Instrução Pública, Carta 113

Os sacrifícios que houvemos por bem impor-nos para proporcionar de maneira menos dispendiosa o benefício da instrução à classe numerosa e tão prestimosa das populações rurais nos têm permitido viver , mas com parcimônia.

Champagnat, ao Senhor Antoine Nicolas de Salvandy,
Ministro da Instrução Pública,Carta 173

O montante... já é quantia bastante módica para cobrir os gastos necessários à manutenção de três Irmãos num município. Diminuí-la mais seria, a meu ver, já não digo subtrair-lhes o magro salário atribuído ao trabalho mais ingrato e mais penoso de um cidadão, mas seria até diminuir-lhes a comida, que já é pobre e nada rebuscada.

Champagnat, ao Senhor Alexandre Denis Delvaux de Peyné,
Prefeito de Bourg-Argental, Carta 8

20.1.9. Espírito Missionário

O Pe. Champagnat pediu ao Pe. Colin o favor de acompanhar os missionários para a Oceânia, a fim de consagrar à instrução e santificação dos infiéis seus derradeiros dias e as forças que lhe restavam. O Pe. Colin, sumamente edificado com seu zelo e dedicação, respondeu-lhe: "Você realizará maior bem aqui na França do que na Oceânia. Sua missão própria não é ir pessoalmente evangelizar os povos, mas preparar-lhes apóstolos zelosos e abnegados".

A obediência fez com que o bom Padre não insistisse. Sua humildade levou-o a pensar que não merecia tal favor. Mesmo resignando-se, não conseguia disfarçar o desejo.

(Nota: Com Dom Pompalier foram, em 24 de dezembro de 1836, os Padres Servant, Bataillon, Bret, Chanel e os Irmãos Marie-Nizier, Michel et Joseph-XavierChronologie Mariste)

Vida, Edição do Bicentenário, p. 192

21.1.11. Jovem empreendedor

Os pais gostavam deste espírito de ordem e poupança. Deram-lhe dois ou três cordeirinhos, permitindo-lhe vendê-los em seu proveito pessoal, quando crescidos. Criou-os, de fato, com muito carinho; negociou-os; comprou outros que também criou e revendeu, sempre com lucro. Assim, com esse pequeno comércio e a série de economias, em breve ajuntou a quantia de seiscentos francos. Era muito para um jovem de dezesseis anos! Se não se considerou rico, pelo menos acreditou que o seria no futuro. E planejou ampliar seu comércio. Um de seus manos se lhe associara. Combinaram fazer caixa comum e permanecer unidos toda a vida.

Vida, Edição do Bicentenário, p.7

22.1.12. Marcelino, construtor e restaurador

Os postulantes continuavam dormindo no celeiro. Querendo retirá-los de lá, o Pe. Champagnat trabalhou mais de oito dias no melhoramento do sótão da casa, para transformá-lo em dormitório. Com algumas tábuas rústicas montou pessoalmente as camas... Era evidente que a casa não podia comportar tanta gente. Urgia a construção de outra. Champagnat não teve dúvida em executá-la. Por falta de recursos, construiu-a pessoalmente, com a ajuda dos Irmãos. Nenhum operário estranho participou.

Vida, Edição do Bicentenário, p. 98

Se Deus nos abençoar, um dia viremos nos estabelecer aqui (LHermitage). Entretanto, antes de optar por este local, percorreu as regiões circunvizinhas em companhia de dois Irmãos de maior liderança, à procura de algo melhor...

"Esse doido do Champagnat, será que perdeu a cabeça ? Que é que pretende fazer? Onde arranjará dinheiro para custear essa obra?..." O Pe. Champagnat não ignorava o que pensavam e diziam dele publicamente; pouco o sensibilizavam, porém, os pareces dos homens e jamais tomou por norma de conduta os princípios da prudência humana. Assim, muito embora tivesse sobre os ombros o encargo de uma comunidade numerosa, uma dívida de quatro mil francos e nenhum dinheiro, unicamente com sua confiança em Deus, uma confiança sem limites, empreendeu sem temor a construção de uma casa muito vasta, com uma capela, e capaz de alojar cento e cinqüenta pessoas.

Vida, Edição do Bicentenário, pp. 116,118, 119

Estamos sempre consertando e construindo, e assim mesmo sempre apertados. Não deixamos em paz nem damos tréguas aos rochedos de lHermitage; cultivamos, plantamos vinhas, procuramos fertilizar o terreno todo.

Champagnat, ao Padre Jacques Fontbonne,
Missionário em Saint-Louis-USA,Carta 109

23.1.13. Por que fundou o Instituto

Elevado à dignidade sacerdotal em 1816, fui enviado a um município do cantão de Saint-Chamond (Loire). O que constatei com meus próprios olhos, nessa nova situação, com relação à educação dos jovens, me lembrou as dificuldades que, por falta de professores, eu mesmo experimentara na idade deles.

Champagnat, a Sua Majestade a Rainha Marie- Amélie, Carta 59

Uma boa educação é o meio mais seguro de obter bons elementos para a sociedade. Infelizmente, a maioria dos municípios rurais não tem essa vantagem: a insuficiência dos recursos municipais, a penúria dos habitantes não lhes permitem confiar a educação de seus filhos aos Irmãos das Escolas Cristãs, cujo mérito e capacidade são conhecidos de todo o mundo; daí a triste necessidade, ou de deixar que suas crianças estagnem numa ignorância funesta, ou (o que talvez seja mais pernicioso ainda) entregá-las a professores pouco capazes de formá-las na ciência e nas virtudes necessárias a bons cidadãos.

Para obviar esses inconvenientes, o senhor Champagnat, abaixo assinado, padre da diocese de Lião, vendo o zelo que o Rei e seu governo empregam em proporcionar a todas as classes da sociedade o grande benefício da instrução, propôs-se formar, perto da cidade de St. Chamond, uma associação de professores para o primário, sob o nome de IRMÃOZINHOS DE MARIA, e redigiu os estatutos seguintes, com o fim de obter uma autorização que possibilitasse aos membros dessa sociedade o meio de exercer sua importante e penosa função de maneira legal e por isso mais vantajosa.

Champagnat, a Sua Majestade, Louis-Philippe,
Rei da França, Carta 34

24.1.14. Marcelino ensinando às crianças

Freqüentemente reunia, no seu quarto, as crianças do lugarejo para ensinar-lhes o catecismo e as orações. Aos domingos, ajudava também os adultos, a quem fazia curta mas comovente instrução sobre os mistérios da e os deveres do cristão, a maneira de participarem com proveito da missa e dos ofícios litúrgicos.

Cf. Vida, Edição do Bicentenário, p. 42

25.1.15. Êxito de Marcelino como educador e pregador

Os catecismos do Pe. Champagnat, de atraentes, tornaram-se famosos na paróquia. Os adultos também quiseram tomar parte e, aos domingos, acorriam em grande número. Esses novos ouvintes obrigaram-no a alterar um pouco o estilo de suas instruções. Assim, depois de esclarecer o texto da lição do dia, mediante perguntas claras, simples e ao alcance das inteligências mais limitadas, tirava conclusões morais para a conduta e reflexões apropriadas para sensibilizar os corações e levá-los à prática da virtude. Fosse qual fosse o assunto da lição, sabia destacar o que convinha para cada classe social, estado e idade.

Vida, Edição do Bicentenário, p. 42

26.1.17. Inovações pedagógicas de Marcelino

Desnecessário é dizer-vos que, na elaboração e na redação desta obra, seguimos fielmente as instruções deixadas por nosso piedoso Fundador a respeito da educação da juventude. Procuramos, antes de tudo, imbuir-nos de seu espírito, revivê-lo e reproduzi-lo o mais fielmente possível, a fim de transmiti-lo e perpetuá-lo em nosso meio. Segundo nossa mais profunda convicção, nisso consistia o nosso primeiro dever e tarefa capitular.

Durante muitos anos, nosso bondoso Pai dedicava à nossa formação ao ensino os dois meses de férias que nos concedia; dedicava-os a preparar-nos para dar o catecismo e a inculcar-nos os princípios básicos da boa educação.

Aqueles que tiveram a dita de ouvi-lo hão de lembrar-se de que, nesse assunto, era meticuloso e detalhista, e deu-nos as lições em todos os ramos da educação da criança. O que não disse ele, por exemplo, a respeito da classe dos menores, que considerava a mais importante, e a respeito dos cuidados que os Irmãos incumbidos de tal classe devem ter para com as criancinhas que, por sua inocência, chamava-as de anjinhos? O que não disse ele sobre os meios a serem usados para dar-lhes a conhecer as primeiras verdades da religião, inspirar-lhes a piedade e a virtude, amenizar-lhes as dificuldades na aprendizagem da leitura? O espírito de Deus, de que estava repleto, e o grande amor pelas crianças revelaram-lhe as necessidades da idade infantil, os meios de satisfazê-las e os segredos para conquistar seus corações, orientá-las para o bem inspirar-lhes a piedade e formar-lhes as faculdades da alma. É esse talento natural, de que era dotado em tão alto grau, embora ignorasse possuí-lo, e esse zelo ardente pela santificação dos meninos, de que estava animado e procurava transmitir a seus Irmãos, em suas instruções diárias, que tentamos apresentar aqui.

Cinco temas desenvolvidos nesta obra são especificamente dele:

) O método de Leitura.

) Os métodos disciplinares ou as qualidades e o espírito de uma boa disciplina.

) O método de dar o catecismo e de conquistar os meninos para Deus, tal como explicamos na segunda parte desta obra.

) O ensino do canto.

) As regras relativas à formação dos jovens Irmãos, e que apresentamos nos dois últimos capítulos da segunda parte.

Carta do Irmão Francisco, Superior Geral, ao apresentar a primeira edição do Guia das Escolas,1853, pp. 149-151, Em História do II Capítulo Geral, CEM, Belo Horizonte

27.1.18. Cuidado para com os seus seguidores

Meu caríssimo Irmão Barthélemy.

Não tenha dúvida: eu considero a todos vocês como meus queridos filhos em Jesus e Maria, e vocês me chamam com o carinhoso nome de pai; por isso trago a todos bem no fundo de meu coração.

Fico muito sensibilizado pelos votos de felicidade que você formulou para mim; não me esquecerei deles. Recomendarei a Deus, em minhas orações, aquele que formulou para mim tão belos votos.

Tomo parte deveras em todos os aborrecimentos que lhe podem causar os contratempos sofridos por seus colaboradores. Tome muito cuidado com sua saúde, a fim de que esteja em boas condições para cumprir seus pesados encargos. Todos os Padres e Irmãos vão bem de saúde. Transmitirei a eles seus votos de Feliz Ano Novo.

Ânimo, meu caro amigo, veja como seu trabalho é precioso diante de Deus. Grandes santos e homens notáveis se ufanavam por estarem desempenhando uma tarefa tão preciosa aos olhos de Deus e de Maria. "Deixai vir a mim as criancinhas, pois a elas pertence o céu."

Você tem em mãos o Sangue precioso de Jesus Cristo. Depois de Deus é a você que seus numerosos meninos ficarão devendo a salvação. Toda a vida deles será o eco daquilo que você lhes tiver ensinado. Esforce-se; não poupe nada para formar à virtude seus corações juvenis. Faça ver a eles que nunca serão felizes sem a prática da virtude, sem a piedade, sem o temor de Deus; que não há paz para o ímpio, somente Deus pode dar-lhes a felicidade, que só para Ele foram criados. Quanto bem você pode fazer, meu amigo!

Seus pais estão de boa saúde. Seu irmão, que servia o exército, faleceu em Paris, de uma terrível dor de cabeça. Reze por ele. Os pêsames não lhe servirão para nada, ele só precisa de suas orações.

Teria ainda muito a lhe dizer, espero que breve lhe poderei contar tudo de viva voz.

Deixo vocês dois nos Sagrados Corações de Jesus e de Maria. São lugares tão gostosos!

Tenho a honra de ser o pai afetuoso em Jesus e Maria.

Champagnat, Sup., N. D. de lErmitage, Carta 19

Meu caríssimo Irmão Barthélemy.

Prometo-lhe que, na próxima vez que for a Lião, irei visitá-lo. Coragem, meu caro amigo, basta que você, juntamente com seu colaborador, tenham a vontade de ministrar o ensino a bastantes meninos. Porém, se os não tivesse, sua recompensa seria a mesma. Não se perturbe por ter um reduzido número de alunos. Deus tem em sua mão os corações de todos os homens; há de lhe mandar muita gente, quando julgar bom. Basta que você, por infidelidade, não se oponha a seus desígnios.

Você se encontra onde Deus queria colocá-lo, pois está onde o mandaram seus superiores. Não duvido que Deus, através de uma abundância de graças, o recompensará.

Champagnat, Carta 24

28.1.19. O espírito de de Marcelino

O modo como o Pe. Champagnat praticava o exercício da presença de Deus consistia em crer, com viva e atual, na onipresença de Deus, plenificando o universo com sua infinitude, com as maravilhas de sua bondade, de sua misericórdia e de sua glória...

Tudo era motivo de se elevar até Deus e bendizê-lo. Conseqüentemente, em qualquer ocasião, sua alma se expandia em atos de amor e de ação de graças...

O sentimento da presença de Deus mantinha-lhe a alma em paz e tranqüilidade imperturbáveis. Era sua máxima: "nada devemos temer, quando estamos com Deus, e nada pode prejudicar a quem confia na Providência."

Vida, Edição do Bicentenário, pp. 297-298

29.1.20. Maria, nosso modelo e nossa Boa Mãe

A todas estas práticas instituídas na Congregação para honrar a Mãe do Senhor, o piedoso Fundador acrescenta mais duas coisas indispensáveis que, no seu entender, são o complemento das homenagens tributadas a Maria e o fruto da devoção para com ela. A primeira é a imitação de suas virtudes. Por isso, recomenda que os Irmãos assumam sobretudo o espírito de Maria e imitem-lhe a humildade, a modéstia, a pureza e o amor a Jesus Cristo. A vida pobre e oculta da divina Mãe e os exemplos sublimes que nos deu devem ser a norma de conduta dos Irmãos. Cada um deve esforçar-se de tal modo para assemelhar-se a ela, que tudo em sua ações e na sua pessoa relembre Maria, retrate o espírito e as virtudes de Maria. A segunda é que os Irmãos se considerem como particularmente obrigados a torná-la conhecida e amada, a propagar o seu culto e inspirar sua devoção às crianças.

Vida, Edição do Bicentenário, pp. 318-319

30.1.21. O Presépio, a Cruz e o Altar

Eu desejo que os Pequenos Irmãos de Maria sejam os assíduos de Jesus nascido, de Jesus morto e de Jesus imolado sobre o altar. Que sejam os assíduos de Jesus em todos os seus mistérios: sua vida, suas ações, seus sofrimentos; eis qual deve ser o grande e principal assunto de suas meditações...

Sabeis, queridos Irmãos, por que eu desejo que sejais os assíduos de Jesus no presépio, no calvário e no altar? Porque estes três lugares são as grandes fontes da graça e porque é de lá, sobretudo, que Jesus a derrama abundantemente sobre os eleitos...

Sim, Deus é amor sempre e em toda parte, mas o é particularmente no presépio, no calvário e no altar; quer dizer que é sobretudo nestes três lugares que ele abrasa de seu amor divino o coração dos santos; é nestes três lugares que nosso pobre coração pode compreender melhor e sentir o quanto ele nos ama...

Jesus veio trazer o fogo sobre a terra; ele o ateia de mil maneiras, mas estabeleceu três grandes lareiras onde vêm se abrasar os santos e todas as almas fervorosas... Ide às fontes do Salvador e saciai-vosabundantemente!

Avis, Leçons, Sentences, VI, 63-65

31.1.22. A compaixão de Marcelino pelos pobres

Um dia chamaram-no para um doente. Apressa-se em visitá-lo e encontra um infeliz coberto de chagas, na maior miséria, tendo apenas alguns trapos a cobrir-lhe a nudez e as úlceras. Profundamente movido de compaixão à vista de tantas dores e tanta miséria, dirige-lhe, primeiramente, palavras de conforto. Depois, corre para casa, chama o Irmão ecônomo e ordena-lhe que leve imediatamente colchão, lençóis e cobertores ao infeliz que acabava de visitar.

- Mas, Padre, não temos nenhum colchão sobrando.

- Como! Não encontra nenhum colchão na casa ?

- Não, nenhum. Deve lembrar-se que dei o último faz alguns dias.

- Pois bem! Retire o colchão da minha cama e leve-o agora mesmo ao pobre do homem.

Muitas vezes aconteceu-lhe despojar-se desta forma, para assistir os indigentes ou fornecer a seus Irmãos aquilo que lhes faltava.

Vida, Edição do Bicentenário, p. 476

32.1.23. Ver nota 1.17

33.1.24. Formação de Líderes

Durante os dois meses de férias, (Pe. Marcelino Champagnat) fazia muitas conferências aos Irmãos Diretores sobre o governo da casa, a administração dos bens materiais e a direção das aulas. Nessas conferências, discorria com riqueza de detalhes sobre as virtudes necessárias a um bom superior e os meios de as adquirir; as obrigações do professor e do diretor, e o modo de cumpri-las.

Nas conferências, o piedoso Fundador concedia a todos os Irmãos a liberdade de lhe apresentar seus problemas, submeter-lhe as dúvidas e tudo quanto os embaraçava nos pormenores de suas funções. Os Irmãos usavam amplamente essa liberdade, e cada um lhe trazia suas observações, lhe expunha seus sentimentos, seus escrúpulos a respeito de inumeráveis questões administrativas, direção das casas, ou o questionava sobre as opções mais conformes à Regra, ao espírito do Instituto, em tais ou tais circunstâncias, assim como a conduta a seguir numa infinidade de casos que o Diretor deve tratar e resolver.

Muitas vezes, admitia no seu conselho Irmãos de maior liderança, e quase nada resolvia sem antes consultá-los. Acreditava que iniciar os Irmãos nos assuntos do Instituto e consultá-los a respeito das normas que elaborava e do método de ensino a ser adotado seria um meio seguro de lhes formar o espírito, corrigir conceitos, desenvolver o discernimento, dar-lhes experiência, levá-los a julgar, a apreciar as coisas e tratá-las, depois, com inteligência e eficácia. Vez por outra, após ventilar em conselho os prós e contras de uma medida, encarregava um Irmão de executá-la ou complementá-la, deixando a seu critério o cuidado de fazer pelo melhor. Resolvida a questão, exigia prestação de contas de como fora realizada. Louvava e aprovava aquilo que julgava bom. Indicava as providências que deveriam ter sido tomadas para evitar dificuldades, vencer obstáculos, diminuir resistências, ou contentava-se em dizer que, por outro caminho, ele teria obtido melhor resultado.

Vida, Edição do Bicentenário, pp. 422-424

2. Irmãos e Leigos, juntos na Missão, na Igreja e no Mundo.

34.2.1. Marcelino Champagnat incentivava a quantos se interessavam pela educação cristã da juventude.

"Que nossa Boa Mãe abençoe todos os seus empreendimentos, abençoe sua pessoa e a conserve por longos anos à frente da boa obra que dirige."

Champagnat, ao Padre François Mazalier,
Superior dos Irmãos da Instrução Cristã, Carta 122

"Tendo o mesmo objetivo e trabalhando para o mesmo patrão, desejamos andar sempre unidos e agir no mesmo sentido."

Champagnat, ao Padre François Mazalier,
Superior dos Irmãos da Instrução Cristã, Carta 141

"Desejo, meus caros Irmãos, que essa caridade que vos deve unir todos juntos como membros do mesmo corpo se estenda também a todas as outras congregações. Ah! Eu vos peço, pela caridade sem limites de Jesus Cristo, não vos permitais nunca ter inveja de ninguém, sobretudo daqueles que o Bom Deus chama a trabalhar como vós, no estado religioso, na instrução da juventude. Sede os primeiros a vos alegrar por seus êxitos e a lastimar suas desgraças. Recomendai-os muitas vezes ao Bom Deus e a sua Divina Mãe; sem constrangimento; considerai-os melhores que vós. Não deis nunca atenção a conversas capazes de prejudicá-los. A glória de Deus e a honra de Maria sejam unicamente vosso objetivo e toda a vossa ambição."

Testamento Espiritual,
Vida, Edição do Bicentenário, pp. 223-224

35.2.4. Os educadores da criança

Os diversos educadores da criança são os pais, os sacerdotes e professores.

Os pais são os educadores naturais colocados pela Providência junto ao berço de cada criança. Eles possuem, com efeito, no mais alto grau, a afeição e a autoridade que são os dois fatores principais de toda a educação...

O sacerdote representa a Igreja que recebeu do divino Salvador a missão de educadora dos povos (Mt, 28,19-20)... Além de seu múnus de mestra, a Igreja tem o direito de controlar o ensino religioso e moral ministrado pela família e pela escola.

O professor, auxiliar e suplente dos pais e dos sacerdotes, ocupa, depois deles, o primeiro lugar na educação, pois sua influência se exerce metodicamente durante vários anos, justamente na época em que as crianças se deixam mais facilmente moldar por aqueles que com elas se relacionam.

Guide des Écoles (1932), pp. 194-195

 

36.2.6. A Igreja é Comunhão

A comunhão com Jesus, donde promana a comunhão dos cristãos entre si, é condição absolutamente indispensável para dar fruto: " Sem Mim não podeis fazer nada" (Jo 15, 5)... A comunhão e a missão estão profundamente ligadas entre si, compenetram-se e integram-se mutuamente, ao ponto de a comunhão representar a fonte e, simultaneamente, o fruto da missão: a comunhão é missionária e a missão é para a comunhão.

Christifideles Laici, 32

Mas, então, quem é que tem a missão de evangelizar? O II Concílio do Vaticano respondeu claramente a esta pergunta: "Por mandato divino, incumbe à Igreja o dever de ir por todo o mundo e pregar o Evangelho a toda a criatura". E noutro texto o mesmo Concílio diz ainda: "Toda a Igreja é missionária, a obra da evangelização é um dever fundamental do Povo de Deus". Quando a Igreja anuncia o Reino de Deus e o edifica, insere-se a si própria no âmago do mundo, como sinal e instrumento desse Reino que já é e que já vem.

Evangelii Nuntiandi, 59

Toda a Igreja, portanto, é chamada para evangelizar; no seu grêmio, porém, existem diferentes tarefas evangelizadoras que hão de ser desempenhadas. Tal diversidade de serviços na unidade de mesma missão é que constitui a riqueza e a beleza da evangelização...

Evangelii Nuntiandi, 66

37.2.9. Todos os batizados são chamados para a missão

Os fiéis leigos, precisamente por serem membros da Igreja, têm por vocação e por missão anunciar o Evangelho: para essa obra foram habilitados e nela empenhados pelos sacramentos da iniciação cristã e pelos dons do Espírito Santo.

Christifideles Laici, 33

Escancarar a porta a Cristo, acolhê-lo no espaço da própria humanidade, não é, de modo algum, ameaça para o homem, mas, antes, é a única estrada a percorrer, se quisermos reconhecer o homem na sua verdade total e exaltá-lo nos seus valores.

A síntese vital que os fiéis leigos souberem fazer entre o Evangelho e os deveres quotidianos da vida será o testemunho mais maravilhoso e convincente de que não é o medo, mas a procura e a adesão a Cristo que são o fator determinante para que o homem viva e cresça, e para que se alcancem novas formas de viver mais conformes com a dignidade humana.

O homem é amado por Deus! Este é o mais simples e o mais comovente anúncio de que a Igreja é devedora ao homem. A palavra e a vida de cada cristão podem e devem fazer ecoar este anúncio: Deus ama-te, Cristo veio por ti, para ti Cristo é "Caminho, Verdade, Vida!" (Jo 14, 6)

Christifideles Laici, 34

O Vaticano II confirmou esta tradição, ilustrando o caráter missionário de todo o Povo de Deus, em particular o apostolado dos leigos, e sublinhando o contributo específico que eles são chamados a dar na atividade missionária. A necessidade de que todos os fiéis compartilhem tal responsabilidade não é apenas questão de eficácia apostólica, mas é um dever-direito, fundado sobre a dignidade batismal, pelo qual "os fiéis leigos participam, por sua vez, no tríplice ministério - sacerdotal, profético e real - de Jesus Cristo ".

Redemptoris Missio, 71

"Transformemos em verdadeiros parceiros todos os que desejam participar de nossa Espiritualidade e Missão. Corramos o risco de perder alguma forma de poder, para viver a audácia de uma franca colaboração com os leigos. Não porque somos poucos, mas por reconhecermos a vocação e a missão própria dos batizados."

XIX Capítulo Geral, Mensagem, 19

38.2.10. A Igreja e os membros de outras confissões religiosas

Em nossa época, quando o gênero humano dia a dia se une mais estreitamente e se ampliam as relações entre os diversos povos, a Igreja considera mais atentamente qual deve ser a atitude para com as religiões não-cristãs... Todos os povos, com efeito, constituem uma só comunidade, têm uma origem comum, uma vez que Deus fez todo o gênero humano habitar a face da terra.

A Igreja Católica nada rejeita do que há de verdadeiro e santo nestas religiões... Exorta, por isso, os seus filhos a que, com prudência e amor, através do diálogo e da colaboração com os seguidores de outras religiões, testemunhando sempre a e a vida cristãs, reconheçam, mantenham e desenvolvam os bens espirituais e morais como também os valores sócio-culturais que entre elas se encontram.

A Igreja, por conseguinte, reprova toda e qualquer discriminação ou vexame contra os homens por causa de raça ou cor, classe ou religião, como algo incompatível com o espírito de Cristo.

Nostra Aetate, 1, 2, 5

Em um nível ulterior, o diálogo das obras e da colaboração se traduz por objetivos de caráter unitário, social, econômico e político que visam à libertação e promoção do homem... Cristãos e seguidores de outras religiões afrontam conjuntamente os problemas do mundo.

Secretariado para os não cristãos, Diálogo e Missão, 31

Os fiéis leigos, com o exemplo da sua vida e com a própria ação, podem favorecer o melhoramento das relações entre os adeptos das diferentes religiões...

Christifideles Laici, 35

39.2.12. Os Carismas

O Espírito Santo, ao confiar à Igreja-comunhão os diversos ministérios, enriquece-a com outros dons e impulsos especiais, chamados carismas... Os carismas, sejam extraordinários ou simples e humildes, são graças do Espírito Santo que têm, direta ou indiretamente, uma utilidade eclesial, ordenados como são à edificação da Igreja, ao bem dos homens e às necessidades do mundo... São dados ao indivíduo, mas também podem ser partilhados por outros e de tal modo perseveram no tempo como uma herança preciosa e viva, que gera uma afinidade espiritual entre as pessoas.

Christifideles Laici, 24

40.2.13. O carisma do Fundador

Guiado pelo Espírito, Marcelino Champagnat foi cativado pelo amor de Jesus e Maria para com ele e para com os outros. Tal vivência, como também sua abertura aos acontecimentos e às pessoas, está na origem de sua espiritualidade e de seu zelo apostólico. Ela o torna sensível às necessidades de seu tempo, especialmente à ignorância religiosa e às situações de pobreza da juventude.

Sua e o desejo de cumprir a vontade de Deus revelam-lhe sua missão: "Tornar Jesus Cristo conhecido e amado". Dizia muitas vezes: "Não posso ver uma criança, sem sentir o desejo de ensinar-lhe o catecismo, sem desejar fazer-lhe compreender quanto Jesus Cristo a ama".

Neste espírito, fundou nosso Instituto para a educação cristã dos jovens, particularmente os mais necessitados.

Constituições, 2

41.2.14. Expressar o Carisma em diversas situações e culturas

A atualidade do carisma de Marcelino Champagnat provoca nosso compromisso, pessoal e comunitário, para encarná-lo nas várias situações e culturas. Todos somos responsáveis por essa tarefa.

Constituições, 165

42.2.15. Tempo para uma nova relação entre Religiosos e Leigos

Um dos frutos da doutrina da Igreja como comunhão, nestes anos, foi a tomada de consciência de que os seus vários membros podem e devem unir as forças, numa atitude de colaboração e permuta de dons, para participar mais eficazmente na missão eclesial... Hoje, alguns Institutos, freqüentemente por imposição das novas situações, chegaram à convicção de que o seu carisma pode ser partilhado com os leigos. E, assim, estes são convidados a participar mais intensamente da espiritualidade e missão do próprio Instituto. Pode-se dizer que se iniciou um novo capítulo, rico de esperanças, na história das relações entre as pessoas consagradas e o laicado.

Vita Consecrata, 54

43.2.16. A vocação específica do Leigo

Os leigos, a quem a sua vocação específica coloca no meio do mundo e à frente de tarefas as mais variadas na ordem temporal, devem, também, eles, através disso mesmo, atuar de uma forma singular na evangelização.

A sua primeira e imediata tarefa é pôr em prática todas as possibilidades cristãs e evangélicas escondidas, mas já presentes e operantes, nas coisas do mundo. O campo próprio da sua atividade evangelizadora é o mesmo mundo vasto e complicado da política, da realidade social e da economia, como também o da cultura, das ciências e das artes, da vida internacional, dos "mass media" e, ainda, outras realidades abertas para a evangelização, como a educação das crianças e dos adolescentes, o trabalho profissional e o sofrimento.

Evangelii Nuntiandi, 70

Os fiéis leigos são chamados por Deus para que, aí, exercendo o seu próprio ofício, inspirados pelo espírito evangélico, concorram para a santificação do mundo, a partir de dentro, como o fermento... Todos, na Igreja, precisamente, porque são seus membros, recebem e, por conseguinte, partilham a comum vocação à santidade. A título pleno, sem diferença alguma dos outros membros da Igreja, a essa vocação são chamados os fiéis leigos...

Christifideles Laici, 15,16

Pode-se dizer, em síntese, que o educador católico é aquele que exerce a sua missão na Igreja, vivendo na a sua vocação secular dentro da estrututra comunitária da escola, com a melhor qualificação profissional possível e com um projeto apostólico, inspirado na , de formação integral do homem, compreendendo a transmissão da cultura, a prática de uma pedagogia de contato direto e pessoal com o aluno, a animação espiritual da comunidade educativa a que pertence e de todas as outras categorias de pessoas com as quais a comunidade educativa está relacionada. A ele, enquanto membro da comunidade, as famílias e a Igreja confiam a tarefa educativa na escola. O educador leigo deve estar profundamente convencido de que participa da missão santificadora e educadora da Igreja (24).

Os leigos católicos que trabalham na escola, quaisquer que sejam os seus encargos, educativos, diretivos, administrativos ou auxiliares, não podem duvidar de que constituem para a Igreja uma grande esperança. A Igreja deposita neles toda a sua confiança, no sentido de realizarem a integração progressiva das realidades temporais no evangelho, a fim de fazê-lo chegar a todos os homens. Confia especialmente em que saberão cumprir a sua tarefa na formação integral do homem e na educação da juventude para a (81).

O Leigo Católico, Testemunha da na Escola, 1982, pp.24 e 81,
da Sagrada Congregação para a Educação Católica.

44.2.17. A vocação específica do Irmão

Os Institutos que por determinação do Fundador ou em virtude de uma legítima tradição têm caráter e finalidade que não comportam o exercício da Ordem sacra, são chamados "Institutos laicais". Contudo, no Sínodo, foi observado que esta terminologia não exprime adequadamente a índole peculiar da vocação dos membros de tais Institutos religiosos. De fato, eles, apesar de desempenharem muitos serviços que são comuns também aos fiéis leigos, fazem-no com a sua identidade de consagrados, exprimindo assim o espírito de dom total a Cristo e à Igreja, segundo o seu carisma específico. Por esta razão, os Padres sinodais, a fim de se evitar toda ambigüidade e confusão com a índole secular dos fiéis leigos, julgaram bem propor a designação de "Institutos Religiosos de Irmãos". A proposta é significativa, sobretudo se se considera que a qualificação de irmãos evoca uma rica espiritualidade. "Estes religiosos são chamados a ser irmãos de Cristo, profundamente unidos a Ele, primogênito de muitos irmãos" (Rm 8,29); irmãos entre si, no amor recíproco e na cooperação para o mesmo serviço de bem-fazer na Igreja; irmãos de todos os homens, no testemunho da caridade de Cristo para com todos, especialmente os mais pequeninos, os mais necessitados; irmãos para uma maior fraternidade na Igreja."

Vita Consecrata, 60

45.2.19. Remuneração justa

Os Irmãos encarregados de administrar os bens do Instituto zelam para que todos os nossos auxiliares recebam salário de acordo com as leis do país e para que se beneficiem das vantagens sociais, de acordo com a justiça.

Constituições, 156.1

As Organizações profissionais que se propõem a proteger os interesses de quantos trabalham no campo educativo devem ser também consideradas no quadro da missão específica da escola católica. Os direitos das pessoas que nela trabalham devem ser salvaguardados com grande sentido de justiça. Encontra, aqui, aplicação especial o princípio enunciado pelo Concílio Vaticano II, quando se trata de condições sociais e morais ou de interesses materiais que permitam o desenvolvimento profissional: - «aprendam diligentemente os fiéis a distinguir entre os direitos e as obrigações que lhes correspondem enquanto membros da Igreja, e os que lhes competem como membros da sociedade civil. Procurem, com diligência, harmonizá-los, lembrando-se de que em toda ocupação temporal devem orientar-se sempre pela consciência cristã»... Por conseguinte, se eles, organizando-se em associações especificas, se propõem a salvaguardar os direitos dos educadores, dos pais e dos alunos, devem ter presente a missão específica da educação cristã da juventude.

A Escola Católica,1977, 79,
da Sagrada Congregação para Educação Católica

46.2.20. O direito e o dever dos pais em educar

Como recordou o Concílio Vaticano II: "Os pais, que transmitiram a vida aos filhos, têm uma gravíssima obrigação de educar a prole e, por isso, devem ser reconhecidos como seus primeiros e principais educadores. Esta função educativa é de tanto peso que, onde não existir, dificilmente poderá ser suprida. Com efeito, é dever dos pais criar um ambiente de tal modo animado pelo amor e pela piedade para com Deus e para com os homens que favoreça a completa educação pessoal e social dos filhos. A família é, portanto, a primeira escola das virtudes sociais de que as sociedades têm necessidade".

O direito-dever educativo dos pais qualifica-se como essencial, ligado como esta à transmissão da vida humana; como original e primário, em relação de amor que subsiste entre pais e filhos; como insubstituível e inalienável e, portanto, não delegável totalmente a outros ou por outros usurpável. (36)

Assim, a família dos batizados, unida como igreja doméstica pela Palavra e pelo Sacramento, torna-se, por sua vez, como a grande Igreja, mestra e mãe. (38)

Deve ser absolutamente assegurado o direito dos pais à escolha de uma educação conforme a sua religiosa... Portanto, todos os que na sociedade ocupam postos de direção escolar nunca esqueçam que os pais foram constituídos pelo próprio Deus como primeiros e principais educadores dos filhos, e que o seu direito é absolutamente inalienável. Mas, complementar ao direito, põe-se o grave dever dos pais de se empenharem com profundidade numa relação cordial e construtiva com os professores e os diretores das escolas. (40)

Familiaris Consortio, 36, 38, 40

47.2.21. Trabalhando com os pais

casos em que é conveniente ver os pais de certas crianças para uma ação de conjunto: é preciso sempre deixar antever aos pais que seus filhos dão muita esperança e que com um pouco de esforço e muito cuidado, agindo de acordo, se chegará a bem formá-los.

Règle, 1837, 5, 16

48.2.23. Co-responsabilidade e subsidiaridade

... Esta co-responsabilidade exprime-se conforme a diversidade das tarefas e desenvolve-se através das estruturas implantadas por nosso direito próprio.

Segundo o princípio de subsidiaridade, as atribuições de cada instância devem ser delimitadas e respeitadas. Os órgãos de governo tomam as decisões que são de sua competência, segundo as Constituições. A instância superiorintervém quando a situação o exige.

Constituições, 119

49.2.25. O Movimento Champagnat da Família Marista

E fácil indicar as principais linhas de força do Movimento Champagnat. Mesmo deixando de lado as diferenças de vocabulário, que podem ter origem nas diversas culturas, essas linhas mestras podem ser facilmente reconhecidas na vida dos diversos grupos e das pessoas mais achegadas ao trabalho dos Irmãos. Existe, por exemplo, o desejo manifesto

l de serem apóstolos de Jesus em seu meio, em seu estado de vida;

l de amarem e imitarem a santíssima Virgem;

l de se reunirem em pequenos grupos para partilhar a em Jesus Cristo e suas experiências na atividade apostólica;

l de testemunharem pelo seu estilo de vida, a espiritualidade de Marcelino Champagnat.

Ir. Charles Howard, Apresentação,
"O Movimento Champagnat da Familia Marista", Circulares, 1991, p. 365

3. Entre os jovens, especialmente os mais carentes

50.3.1. Os jovens que Champagnat desejava servir preferencialmente

Já que desejam consagrar-se à instrução das criançasfinalidade de sua vocação – o que eu aprovo totalmente, gostaria que vocês dedicassem os primeiros passos de seu zelo às crianças mais ignorantes e mais abandonadas. Assim, proponho-lhes ensinarem nas aldeias da paróquia.

Vida, Edição do Bicentenário, p. 69.

A instrução das crianças em geral e, em particular, dos pobres órfãos, é o objetivo de nosso Estabelecimento. Assim que terminarmos a casa de lHermitage e que pudermos utilizar uma boa captação de água para atender às necessidades da obra, receberemos as crianças das casas de caridade; ensinar-lhes-emos um ofício, dando-lhes educação cristã. As que mostrarem pendor para a virtude e a ciência serão aproveitadas na casa.

Prospectus, 1824 A

O objetivo da Congregação é também dirigir abrigos ou patronatos para a reabilitação de jovens com problemas ou expostos a perder os bons costumes.

Estatutos, 1828

Os Irmãos de Maria, que têm por objetivo principal a educação dos pobres, ensinarão a leitura, a escrita, o cálculo, os rudimentos da Gramática e sobretudo a prática da Religião. Suas escolas serão gratuitas e acordarão com os municípios os meios de lhes garantir uma existência honesta e pouco onerosa.

Artigo primeiro, Estatutos, 1830

51.3.2. Seguindo o exemplo do Fundador

A pobreza de coração do Padre Marcelino Champagnat revela-se sobretudo em sua confiança na Providência. A fundação de nosso Instituto é a prova, sempre atual, de que a permite todas as audácias.

Constituições, 33

Por fidelidade a Cristo e ao Fundador, amamos os pobres. Prediletos de Deus, eles atraem sobre nós os favores divinos e nos evangelizam.

Guiados pela voz da Igreja, de acordo com nossa vocação própria, nós nos solidarizamos com os pobres e suas causas justas. Reservamos-lhes nossa preferência, onde quer que estejamos e qualquer que seja nosso trabalho. Gostamos dos lugares e das casas que nos permitem partilhar a condição deles e aproveitamos das ocasiões de contato com a realidade de sua vida cotidiana.

A preocupação pelos pobres leva-nos a descobrir as causas de sua miséria e a libertar-nos de qualquer preconceito ou indiferença para com eles. Torna-nos mais responsáveis no uso dos bens que devemos partilhar com os mais necessitados.

Evitamos escandalizá-los com um teor de vida demasiado confortável.

Nossa missão de educadores junto aos jovens compromete-nos a trabalhar pela promoção da justiça.

Constituições, 34

A experiência ensina que a vitalidade de uma família religiosa está intimamente ligada à maneira como ela pratica a pobreza evangélica... Nossa preferência é para com os pobres, com os quais partilhamos nossa vida e nosso trabalho.

Constituições, 167

52.3.3. Os clamores dos jovens

Para nós, filhos de Champagnat, esses clamores tornaram-se "sinais dos tempos":

l O clamor sofrido de tantos pobres e marginalizados, de todo o mundo, deixados à beira do caminho;

l O clamor angustiado dos jovens desempregados, cujos talentos são menosprezados;

l O clamor silencioso dos rejeitados, dos sem-voz, sem liberdade, dos que padecem extrema solidão;

l O clamor desesperado de jovens que buscam o sentido de sua vida e procuram a felicidade em paraísos artificiais.

Clama ao céu a injustiça dessas estruturas geradoras de tanto sofrimento:

l O clamor de meninos e meninas de rua, abandonados, condenados a vida subumana;

l O clamor de crianças vítimas da fome e da guerra;

l O clamor de crianças desanimadas diante do fracasso escolar;

l O clamor de crianças de famílias mal-constituídas ou desfeitas;

l O clamor de crianças que sofrem violência sexual.

Por trás de cada um desses rostos sofridos, está o rosto de Jesus.

Por trás desses clamores, ressoa o grito de Jesus na cruz.

Mas há também gritos e sinais de esperança:

l dos que se comprometem em garantir os direitos humanos;

l de todos os que constroem a paz;

l dos que combatem a miséria;

l de todos os que trabalham por uma sociedade mais justa;

l dos que participam da missão de educar;

l de todos os que se empenham na salvaguarda da criação;

l de todos os que anunciam o Evangelho.

Nesses sinais de esperança germinam as sementes do reino de Deus e manifesta-se a presença do Espírito.

XIX Capítulo Geral, Mensagem, 5,6 e7

53.Sinais de Esperança

l A sede e a busca de Deus e do sentido da vida por parte dos jovens, embora, às vezes, através de manifestações equívocas.

l O desejo dos pobres e marginalizados de se tornarem protagonistas de sua libertação e desenvolvimento, particular-mente diante de estruturas opressivas.

l A luta dos cidadãos na implantação de estruturas democráticas em seu país, para conseguir que os direitos humanos e a liberdade sejam mais respeitados.

l A crescente sensibilidade pelos valores da cultura.

l A criação de associações não governamentais e de organizações populares para realmente socorrer as vítimas de catástrofes, guerras, fome e de outras necessidades.

l O trabalho dos jovens na implantação da justiça e o seu compromisso de promover a transformação social.

Depois do Vaticano II, a Igreja modificou sua imagem e tomou maior consciência de sua missão. Entre outros, destacamos três aspectos mais significativos:

l consciência de ser Povo de Deus;

l opção preferencial pelos pobres;

l visão do mundo, onde o Espírito está agindo.

Concretamente, apesar das múltiplas tensões, estão se produzindo modificações no funcionamento da Igreja e na abordagem de sua missão:

l diálogo com as outras religiões;

l respeito pelas outras culturas;

l papel e participação dos leigos, homens e mulheres;

l reconhecimento da subsidiaridade e do pluralismo;

l ênfase da dimensão comunitária.

XIX Capítulo Geral, Nossa Missão, 8-10

54.3.4. Como tratar com os alunos difíceis

João Batista fica órfão e vive um pouco como um selvagem. O Padre Champagnat, auxiliado por pessoas piedosas, vem em socorro da mãe moribunda, abandonada pelo marido numa pobreza extrema. Depois da morte da mãe, João Batista não conseguiu viver com as crianças da família caridosa, dos vizinhos que o acolheram. Então M. Champagnat o confia aos Irmãos. O Ir. João Batista, historiador de nosso Fundador, escreveu:

"Acostumado a viver na vadiagem e a seguir sem freio as más inclinações, não agüentou enquadrar-se em regulamentos de escola... Fugiu várias vezes, preferindo mendigar comida e viver vida de rua a submeter-se à disciplina escolar. Os Irmãos...desanimados... acabaram pedindo ao Pe. Champagnat que o abandonasse à própria sorte, ‘pois, disseram-lhe: estamos perdendo tempo com esse rapaz. Mais cedo ou mais tarde, seremos obrigados a mandá-lo embora’. M. Champagnat teve que exortar os Irmãos à paciência e à coragem durante longos meses. Finalmente, João Batista Bernemudou inteiramente, tornou-se calmo, dócil, ajuizado, parecia um anjo’. Depois da primeira Comunhão, solicitou admissão ao noviciado. Veio a ser Irmão piedoso, regular, obediente. Faleceu como um santo, na idade de vinte e um anos, nos braços do Padre Champagnat, cheio de gratidão pelo grande bem que lhe fizera."

Cadernos Maristas, 4, pp. 74-75, cf. Vida, Edição do Bicentenário, pp. 478-479

55.3.6. Audazes e determinados

Cremos que participamos da missão de Jesus, "enviado para anunciar a Boa Nova aos pobres". E porque hoje, mais do que ontem, aumenta o número de pobres e marginalizados a quem o Evangelho não é anunciado, sentimo-nos chamados a reviver "a experiência do jovem Montagne", por fidelidade a Cristo e ao Fundador; a despertar para a solidariedade e para a evangelização; esse é o melhor serviço que possamos prestar à humanidade.

XIX Capítulo Geral, Solidariedade, 10

Chegou o momento de assumir, coletivamente, de modo decidido e sem equívocos, o apelo evangélico à solidariedade.

XIX Capítulo Geral, Solidariedade, 20

Vamos aos jovens lá onde eles estão. Vamos com ousadia aos ambientes, talvez inexplorados, onde a espera de Cristo se revela na pobreza material e espiritual. Em nossos encontros, manifestamos-lhes atenção marcada pela humildade, simplicidade e esquecimento de si.

Apresentamos-lhes o Cristo, a Verdade que liberta, Ele que chama a cada um pelo nome. Ajudamos-los a descobrir sua vocação na Igreja e no mundo. Permanecemos disponíveis ao Espírito Santo que nos interpela através das realidades de suas vidas e que nos impulsiona a ações corajosas.

Constituições, 83

56.Discernir os apelos

A fidelidade à nossa missão exige atenção contínua aos sinais dos tempos, aos apelos da Igreja e às necessidades da juventude. Esta atenção facilita-nos a adaptação das estruturas e a tomada de decisões corajosas, por vezes, inéditas. A escolha de nossas opções apostólicas faz-se no discernimento comunitário e com a mediação dos Superiores.

Constituições, 168

57.3.7. Transformar nossas obras

As obras estão influindo enormemente em nossa vida, e isso é normal. Mas é importante que essa influência não nos domine, que não nos prive de liberdade evangélica. É preciso procurar como transformar nossas obras para que respondam ao que a Igreja e os jovens precisam, para que nos ajudem a ser verdadeiramente aquilo para o qual fomos chamados e pelo qual entregamos nossa vida: apóstolos de Jesus Cristo, discípulos de Champagnat.

Ir. Benito Arbués, "Caminhar em paz, mas depressa", Circulares, 1997, 31

58.3.8. Enfrentando alguns riscos

Tenhamos a audácia de abandonar certas seguranças para mais nos aproximarmos dos pequenos e dos pobres. Não receemos ir ao encontro de todos os que estão nas fronteiras da sociedade. Como catequistas, sejamos entusiastas anunciadores da Boa Nova.

XIX Capítulo Geral, Mensagem, 20

Nos tempos modernos, a atividade missionária desenvolveu-se sobretudo em regiões isoladas, longe dos centros civilizados e inacessíveis por dificuldades de comunicação, de língua e de clima. Hoje a imagem da missão ad gentes talvez esteja mudando: lugares privilegiados deveriam ser as grandes cidades, onde surgem novos costumes e modelos de vida, novas formas de cultura e comunicação que, depois, influem na população. É verdade que a "escolha dos menos afortunados" deve levar a não descuidar dos grupos humanos mais isolados e marginalizados, mas também é verdade que não é possível evangelizar as pessoas ou pequenos grupos, descuidando dos centros onde nascepode-se dizer — uma nova humanidade, com novos modelos de desenvolvimento. O futuro das jovens nações está se formando nas cidades.

Falando de futuro, não é possível esquecer os jovens que, em numerosos países, constituem mais da metade da população. Como proceder para que a mensagem de Cristo atinja esses jovens não-cristãos, que são o futuro de inteiros continentes? Evidentemente, já não bastam os meios tradicionais da pastoral: são necessárias associações e instituições, grupos e centros específicos, iniciativas culturais e sociais para os jovens...

Redemptoris Missio, 37 (b)

59.3.9. Sentido de urgência

importante criar novas presenças que sejam pontos de referência para recriar nossa vida em missão, segundo o carisma do Pe. Champagnat. A refundação do Instituto precisa dessas fundações que tornem visível e atual a intuição do Pe. Champagnat, sensível às necessidades de seu tempo, sobretudo diante da ignorância religiosa e das situações de pobreza da infância e da juventude (cf. Constituições 2). Sei que é difícil pensar nisso, quando se constata a limitação dos recursos humanos. É aí onde se estabelece a avaliação, creio eu, da fortaleza ou debilidade de nossa ."

Ir. Benito Arbués, "Caminhar em paz, mas depressa", Circulares, 1997, 31

Nosso pensamento se dirige às jovens gerações que se acham excluídas do âmbito escolar, aos 130 milhões de crianças e adolescentes impossibilitados de freqüentar a escola e aos 100 milhões, aproximadamente, que abandonam a escola antes de completarem sua educação (cf. UNESCO, Relatório da Comissão Internacional sobre a Educação para o século XXI, 1966). Esta realidade, junto à extrema pobreza das famílias, deveria levar-vos a investir corajosamente seu carisma educacional, nascido do ardor da caridade, em novas fundações onde as várias formas de pobreza são piores, e em respostas pedagógicas responsáveis e adeqüadas às novas exigências da formação integral da juventude.

Carta aos Superiores Gerais,
Da Sagrada Congregação para a Educação Católica, 1966, 11

O Capítulo pede ao Instituto que se comprometa prioritariamente com os mais pobres. Cada Província entrará num processo de discernimento. Depois implantará, nos próximos quatro anos, pelo menos um projeto significativo de presença marista junto às crianças e aos mais abandonados. Esse projeto será elaborado e realizado em colaboração com leigos.

XIX Capítulo Geral, Mensagem, 27

Cremos que a opção preferencial pelos pobres é um imperativo evangélico que nos compromete a trabalhar em nossa missão de educadores para a promoção da justiça e que nos torna corajosos, para irmos a lugares talvez inexplorados. E porque hoje, mais do que ontem, apesar dos progressos tecnológicos, o analfabetismo está aumentando, sentimo-nos chamados a enfatizar a solidariedade como princípio essencial de nossa educação e a colocar nossas instituições a serviço dos pobres.

Empenhar os responsáveis, em todos os níveis, a privilegiar os novos projetos destinados às crianças e aos jovens desfavorecidos.

Engajar todas as Unidades Administrativas à maior colaboração entre si, possibilitando maior mobilidade dos Irmãos, quando se trata de um projeto de solidariedade.

XIX Capítulo Geral, Solidariedade 9, 14, 15

4. Somos Semeadores da Boa Nova

60.4.1. A missão do Instituto

"O conhecimento de Nosso Senhor deve ser, pois, o objetivo de todos os catecismos . . . Quanto mais o tornarem conhecido e difundirem seu amor, mais diminuirão o reino do pecado, mais consolidarão o da virtude e mais garantirão a salvação de seus alunos." Em muitíssimas cartas, expressa as mesmas recomendações, incitando os Irmãos a recordarem continuamente aos alunos quanto Jesus Cristo os amou e, conseqüentemente, quanto eles têm obrigação de amá-lo.

Vida, Edição do Bicentenário, p. 312.

61.4.3. Educamos e evangelizamos

Efetivamente, não se pretende falar aqui do professor como de um profissional que se limita a transmitir na escola uma série de conhecimentos sistemáticos, mas, sim, do professor como educador, como formador de homens...

O Leigo Católico, Testemunha da na escola, 1982,16,
da Sagrada Congregação para a Educação Católica

62.4.4. Formação integral da pessoa humana e desenvolvimento social

Ao anunciar e ao acolher o Evangelho na força do Espírito, a Igreja torna-se comunidade evangelizada e evangelizadora e, precisamente por isso, faz-se serva dos homens. Nela, os fiéis leigos participam na missão de servir a pessoa e a sociedade...

Tendo recebido o encargo de manifestar ao mundo o mistério de Deus, que brilha em Jesus Cristo, ao mesmo tempo a Igreja descobre o homem ao homem, esclarece-o acerca do sentido da sua existência; abre-o à verdade total acerca dele e do seu destino. Nesta perspectiva, a Igreja é chamada, em virtude da sua própria missão evangelizadora, a servir o homem. Tal serviço tem a sua raiz primeiramente no fato prodigioso e empolgante de que, "com a encarnação, o Filho de Deus uniu-se de certa forma a todo o homem".

Por isso, o homem "é o primeiro caminho que a Igreja deve percorrer no desempenho da sua missão: ele é o caminho primeiro e fundamental da Igreja, caminho que imutavelmente passa através do mistério da Encarnação e da Redenção".

Christifideles Laici, 36

A formação integral do homem, como finalidade da educação, compreende o desenvolvimento de todas as faculdades humanas do educando, a sua preparação para a vida profissional, a formação do seu sentido ético e social, a sua abertura ao transcendente e a sua educação religiosa.

A vocação do educador católico comporta um esforço de contínua projeção social. Ele deve formar o homem para a sua inserção na sociedade, prepará-lo para assumir o compromisso de melhorar as estruturas da sociedade, conformando-as aos princípios evangélicos, e educá-los para realizar entre os homens uma convivência pacífica, fraterna e comunitária.

O Leigo Católico, Testemunha da na Escola, 1982,17,19
da Sagrada Congregação para a Educação Católica.

63.4.5. A missão evangelizadora da Igreja

Evangelizar, para a Igreja, é levar a Boa Nova a todas as parcelas da humanidade, em qualquer meio e latitude, e pelo seu influxo transformá-las a partir de dentro e tornar nova a própria humanidade... Para a Igreja, não se trata tanto de pregar o Evangelho a espaços geográficos cada vez mais vastos ou populações maiores em dimensões de massa, mas de chegar a atingir e como que a modificar pela força do Evangelho os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade, que se apresentem em contraste com a Palavra de Deus e com o desígnio da salvação.

Evangelii Nuntiandi, 18, 19

A Igreja aprendeu que sua missão evangelizadora possui como parte indispensável a ação pela justiça e as tarefas de promoção humana.

João Paulo II aos Bispos em seu Discurso Inaugural, Puebla, 1979

O diálogo inter-religioso faz parte da missão evangelizadora da Igreja.

Redemptoris Missio, 55

64.Conversão contínua de todos

Neste diálogo de salvação, os cristãos e os outros são chamados a colaborar com o Espírito do Senhor Ressuscitado, Espírito que está presente e opera universalmente...

Mediante o diálogo, os cristãos e os outros são convocados a aprofundar seu empenho religioso e a responder, com crescente sinceridade, ao apelo pessoal de Deus e ao dom gratuito...

O diálogo sincero supõe, por um lado, aceitar reciprocamente a existência das diferenças, ou também as contradições, e, pelo outro, respeitar a livre decisão que as pessoas tomam em conformidade com a própria consciência.

Diálogo e Anúncio, 1996, 40 e 41, do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso,

65.4.6. O Reino de Deus

O Reino de Deus destina-se a todos os homens, pois todos foram chamados a pertencer-lhe. Para sublinhar este aspecto, Jesus aproximou-se sobretudo daqueles que eram marginalizados pela sociedade, dando-lhes preferência, ao anunciar a Boa Nova... A libertação e a salvação, oferecidas pelo Reino de Deus, atingem a pessoa humana tanto nas suas dimensões físicas como espirituais. Dois gestos caracterizam a missão de Jesus: curar e perdoar.

O Reino pretende transformar as relações entre os homens, e realiza-se progressivamente à medida que estes aprendem a amar, perdoar, a servir-se mutuamente... Por isso, a natureza do Reino é a comunhão de todos os seres humanos entre si e com Deus.

O Reino diz respeito a todos: às pessoas, à sociedade, ao mundo inteiro. Trabalhar pelo Reino significa reconhecer e favorecer o dinamismo divino, que está presente na história humana e a transforma. Construir o Reino quer dizer trabalhar para a libertação do mal, sob todas as suas formas. Em resumo, o Reino de Deus é a manifestação e a atuação do Seu desígnio de salvação, em toda a sua plenitude.

É verdade que a realidade incipiente do Reino se pode encontrar também fora dos confins da Igreja, em toda a humanidade, na medida em que ela viva os "valores evangélicos " e se abra à ação do Espírito que sopra onde e como quer (cf. Jo 3, 8); mas é preciso acrescentar, logo a seguir, que esta dimensão temporal do Reino está incompleta, enquanto não se ordenar ao Reino de Cristo, presente na Igreja, em constante tensão para a plenitude escatológica... A Igreja é sacramento de salvação para toda a humanidade; a sua ação não se limita àqueles que aceitam a sua mensagem. Ela é força atuante no caminho da humanidade rumo ao Reino escatológico; é sinal e promotora dos valores evangélicos entre os homens.

Redemptoris Missio, 12-20

66.4.7. O desejo de Marcelino Champagnat de levar as crianças a Jesus

Nas viagens, entabulava conversas com as crianças e, bondosamente, perguntava se haviam feito a Primeira Comunhão e se acompanhavam o catecismo na igreja. Habilmente, indagava se conheciam os mistérios e as verdades essenciais da salvação. Mandava-as recitar ou lhes ensinava sem que percebessem. Dizia muitas vezes: "Não posso ver uma criança sem me dar vontade de ensinar-lhe o catecismo e fazer-lhe saber quanto Jesus Cristo a ama e quanto, por sua vez, deve amar o divino Salvador".

Vida, Edição do Bicentenário, pp. 459-460

67.4.8. Como apresentar Jesus Cristo

A evangelização há de conter também sempre - ao mesmo tempo, como base, centro e ápice do seu dinamismo - uma proclamação clara que, em Jesus Cristo, Filho de Deus feito homem, morto e ressuscitado, a salvação é oferecida a todos os homens, como dom da graça e da misericórdia do mesmo Deus.

Evangelii Nuntiandi, 27

Nosso serviço de evangelização visa formar verdadeiros discípulos de Jesus Cristo. Cumprimo-lo primordialmente pelo testemunho de nossa vida e pelos contatos nos quais exercemos nossa capacidade de escuta e de diálogo.

Damos preferência à catequese. Dedicamo-nos inteiramente a esse ministério, conforme nossas aptidões, confiantes na ajuda do Senhor e na proteção de Maria. Vemos, com particular interesse, os movimentos apostólicos de jovens, que constituem complemento à catequese.

Dados os laços profundos que existem entre a evangelização e a promoção humana, ajudamos os que passam necessidades e cooperamos com os construtores da justiça e da paz no mundo.

Constituições, 86

68.4.10. Jesus Cristo nos revela o que significa ser plenamente humano

Na realidade, o mistério do homem só se esclarece verdadeiramente no mistério do Verbo encarnado (Cristo); manifesta perfeitamente o homem ao próprio homem e descobre-lhe a sublimidade da sua vocação...e por isso mesmo esta natureza foi elevada, também em nós, a uma dignidade sem par. Com efeito, pela sua encarnação, o Filho de Deus uniu-se de alguma sorte a todo o homem. Trabalhou com mãos humanas, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascendo da Virgem Maria, tornou-se verdadeiramente um de nós, em tudo semelhante a nós, exceto no pecado.

Gaudium et Spes, 22

69.4.14. Apóstolos da juventude

Ao fundar o Instituto, o Pe. Champagnat não tencionava dar aos meninos apenas a instrução primária, nem apenas ensinar-lhes as verdades da , mas ainda dar-lhes a educação, com o sentido acima indicado. "Se fosse apenas para ensinar as ciências humanas aos jovens, não haveria necessidade de Irmãos; bastariam os demais professores. Se pretendêssemos ministrar somente a instrução religiosa, limitar-nos-íamos a ser simples catequistas, reuniríamos as crianças uma hora por dia, para transmitir-lhes as verdades cristãs. Nosso objetivo, contudo, é mais abrangente. Queremos educar as crianças, isto é, instruí-las sobre seus deveres, ensinar-lhes a praticá-los, infundir-lhes o espírito e os sentimentos do cristianismo, os hábitos religiosos, as virtudes do cristão e do bom cidadão."

Vida, Edição do Bicentenário, p. 498

Para o Irmão, o zelo é a pedra filosofal, alquimia que transforma em ouro tudo o que faz... O zelo em levar os meninos a Deus terá transmudado em ouro, isto é, em atos de virtude, as ações mais corriqueiras e tudo quanto fazem na aula. Que diferença entre o Irmão que leciona como apóstolo, animado de zelo, e outro, que leciona apenas como profissional.

Vida, Edição do Bicentenário, p. 508

O educador participa essencialmente naquilo que é mais nobre na paternidade divina...

A Igreja sempre considerou a educação como um apostolado e sacerdócio...

Avis, Leçons, Sentences (1927), pp. 420 e 421

70.4.15. Educação Integral

Educar uma criança não é ensinar-lhe a ler, escrever e iniciá-la nos diversos conhecimentos do ensino primário. Essas noções bastariam, se o homem fosse feito só para este mundo. Mas outro destino o aguarda. Ele existe para o céu, para Deus. É para atingir essa finalidade que há de ser educado. Educar uma criança é, pois, desvendar-lhe tão nobre e sublime destino e oferecer-lhe os meios para atingi-lo. Numa palavra, educar uma criança é fazer dela bom cristão e virtuoso cidadão.

Vida, Edição do Bicentenário, p. 498

71.4.16. Uma concepção cristã da pessoa humana do mundo

Toda Educação se inspira numa determinada concepção do homem. No mundo pluralista de hoje o educador católico é chamado a inspirar conscienciosamente a própria ação na concepção cristã do homem, em comunhão com o Magistério da Igreja. Esta concepção, incluindo a defesa dos direitos humanos, situa o homem na dignidade de filho de Deus, concede-lhe a mais completa liberdade, porque o considera libertado do pecado por Cristo, e lhe aponta o mais alto destino, que é a posse definitiva e total de Deus através do amor. Por outro lado, coloca-o na mais estreita relação de solidariedade com todos os homens, por meio do amor fraterno e da comunhão eclesial. Estimula-o à obtenção do mais alto progresso do gênero humano, pois afirma que ele foi constituído senhor do mundo pelo Criador. Apresenta-lhe finalmente como modelo e ideal o Filho de Deus, Cristo, o homem perfeito.

O Leigo Católico, Testemunha da na escola, 1982, 18

Educar uma criança

l é iluminar a sua inteligência;

l é corrigir suas más inclinações;

l é formar seu coração;

l é formar a sua consciência;

l é formá-la à piedade;

l é fazer-lhe amar a virtude e a religião;

l é formar a sua vontade… e ensinar-lhe a obedecer;

l é também e sobretudo formar seu juízo;

l é também formar e educar o seu caráter;

l é exercer sobre ela uma contínua vigilância;

l é inspirar-lhe o amor ao trabalho;

l é dar-lhe os conhecimentos que lhe serão necessários na sua posição e na sua condição;

l é também ocupar-se do seu desenvolvimento físico;

l é dar-lhe os meios para adquirir toda a perfeição do seu ser, e fazer dessa criança um homem completo.

Avis, Leçons, Sentences, 1927, XXXV, pp. 356-364

72.4.17. O educando, sujeito ativo de sua própria educação

Deus ocupa o primeiro lugar na educação, porque a criança para trabalhar pessoalmente em sua educação tem necessidade absoluta da ajuda de Deus. A piedade é a primeira coisa necessária à criança para trabalhar em sua educação...

A criança tem que trabalhar muito para dominar sua própria natureza. É possível ajudá-la, encorajá-la mas, em última análise, compete a ela desenraizar o mal, cultivar o bem, corrigir seus defeitos e desenvolver suas qualidades...

Avis, Leçons, Sentences, 1927, XLI, pp. 428-29

73.4.18. O respeito à consciência

Um dos pontos mais importantes na educação é conseguir que os meninos amem a religião e cumpram seus deveres por amor...

Para fazê-los amar a religião, é necessário (...) evitar o constrangimento a respeito da religião. A religião não se impõe pela força, mas penetra no coração como suave orvalho. O próprio Jesus Cristo nunca violentou a vontade humana: "Se quiserdes entrar na vida", disse ele, "observai os mandamentos de Deus." É extremamente importante compreender bem isto, pois a violência moral não torna os meninos virtuosos, mas hipócritas.

Guia das Escolas, 1853, pp. 225, 226-227,
Em História do II Capítulo Geral, CEM, Belo Horizonte.

74.4.19. Um estilo acolhedor

Ele (o mestre), portanto, como especialista acolhe os alunos com simpatia e caridade. Aceita-os como são. Explica que a dúvida e a indiferença são fenômenos comuns e compreensíveis. Depois, convida-os amigavelmente a procurar e a descobrir juntos a mensagem evangélica, fonte de alegria e serenidade. A personalidade e o prestígio do mestre ajudarão a preparar o terreno.

Dimensão Religiosa da Educação na Escola Católica,1988, 71

da Sagrada Congregação para a Educação Católica.

75.4.20. Liberdade e responsabilidade

No fundo da consciência, o homem descobre a existência de uma lei que ele não impôs a si mesmo, mas à qual deve obedecer e, cuja voz, convidando-o a amar e a fazer o bem e a evitar o mal, no momento oportuno, ressoa aos ouvidos do coração... Na verdade, o homem tem uma lei inscrita por Deus no seu coração... A consciência é o núcleo mais secreto do homem, o santuário onde está a sós com Deus, cuja voz ressoa no seu íntimo.

Gaudium et Spes, 16

É necessário fazer chegar o Evangelho da vida ao coração de todo o homem e mulher, e inseri-lo nas pregas mais íntimas do tecido da sociedade inteira. (80)

Para sermos verdadeiramente um povo a serviço da vida, temos de propor, com constância e coragem, estes conteúdos, desde o primeiro anúncio do Evangelho e, depois, na catequese e nas diversas formas de pregação, no diálogo pessoal e em toda a ação educativa... encontraremos valiosos pontos de encontro e diálogo também com os não-crentes, empenhados todos juntos a fazer despertar uma nova cultura da vida. (82)

Evangelium Vitae, 80-82

76.4.21. Diálogo de Vida

Ao diálogo, abre-se um vasto campo, podendo ele assumir múltiplas formas e expressões: (entre elas), o denominado "diálogo de vida", pelo qual os crentes das diversas religiões mutuamente testemunham, na existência cotidiana, os próprios valores humanos e espirituais, ajudando-se a vivê-los em ordem à edificação de uma sociedade mais justa e fraterna.

Redemptoris Missio, 57

77.4.22. Inculturação

O processo de inserção da Igreja nas culturas dos povos requer um tempo longo: é que não se trata de uma mera adaptação exterior, já que a inculturação "significa a íntima transformação dos valores culturais autênticos, pela sua integração no cristianismo e o enraizamento do cristianismo nas várias culturas". Trata-se, pois, de um processo profundo e globalizante que integra tanto a mensagem cristã como a reflexão e a práxis da Igreja.

A Igreja encarna o Evangelho nas diversas culturas e, simultaneamente, introduz os povos, com as suas culturas, na sua própria comunidade, transmitindo-lhes os seus próprios valores, assumindo o que de bom nelas existe, e renovando-as a partir de dentro.

Redemptoris Missio, 52,53

78.4.23. Evangelizar a cultura e as culturas do homem

Importa evangelizar... a partir sempre da pessoa e fazendo continuamente apelo para as relações das pessoas entre si e com Deus... A ruptura entre o Evangelho e a cultura é sem dúvida o drama da nossa época, como o foi também de outras épocas.

Evangelii Nuntiandi, 20

O serviço à pessoa e à sociedade humana exprime-se e se realiza através da criação e transmissão da cultura... A cultura deve ser considerada como o bem comum de cada povo, a expressão da sua dignidade, liberdade e criatividade; o testemunho do seu percurso histórico. Em particular, só dentro e através da cultura é que a cristã se torna histórica e criadora de história...

Perante o progresso de uma cultura que aparece divorciada não só da cristã mas até dos próprios valores humanos, bem como perante uma certa cultura científica e tecnológica incapaz de dar resposta à premente procura de verdade e de bem que arde no coração dos homens, a Igreja tem plena consciência da urgência pastoral de se dar à cultura uma atenção toda especial.

Por isso, a Igreja pede aos fiéis leigos que estejam presentes, em nome da coragem e da criatividade intelectual, nos lugares privilegiados da cultura, como são o mundo da escola e da universidade, os ambientes da investigação científica e técnica, os lugares da criação artística e da reflexão humanística. Tal presença tem como finalidade não só o reconhecimento e a eventual purificação dos elementos da cultura existente, criticamente avaliados, mas também a sua elevação, graças ao contributo das originais riquezas do Evangelho e da cristã.

Christifideles Laici, 44

79.Presença dos Religiosos no mundo da educação

Pela sua especial consagração, pela peculiar experiência dos dons do Espírito, pela escuta assídua da Palavra e o exercício do discernimento, pelo rico patrimônio de tradições educativas acumulado ao longo da história pelo próprio Instituto, pelo conhecimento profundo da verdade espiritual, as pessoas consagradas são capazes de desenvolver uma ação educativa particularmente eficaz, oferecendo uma contribuição específica para as iniciativas dos outros educadores e educadoras.

Dotadas deste carisma, elas podem dar vida a ambientes educativos permeados pelo espírito evangélico de liberdade e de caridade, onde os jovens sejam ajudados a crescer em humanidade, sob a guia do Espírito. Deste modo, a comunidade educativa torna-se experiência de comunhão e lugar de graça, onde o projeto pedagógico contribui para unir, numa síntese harmoniosa, o divino e o humano, o Evangelho e a cultura, a e a vida...

Vita Consecrata, 96

80.4.26. Os jovens, esperança da Igreja

Aos homens de nosso tempo, a todos vocês, caros jovens, que são sedentos e famintos da verdade, a Igreja se oferece como companheira de viagem. Ela lhes oferece a mensagem eterna do Evangelho e os encarrega de uma tarefa arrebatadora: serem os protagonistas da Nova Evangelização...

Como fiel guardiã e representativa da transmitida a ela por Cristo, a Igreja está aberta ao diálogo com a nova geração, a fim de responder a suas necessidades e expectativas, e a descobrir num diálogo franco e sincero o caminho mais apropriado para chegar à fonte da divina salvação...

A vocês, jovens, é confiada de modo especial a tarefa de se tornarem comunicadores de esperança e construtores da paz (cf. Mt 5,9) num mundo que está sempre carente de testemunhas fidedignas e de mensageiros consistentes. Vocês sabem como falar aos corações de seus contemporâneos que anseiam pela verdade e fidelidade, em constante, embora freqüentemente inconsciente, busca de Deus.

Mensagem de João Paulo II aos jovens, 1993, 4-5.

Os jovens não devem ser considerados simplesmente como o objeto da solicitude pastoral da Igreja: são de fato e devem ser encorajados a ser sujeitos ativos, protagonistas da evangelização e artífices da renovação social. A juventude é o tempo de uma descoberta particularmente intensa do próprio "eu" e do próprio "projeto de vida"; é o tempo de um crescimento que deve realizar-se "em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens" (Lc 2, 52). A Igreja tem tantas coisas para dizer aos jovens e os jovens têm tantas coisas a dizer à Igreja.

Christifideles Laici, 46

81.4.27. A presença de Deus nas tradições pessoais e religiosas fora da Igreja

Não é possível limitar-se aos dois mil anos decorridos desde o nascimento de Cristo. É necessário retroceder no tempo, abarcar toda a ação do Espírito Santo, mesmo antes de Cristo, desde o princípio, em todo o mundo e, especialmente, na economia da Antiga Aliança. Esta ação, de fato, em todos os lugares e em todos os tempos, ou antes, em cada homem, desenrolou-se segundo o eterno desígnio de salvação, no qual ela anda estreitamente unida ao mistério da Encarnação e da Redenção...

Também devemos alargar as nossas vistas para mais longe, "para o largo", conscientes de que "o vento sopra onde quer"... O Concílio Vaticano II... recorda-nos a ação do Espírito Santo, mesmo "fora" do corpo visível da Igreja.

Dominum et Vivificantem, 53

Deus atrai a si todos os povos, em Cristo, desejando comunicar-lhes a plenitude da sua revelação e do seu amor; Ele não deixa de se tornar presente, de tantos modos, quer aos indivíduos quer aos povos, através das suas riquezas espirituais, das quais a principal e essencial expressão são as religiões, mesmo se contêm também "lacunas, insuficiências e erros".

Redemptoris Missio, 55

82.4.28. Povos de todas as crenças rezam juntos

Toda oração autêntica acha-se sob a influência do Espírito Santo que intercede insistentemente por nós... porque não sabemos rezar como deveríamos, mas ele reza em nós com inexprimíveis gemidos e Aquele que sonda os corações sabe quais são os desejos do Espírito (cf. Rom 8,26-27). Nós podemos, de fato, afirmar que toda oração autêntica é suscitada pelo Espírito Santo que está misteriosamente presente no coração de toda pessoa.

Discurso de João Paulo II à Cúria Romana, após o Dia Mundial
de Oração pela Paz, em Assis Boletim, Secretariado pelos não-cristãos, 1989.11

83.4.29. A salvação para todos

O mistério da salvação atinge-os, por caminhos conhecidos por Deus, graças à ação invisível do Espírito de Cristo. É através da prática daquilo que é bom nas suas próprias tradições religiosas, e seguindo os ditames de sua consciência, que os membros de outras religiões respondem afirmativamente ao convite de Deus e recebem a salvação em Jesus Cristo, mesmo se não o conhecem como o seu salvador.

Diálogo e Anúncio, 1996, 40 e 41,
Do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso.

84.4.30. A construção da Unidade Cristã

Vê-se, de modo inequívoco, que o ecumenismo, o movimento a favor da unidade dos cristãos, não é só uma espécie de "apêndice", que se vem juntar à atividade tradicional da Igreja. Pelo contrário, pertence organicamente à sua vida e ação, devendo, por conseguinte, permeá-la no seu todo e ser como que o fruto de uma árvore que cresce sadia e viçosa até alcançar o seu pleno desenvolvimento.

O amor é a corrente mais profunda que vida e infunde vigor ao processo que leva à unidade. Este amor encontra a sua expressão mais acabada na oração em comum... A comunhão na oração induz a ver com olhos novos a Igreja e o cristianismo.

Ut Unum Sint, 20-22, 28

85.4.31. Um Deus, um Cristo, esforços convergentes

O diálogo é exigido pelo profundo respeito por tudo o que o Espírito, que sopra onde quer, operou em cada homem. Por ele, a Igreja pretende descobrir as "sementes do Verbo", os "fulgores daquela verdade que ilumina todos os homens" - sementes e fulgores que se abrigam nas pessoas e nas tradições religiosas da humanidade.

Redemptoris Missio, 56

86.Relacionamento da Igreja com os Mulçumanos

Mas o desígnio de salvação abrange igualmente aqueles que reconhecem o Criador, em particular os muçulmanos que, professando manter a de Abraão, adoram conosco um Deus único e misericordioso que há de julgar os homens no último dia.

Lumen Gentium, 16

87.4.32. Diversidade de situações religiosas

Olhando o mundo de hoje, do ponto de vista da evangelização, podemos distinguir três situações distintas:

Antes de mais nada, temos aquela a que se dirige a atividade missionária da Igreja: povos, grupos humanos, contextos sócio-culturais onde Cristo e o seu Evangelho não são conhecidos, onde faltam comunidades cristãs suficientemente amadurecidas para poderem encarnar a no próprio ambiente e anunciá-la a outros grupos. Esta é propriamente a missão ad gentes.

Aparecem, depois, as comunidades cristãs que possuem sólidas e adequadas estruturas eclesiais, são fermento de e de vida, irradiando o testemunho do Evangelho no seu ambiente, e sentindo o compromisso da missão universal. Nelas se desenvolve a atividade ou cuidado pastoral da Igreja.

Finalmente, existe a situação intermediária, especialmente nos países de antiga tradição cristã, mas, por vezes, também nas Igrejas mais jovens, onde grupos inteiros de batizados perderam o sentido vivo da , não se reconhecendo já como membros da Igreja e conduzindo uma vida distante de Cristo e do seu Evangelho. Neste caso, torna-se necessária uma "nova evangelização", ou " re-evangelização".

Redemptoris Missio, 33

88.4.33. As crianças e o Reino de Deus

1) A criança é a criatura visível mais nobre e mais perfeita; é o "maior milagre de Deus", segundo Santo Agostinho.

2) A criança é a imagem e a semelhança de Deus. Como Deus, ela é trindade; ela tem a vida, a inteligência, a razão e o amor; essas qualidades constituem a essência do seu ser. O ser torna-a semelhante ao Pai; a inteligência torna-a semelhante ao Filho; o amor torna-a semelhante ao Espírito Santo; semelhante ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, ela tem no seu ser, na sua inteligência e no seu amor uma mesma felicidade e uma mesma vida.

3) A criança é filha de Deus e filha do Altíssimo (Sl 81, 6). Sim, essa criança pode parecer-lhes muito pequena, muito fraca, muito frágil, e contudo ela não tem apenas o nome de filha de Deus, ela o é realmente; ela o é, desde agora, sob essas pobres roupas que a cobrem.

4) A criança é a conquista e o preço do sangue do Deus Salvador; é membro e irmão de Jesus Cristo; é o templo do Espírito Santo, e o alvo dos favores de Deus.

5) A criança é a esperança do céu, é o amigo e o irmão dos Anjos e dos Santos. É o herdeiro do Reino celeste e das palmas eternas.

6) A criança é o que há de mais amável e de mais belo sobre a terra; é a flor e o ornamento do gênero humano, diz São Macário.

7) A criança é o seu irmão, o seu semelhante, os ossos dos seus ossos, um outro como vocês.

8) A criança é o campo que Deus lhes deu para cultivar; é um tenro rebento, uma planta frágil, mas que um dia será uma grande árvore produzindo frutos de virtudes, e projetando ao longe sua sombra gloriosa.

9) A criança é um riacho fraco, uma nascente que apenas brota, mas que se tornará, talvez, um rio majestoso, se vocês souberem orientar, com cuidado, as suas águas dóceis, tal como faz o hábil cuidador das fontes, de que falam os Santos Livros, e se nunca permitirem que águas estranhas, impuras ou amargas venham perturbar o seu curso.

10) A criança é o objeto de seu trabalho, causa de tantas fadigas, mas que lhes permite exercer a virtude. A criança será a sua consolação à hora da morte, sua defesa quando forem julgados por Deus, sua coroa e glória no céu.

11) A criança é a bênção de Deus, é a esperança da terra, da qual já é a riqueza e o tesouro, da qual será um dia a força e a glória.

12) A criança, numa palavra, é o gênero humano, é a humanidade inteira, é o homem, tão simplesmente: ela tem direito a ser respeitada totalmente e, por sua vez, ela deve respeitar totalmente os outros. Aqui está o que é a criança que vocês devem respeitar.

Avis,Leçons, Sentences, 1927, XXXVIII, pp. 386-390

89.4.35. Sob a inspiração do Espírito Santo

Pode-se dizer que o Espírito Santo é o agente principal da evangelização: é ele , efetivamente, que impele para anunciar o Evangelho, como é ele que no mais íntimo das consciências leva a aceitar a Palavra da salvação. Mas pode-se dizer igualmente que ele é o termo da evangelização : de fato, somente ele suscita a nova criação, a humanidade nova... Através dele, do Espírito Santo, o Evangelho penetra no coração do mundo, porque é ele que faz discernir os sinais dos tempos - os sinais de Deus - que a evangelização descobre e valoriza no interior da história.

Evangelii Nuntiandi, 75

90.4.36. Renovar a face da Terra

O Espírito é também, na nossa época, o agente principal da nova evangelização. Será, por isso, importante redescobrir o Espírito como Aquele que constrói o Reino de Deus no curso da história e prepara a sua plena manifestação em Jesus Cristo, animando os homens no mais íntimo deles mesmos e fazendo germinar dentro da existência humana os gérmens da salvação definitiva que acontecerá no fim dos tempos.

Tertio Millenio Adveniente, 45

91.4.37. "Eu sustentei a Igreja nascente"

A Sociedade deve recomeçar uma nova Igreja. Não pretendo me servir desta expressão em seu sentido literal, pois seria um ato ímpio. Mas, em certo sentido, sim, devemos recomeçar uma nova Igreja. A Sociedade de Maria, como Igreja, começa com homens simples, pouco instruídos, depois se desenvolve e abarca tudo.

Pe. Colin, Origines Maristes, Tome 2, 632

92.4.38. Se o Senhor não construir a casa...

Não há virtude que o Pe. Champagnat tenha mais recomendado que a confiança em Deus. Comentou milhares de vezes os dois primeiros versículos do Salmo Nisi Dominus aedificaverit domum e seus comentários formariam volumes.

Vida, Edição do Bicentenário, p. 275

93.4.39. Confiança em Maria

"Senhora, o empreendimento é seu. A Senhora nos reuniu, mesmo contra as adversidades do mundo, para trabalharmos para a glória de seu Divino Filho. Se não vier em nosso auxílio, vamos acabar, minguando como lâmpada que não tem mais azeite. Agora, se o empreendimento acabar, o que estará acabando não será o nosso, mas o seu. Pois aqui na família foi a Senhora que fez tudo. Contamos com a Senhora, com seu auxílio poderoso, e estaremos sempre contando com ele."

Oração pelas Vocações, Vida, Edição do Bicentenário, p. 90

94.4.41. Valor da vocação de educador

"Meus caros Irmãos", dizia-nos em certa ocasião, "como é sublime a missão de vocês aos olhos de Deus! Ditosos vocês, os escolhidos para tão nobre função! Fazem o mesmo que Jesus fez na terra. Ensinam os mesmos mistérios, as mesmas verdades... Educar uma criança, isto é, instruí-la nas verdades da religião, formá-la à virtude e ensinar-lhe a amar a Deus, é função mais grandiosa e mais excelsa do que governar o mundo!

Vida, Edição do Bicentenário, pp. 463-464

95.O Educador, cooperador de Deus

"Paulo planta, Apolo rega", os pedagogos fazem o que podem; mas tanto o que planta quanto o que rega, não são nada. Só há um que conta, verdadeiramente, na educação do homem: quem o crescimento, isto é, quem faz crescer, fortalece, ilumina, soergue, e este é Deus...

O educador é apenas o colaborador de Deus na obra da educação; mas para ser bom colaborador, é evidente que é preciso estar muito unido a Ele e participar abundantemente de seu Espírito.

Avis, Leçons, Sentences, 1927, XLI, 427-428

96.A criança nos é confiada por Deus

No momento em que uma criança lhe é confiada, pense em Jesus Cristo dizendo-lhe, como a filha do Faraó, a respeito de Moisés que ela acabava de retirar das águas do Nilo: receba esta criança, eduque-a para mim e eu lhe darei uma recompensa. É o que tenho de mais precioso na terra; e eu lha confio...

Avis, Leçons, Sentences, 1927, XLI, 428

5. Com um estilo marista próprio

97.5.1. A Regra de Ouro para os educadores maristas

"Para bem educar as crianças é preciso amá-las e amá-las todas igualmente. Ora, amar as crianças é dedicar-se totalmente à sua instrução e empregar todos os recursos sugeridos por um zelo criativo para formá-las à virtude e à piedade."

Vida, Edição do Bicentenário, p. 501

98.Um Irmão deve amar muito o seu trabalho e as crianças

Para ter êxito na nobre missão de ensinar, o Irmão deve amar esse trabalho e amar as crianças. Nessa tarefa, deve colocar toda a sua capacidade, todo o seu espírito, todo o seu coração, toda a sua atividade, toda a sua vida no cumprimento do seu dever. Não deve se imiscuir com muitas coisas, para não dispersar sua atenção e sentir-se dividido. Todo o seu afeto e toda a sua solicitude de professor devem estar voltados para os seus alunos. Nada fará de bom:

l se cumprir sua missão como um simples trabalho, ou à maneira de um mercenário;

l se não amar o seu trabalho e os seus alunos;

l se não se devotar inteiramente a seu trabalho de educador.

A educação não é só a disciplina e ensino; ela não se faz à moda de um curso de boas maneiras nem mesmo de religião, mas através da relação contínua e diária entre os alunos e os seus professores, por avisos pessoais, pequenas observações, encorajamento, reprimendas e por quaisquer ensinamentos que ensejem essas relações continuadas.

Mas para cultivar as almas jovens, uma a uma, com a atenção contínua reclamada por suas necessidades e fraquezas, é preciso amar as crianças. Quando amamos as crianças, fazemos muito mais e melhor por elas, com menos fadiga e mais sucesso. E por que assim? Porque as palavras e as ações inspiradas por uma verdadeira afeição encerram em si uma força especial, penetrante, irresistível. Um professor que ama pode advertir e aconselhar; o amor que se sente em suas palavras dá-lhe mais força e mais graça; as crianças acolhem seus avisos como manifestação de sua amizade e seguem-nos com docilidade. Um professor que ama pode repreender e punir, porque, mesmo quando se mostra severo, não age por prevenção nem afetação; por isso, o aluno, ao invés de se aborrecer com o castigo que lhe é imposto, mostra-se sinceramente contrito por haver entristecido o professor que o ama.

Amem, pois, as suas crianças; combatam constantemente a indiferença, o cansaço, o desgosto que as suas faltas podem, facilmente, excitar os nervos. Não fechem os olhos aos seus defeitos, porque devem corrigi-los. Não fechem os olhos às suas faltas, porque, muitas vezes, devem ser punidas. Mas, ao não fecharem os olhos, não deixem de pensar também que as suas crianças têm qualidades dignas de ser amadas e que devem suscitar o seu interesse. Vejam a inocência que brilha na serenidade dos seus rostos, a ingenuidade das suas palavras, a sinceridade do seu arrependimento, mesmo que, às vezes, não dure muito, a franqueza de suas resoluções, ainda que rapidamente as esqueçam, a generosidade do seus esforços, ainda que raramente perseverantes. Vejam o bem que elas fazem, mesmo de maneira imperfeita, como também o mal que evitam cometer. Façam o que fizerem, continuem a amá-las, enquanto elas estão com vocês, porquanto é a única maneira de trabalhar, com resultado, para o seu aperfeiçoamento. Amem a todas igualmente. Que não haja nem rejeitados nem favorecidos; ou melhor, que todas se sintam objeto de sua dileção e privilegiadas, ao receberem o testemunho pessoal de sua afeição. Quem lhes confiou essas crianças? Deus e as suas famílias. Ora, Deus é o amor infinito para os homens, e quem os dirige em seu nome deve imitar a sua providência e prodigalizar o seu amor. Os pais e as mães também lhes confiaram suas crianças. Mas vocês sabem muito bem que o coração de um pai e de uma mãe é fonte inesgotável de amor. Amem, portanto, essas crianças, em nome de Deus e das famílias, e só então serão dignos e capazes de as educar.

Avis, Leçons, Sentences, 1927, pp. 431-433

99.5.3. Presença entre os jovens

Meu caro Irmão Barthélemy e seu caro colaborador:

Fiquei muito satisfeito de receber notícias suas. Fico satisfeito de saber que vocês estão de boa saúde. Sei também que estão com muitos alunos e que, portanto, terão muitas cópias de suas virtudes, pois é seguindo esses modelos que seus alunos se formam. De acordo com os exemplos que vocês derem é que eles vão pautar o comportamento deles.

Como é grande o trabalho que vocês fazem, como é sublime ! Vocês estão continuamente em companhia daqueles com os quais Jesus se comprazia, já que proibia expressamente a seus discípulos de impedir as crianças de se achegarem a Ele.

E você, meu caro amigo, não impede mas ainda faz de tudo para conduzi-las a Jesus. Ih! que bela recepção vai ter da parte do divino Mestre, Mestre generoso, que não deixa sequer um copo de água fresca sem recompensa.

Digam a seus meninos que Jesus e Maria gostam muito deles todos: dos que são bem comportados porque são parecidos com Jesus, que é o máximo de bem comportado; dos que ainda não são, porque vão ser. Digam que Nossa Senhora também gosta deles porque Ela é a Mãe de todos os meninos de nossas escolas. Digam mais: que eu também gosto deles todos, que nenhuma vez, ao subir ao altar (para rezar a Missa) deixo de me lembrar de vocês e de seus queridos meninos. Desejaria eu ter a felicidade de ensinar, de consagrar minhas atenções de maneira mais direta para formar essas criaturinhas delicadas.

Todos os demais estabelecimentos vão mais ou menos bem. Rezem por mim e por toda a casa.

Tenho a honra de me dizer seu pai muito dedicado, em Jesus e Maria.

Champagnat, Sup., Notre-Dame de LHermitage, Carta 14

O bom exemplo é a primeira lição que um Irmão deve dar aos seus alunos. É também a lição mais meritória para vocês e a mais eficaz para eles. É pelos olhos, mais do que pelos ouvidos, que a instrução penetra mais facilmente e se grava mais profundamente.

Avis, Leçons, Sentences, 1927, pp. 381-382

100.                    5.4. Estar junto aos jovens e a seu mundo

Vamos aos jovens lá onde eles estão. Vamos com ousadia aos ambientes, talvez inexplorados, onde a espera de Cristo se revela na pobreza material e espiritual.

Constituições, 83

101.                    5.5. A disciplina na tradição marista

102.                    Prevenir as faltas

Para que os castigos sejam proveitosos, devem ser usados com parcimônia e sempre com sabedoria...

O primeiro dever dos mestres, no que concerne à repressão, consiste em prevenir, pela vigilância e por um procedimento irrepreensível, as transgressões e as faltas; no mais das vezes, quando os meninos erram, culpa maior que a deles é imputada àqueles que os dirigem. Os principais meios a serem utilizados pelos mestres para prevenir as faltas são:

1) Observar o silêncio e fazê-lo observar rigorosamente;

2) Ter o espírito sereno e o semblante ao mesmo tempo sério e agradável. O que mais molesta aos meninos é ter um mestre volúvel, ora triste ora alegre, às vezes inflexível e intolerante, complacente com uns e intransigente com outros, ou que age segundo seu humor e caprichos.

3) Nunca perder de vista os meninos; mantê-los sempre ocupados; ser pontual para tudo fazer na hora marcada, pois não há nada melhor para contê-los ou fazê-los voltar mais rápida e seguramente ao dever do que a vigilância e a pontualidade.

4) Para dar-lhes algum aviso, quando necessário, ensinar-lhes as lições e censurar-lhes a conduta, os Irmãos devem fazê-lo com benevolência, firmeza e gentilmente, sem se permitirem, entretanto, repreendê-los quando estiverem irritados para não causar-lhes revolta e evitar de colocá-los junto a outras crianças que, por natureza, são irrequietas e incapazes de permanecerem quietas.

Guia das Escolas, 1853, p. 187,
em História do II Capítulo Geral, CEM, Belo Horizonte

103.                    Desenvolvendo a responsabilidade pessoal

A vigilância, embora previna muitas infrações, não as impede todas. O mestre deve, portanto, saber influir sobre a vontade da criança, servindo-se de um ou de diversos meios capazes de agir sobre essa vontade: apelo à razão e à consciência, louvável emulação, desejo de louvores e recompensas, receio das punições etc.

Guide des Écoles, 1932, p. 135.

104.                    Ingredientes para uma boa disciplina

A disciplina é absolutamente necessária numa escola, mas não é uma disciplina qualquer que é suficiente para educar a criança, formar sua vontade e firmá-la na prática do bem.

Para isso, a disciplina deve ser paternal, senão, em vez de melhorar a criança, a piora; avilta os que a sofrem e, mais ainda, os que a impõem. Ora, para ser paternal, a disciplina deve ter por companheiras a religião, a afeição, a indulgência.

1.º A religião. A religião fortifica e mantém a disciplina, porque convence mais facilmente a criança por motivos sobrenaturais e lhe ensina que a autoridade e a regra vêm de Deus e que sujeitando-se a elas é ao próprio Deus que obedecem.

2.º A afeição. Um mestre que ama pode instruir, porque a afeição por seus alunos, mais que sua competência, torna mais atrativas as lições, desperta interesse, atrai a atenção dos alunos e faz penetrar em sua inteligência os ensinamentos ministrados.

3.º A indulgência. Assim, um Irmão instruirá seus alunos com zelo, mas esperará de antemão encontrar espíritos pouco abertos, lentos para assimilar os conhecimentos; alunos levianos que pouco se aplicam, que esquecem logo o que aprenderam e nada levam a sério, especialmente os estudos; espíritos volúveis, levados a distrações, esquecendo hoje o que lhe ensinaram ontem. O mestre, sabendo disso, não desanimará, não se importunará, mas redobrará esforços de zelo, será indulgente...Mas a indulgência aqui recomendada é uma indulgência judiciosa, prudente e caridosa, e não uma indulgência de fraqueza.

Guide des Écoles, 1932, pp. 110-114

105.                    Punir o menos possível

Há também um grande número de faltas que devem ser perdoadas … Não se deve punir toda a classe, mesmo por faltas graves. Em tais circunstâncias, deve-se procurar descobrir os autores da desordem e puni-los conforme merecem. Se não for possível conhecer os culpados, é melhor omitir a punição. Os meninos são crianças e, como tais, imprevisíveis em suas atitudes e conduta. É, pois, recomendado não excitá-los e exacerbá-los; relevar alguma falta, contemporizar com algumas situações e mantê-los ocupados é mais benéfico à formação de seu caráter. Procedendo desta forma, a autoridade é salvaguardada, as punições tornam-se menos freqüentes e os meninos se persuadem de que os castigos são ditados pelo dever e pelo amor.

Guia das Escolas, 1853, pp. 188-189,
Em História do II Capítulo Geral, CEM, Belo Horizonte

106.                    Ao punir, dominar-se

Nas repreensões e punições, um Irmão deve sempre conservar a alma em paz e dominar seus ímpetos para não agir com paixão e irritação. Castigar um menino por incitamento de ira não é correção, mas pura vingança; impostos com calma e discrição, os castigos surtem efeito e são bem recebidos. É até mesmo preciso evitar punir um aluno por impulso da emoção. Se punimos, movidos pela emoção, os alunos percebem imediatamente que agimos por irritação e mágoa, e não guiados pela razão e pela amizade; em tal caso o mestre perde irremediavelmente a autoridade. Um Irmão não deve recear dizer a um menino: "Hoje não o castigo porque estou zangado com você."

Guia das Escolas, 1853, p. 190,
em História do II Capítulo Geral, CEM, Belo Horizonte

107.                    Sobre as condições a serem apresentadas por um castigo

Todo e qualquer castigo para ser verdadeiramente benéfico aos meninos deve apresentar as seguintes condições: além de raramente imposto, o castigo deve ser justo... proporcional às faltas... moderado... tranqüilo...honesto... livremente aceito... respeitoso... silencioso...

Guia das Escolas, 1853, pp. 191-193,
em História do II Capítulo Geral, CEM, Belo Horizonte

108.                    Castigos corporais

"Será que é com a palmatória que se educam as crianças e se inspira o amor à virtude?... É a razão, a religião que convencem a inteligência, levam o coração ao bem, e não os castigos. É de se estranhar que se use para educar os meninos um método que não se gostaria de ver usado nem para os animais... Semelhantes recursos ofendem a dignidade da criança, tornando desprezível e odioso a quem os emprega; perturbam a escola, destroem os sentimentos de amor, estima, confiança e respeito mútuos que devem unir mestre e discípulos e frustram todos os cuidados dispensados ao educando.

Vida, Edição do Bicentenário, p. 492-493

109.                    Sobre a Expulsão

A expulsão ou exclusão da escola, sendo o último e mais terrível castigo, só poderá ocorrer quando esgotados todos os recursos... Os meninos a serem excluídos são aqueles que se enquadram como licenciosos e prejudiciais aos outros, também os que têm hábito de furtar e se mostram incorrigíveis, a menos que se trate de crianças, cuja conduta pode ser mudada; aqueles que, por própria culpa, faltam às práticas religiosas... Quando a exclusão for inevitável, os pais , quando possível, devem ser informados e ouvidos, para que retirem o filho sem mágoa, evitando-se, assim, conseqüências desagradáveis.

Guia das Escolas, 1853, p. 198,
em História do II Capítulo Geral, CEM, Belo Horizonte

110.                    5.6. Ser simples

Em nossos encontros, manifestamo-lhes atenção marcada pela humildade, simplicidade e esquecimento de si.

Constituições, 83

111.                    5.7. A simplicidade, o exemplo e a coerência em nossas vidas

O educador também deve tirar do fundo de sua alma as idéias verdadeiras, os sentimentos bons, nobres, virtuosos, tudo o que constitua a vida moral. Se tudo isto está apenas em sua boca e não em suas atitudes, não será mais do que um barulho vão, letra morta e não vida que gera vida.

Avis, Leçons, Sentences, 1927, XLI, p. 425

112.                    5.8. Humildade, simplicidade, modéstia

A humildade é elemento fundamental no relacionamento, pois tem a ver com o conhecimento de si. Refere-se ao que nos define, ao conhecimento e à aceitação da verdade a nosso respeito, à honestidade consigo; mantém-nos livres de interesses pessoais, como também de qualquer desânimo. A simplicidade refere-se à maneira de viver nossa realidade. Dá-nos transparência que permite aos outros nos conhecer, manter relações conosco, tais quais somos. No que se refere à modéstia, abrange o respeito que demonstramos para com outrem, por nossa vida baseada na verdade. Ao mesmo tempo que procuramos ser o que somos, procuramos respeitar os sentimentos e a sensibilidade alheios. A modéstia ajuda-nos a discernir o que é correto, em nossa maneira de ser perante os demais, tanto em palavras como em atos. Essas virtudes maristas "imprimem autenticidade e benevolência às nossas relações com os Irmãos e com aqueles com quem nos relacionamos" .

Ir. Charles Howard, Superior General, Circulares, 1992,
Espiritualidade Apostólica Marista, 459

113.                    5.9. Nosso espírito de família

Nossa pedagogia da presença e o espírito de família assumem grande significado numa sociedade muitas vezes geradora de egoísmo, individualismo e solidão.

XIX Capítulo Geral, Mensagem, 12

Chamando-nos Irmãos, afirmamos pertencer a uma família unida no amor de Cristo.

Nosso espírito de família espelha-se no lar de Nazaré. É feito de amor e perdão, entreajuda e apoio, esquecimento de si, de abertura aos outros e de alegria.

Constituições, 6

114.                    5.10. Membros de uma família de amor

"Eu vos peço também, meus queridos Irmãos, com toda a afeição de minha alma e por toda a afeição que tendes por mim, procederdes sempre de tal modo que a santa caridade se mantenha sempre entre vós. Amai-vos uns aos outros como Jesus Cristo vos amou. Que não haja entre vós senão um mesmo coração e um mesmo espírito. Que se possa dizer dos Irmãozinhos de Maria como dos primeiros cristãos: "Vede como eles se amam".

Testamento Espiritual,
Vida, Edição do Bicentenário, p. 223

115.                    5.11. Construir a comunidade

Partilhamos nossa espiritualidade e nossa pedagogia com os pais, professores leigos e outros membros da comunidade educativa. Por seus serviços, o pessoal não-docente colabora intimamente em nossa tarefa apostólica.

Ao mesmo tempo que educadores, mostramo-nos irmãos para com nossos alunos. Esforçando-nos para que reine na escola clima de cordialidade e de participação, ajudamos os jovens a se tornarem agentes de sua própria formação.

Constituições, 88

116.                    5.12. Como irmãos e irmãs para os jovens

"O espírito de uma escola de Irmãos deve ser o espírito de família. Ora, numa boa família, numa família bem ordenada, dominam os sentimentos de respeito, de amor e de confiança recíproca e nunca o temor de castigos.

Vida, Edição do Bicentenário, p. 494

117.                    5.13. Amor ao trabalho

Nosso espírito de família exprime-se e constrói-se de maneira especial pelo amor ao trabalho que sempre nos caraterizou.

Constituições, 6

118.                    5.14. O exemplo de Marcelino Champagnat

Desde pequeno, trabalhou com gosto. Vimo-lo na casa paterna, exercitando-se em tudo e conseguindo sempre bons resultados...

A casa de Lavalla foi feita por ele; a casa de lHermitage, em grande parte. As reformas, a mobília, os muros e o embelezamento da propriedade também foram obra sua. Seu amor ao trabalho e principalmente sua humildade o levaram a empreender múltiplos misteres...

Nem precisa dizer que se dedicava ao trabalho manual menos por prazer do que por necessidade e que essa era a menos relevante de suas ocupações. Dedicar-se ao estudo, instruir e formar os Irmãos, estar em dia com a correspondência, acompanhar todos os setores da administração do Instituto, visitar as escolas, elaborar, estudar e meditar as normas que pretendia dar à sua comunidade, atender a todas as classes de pessoas que vinham tratar de negócios com ele, entrevistar os Irmãos e postulantes para orientá-los em suas necessidades e na conduta pessoal: tais eram as tarefas que preenchiam seu dia, ou melhor, a vida inteira...

Em suas exortações, o Pe. Champagnat não cessava de estimular os Irmãos aos trabalhos e acostumá-los à fuga da ociosidade. "O trabalho é indispensável à saúde do corpo e à pureza da alma. É necessário ao homem para o aperfeiçoamento físico e moral...". Um Irmão deve capacitar-se para executar qualquer tarefa no Instituto... Em se tratando das disciplinas, não devemos contentar-nos com sabê-las de maneira superficial, mas aprofundá-las e estudá-las até chegarmos a conhecê-las perfeitamente. Isso exige, de nossa parte, aplicação diária e perseverante aos estudos.

Vida, Edição do Bicentenário, pp. 390-393, 396

Champagnat é certamente um dos homens mais abertos de sua época. Foi mesmo notável na luta contra muitos preconceitos comuns entre seus contemporâneos. Por exemplo, quanto ao trabalho manual, em 1817, os Vigários Gerais de Lyon emitem oficialmente, numa circular, sua opinião muito desfavorável sobre um padre que se dedica afoitamente a trabalhos manuais (fazendo deles sua ocupação principal, em detrimento do ministério sacerdotal).

É certo que o Padre Champagnat não cai no erro de deixar o apostolado para se entregar ao trabalho manual, mas também é certo que lhe dedicou longas horas e maculou muitas batinas ocupando-se de "afazeres aviltantes", de que falam os Vigários Gerais. E isto não o perturba. "Estou disposto a receber você como aprendiz, se quiser tornar-se meu aluno...", disse o Padre Champagnat a um sacerdote que se identificava com o que proferiram os Vigários Gerais sobre os trabalhos manuais (cf. Vida, p. 99).

Ir. Basilio Rueda, Circulaire sur lEsprit de lInstitut,
Circulaires, Tome XXVI, p. 192

119.                    5.15. A preparação da aula

Embora o ensino da religião represente a finalidade principal dos Irmãos e seja a prioridade de suas escolas, os outros conteúdos da instrução primária não devem ser negligenciados e os Irmãos esforçar-se-ão para ministrá-los com muito cuidado e zelo, pois é muito importante que o ensino nada deixe a desejar, tanto na qualidade como na orientação dos estudos, a fim de que os pais, que muito prezam os princípios religiosos, encontrem em suas escolas as vantagens que desejam para a instrução de seus filhos.

Guia das Escolas, 1853, p. 204,
Em História do II Capítulo Geral, CEM, Belo Horizonte

120.                    5.16. Do jeito de Maria

Maria, educadora de Jesus em Nazaré, inspira nossas atitudes para com os jovens. Nossa ação apostólica é participação em sua maternidade espiritual.

Orientamos o coração dos jovens para Maria, a perfeita discípula de Cristo; fazemo-la conhecida e amada como caminho para ir a Jesus. Confiamos-lhe aqueles por quem somos responsáveis; levamo-los a rezar muitas vezes a essa Boa Mãe e a imitá-la.

Constituições, 84

121.                    5.18. Maria, os Maristas e os marginalizados

No decorrer dos séculos, a piedade popular fez de Maria uma santa melosa e sem personalidade, estilizada, muito longe da realidade em carne e osso de sua vida e de seu relacionamento de todos os dias. Estava mesclada com os marginalizadosCaminhava ao lado da gente simples, os relegados do mundo... os amargurados... com os pés imersos na poeira das estradas de seu país.

É importante que nos aproximemos da Virgem da escuta silenciosa da Anunciação; mas é importante também estar perto dela quando se mistura com os pagãos, com os fugitivos aterrorizados, com a angústia e ansiedade dos refugiados, a todos os desabrigados que possuem tão pouca esperança no coração e tantas apreensões pelo dia de amanhã.

Ir. Charles Howard, S.G., Espiritualidade Apostólica Marista, 462

122.                    5.26. Maria, nosso Recurso Habitual

Quando recomendava um problema a Maria, viesse o que viesse, não se perturbava, e repetia tranqüilo e confiante: "Nada receiem; as aparências estão contra nós. Maria, porém, vai dar um jeito; bem que ela sabe remover dificuldades, dirigir acontecimentos e revertê-los em nosso favor." Só a ela, depois de Deus, queria ser devedor de tudo e de sua proteção tudo esperava. Maria é nosso Recurso Habitual, era sua expressão favorita. "Já sabem perfeitamente a quem nos devemos dirigir para conseguir estes favores: a nosso Recurso Habitual. Não tenhamos receio de recorrer demais a ela, pois é sem limites o seu poder, inesgotáveis sua bondade e seu tesouro de graças. Aliás, sendo nossa Mãe, Padroeira, Superiora, é responsável por nós, e contamos com ela. Esta comunidade é obra sua."

123.                    O Lembrai-vos na neve

Em fevereiro de 1823, um Irmão de Bourg-Argental achava-se gravemente enfermo. O Pe. Champagnat não quis deixar seu filho morrer sem vê-lo mais uma vez e dar-lhe a bênção. O mau tempo e o chão recoberto de neve não impediram o Padre de sair a quando soube que o Irmão estava em perigo de vida. Depois de abençoá-lo e confortá-lo, tratou de voltar para La Valla. Os Irmãos tentaram dissuadi-lo, pois caíra muita neve e o vento soprava com inusitada violência. Consultando apenas a coragem, o Padre julgou que não devia ceder aos rogos dos Irmãos e aos conselhos dos amigos. Logo se arrependeria.

Acompanhado pelo Ir. Estanislau, preferiu transpor as montanhas do Pilat. Tinham andado apenas duas horas, quando se perderam. Não achando mais nem sinal de estrada, viram-se forçados a caminhar sem direção, ou melhor, sob a direção de Deus. Um vento violentíssimo lhes jogava a neve no rosto, de modo que nem sabiam se estavam indo ou voltando. Vaguearam horas a fio, e o Irmão sentiu-se exausto. O Pe. Champagnat teve de tomá-lo pelo braço para conduzi-lo e não deixá-lo cair. Mas dali a pouco, até ele vencido pelo rigor do frio e sufocado pela neve, sentiu-se desfalecer e teve de parar. Falou ao Irmão: "Meu amigo, estamos perdidos, se Maria não nos socorrer. Recorramos a ela e supliquemos-lhe que nos salve a vida em perigo neste mato e no meio da neve." Isto dizendo, sentiu o Irmão escorregar-lhe da mão e cair desmaiado. Cheio de confiança, ajoelhou-se ao lado do Irmão, que parecia inanimado, e rezou o Lembrai-vos com sentido fervor.

Porém, finda a prece, procurou erguer o companheiro e fazê-lo andar. Não tinham andado dez passos, quando vislumbraram, na escuridão da noite, uma luz bruxuleando a certa distância. Dirigiram-se para lá e deram com uma casa, onde pernoitaram. Ambos estavam enregelados pelo frio, sobretudo o Irmão, que demorou a recuperar inteiramente os sentidos.

Muitas vezes o Pe. Champagnat afirmou que, se o socorro não tivesse chegado naquele exato momento, ambos estariam perdidos. A Santíssima Virgem os salvara de morte certa.

Vida, Edição do Bicentenário, pp. 322-324

124.                    5.27. O lema de Marcelino Champagnat

Vem, de então, o seu lema: "Tudo a Jesus por Maria, tudo a Maria para Jesus"; lema que lhe norteou o espírito e lhe foi norma de conduta a vida toda.

Vida, Edição do Bicentenário, p. 313

6. Na Instituição Escolar

125.                    6.1. Os quatro pilares da educação

A educação ao longo de toda a vida baseia-se em quatro pilares: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos, aprender a ser.

Aprender a conhecer, combinando uma cultura geral, suficientemente vasta, com a possibilidade de trabalhar em profundidade um pequeno número de matérias. O que também significa aprender a aprender, para se beneficiar das oportunidades oferecidas pela educação, ao longo de toda a vida.

Aprender a fazer, a fim de adquirir, não somente uma qualificação profissional mas, de uma maneira mais ampla, competências que tornem a pessoa apta a enfrentar numerosas situações e a trabalhar em equipe...

Aprender a viver juntos, desenvolvendo a compreensão do outro e a percepção de interdependênciasrealizar projetos juntos e preparar-se para gerir conflitos – no respeito pelos valores do pluralismo, da compreensão mútua e da paz.

Aprender a ser, para melhor desenvolver a sua personalidade e estar à altura de agir, cada vez, com maior capacidade de autonomia, de discernimento e responsabilidade pessoal.

Na altura em que os sistemas educativos formais tendem a privilegiar o acesso ao conhecimento, em detrimento das outras formas de aprendizagem, importa conceber a educação como um todo.

Educação: Um tesouro a descobrir, MEC-UNESCO, 1998, pp. 101-102
(Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI)

126.                    6.2. Missão da educação católica

A presença da Igreja no campo do ensino manifesta-se sobretudo através da escola católica. Na verdade, não menos que as outras, ela procura os fins culturais e a formação humana da juventude. É próprio dela criar um ambiente de comunidade escolar animado do espírito evangélico de liberdade e caridade, ajudar os adolescentes para que, no desenvolvimento da própria pessoa, cresçam ao mesmo tempo segundo a nova criatura em que se tornaram pelo batismo e ordenar finalmente toda a cultura humana para a mensagem de salvação, de modo que seja iluminado pela o conhecimento que, gradualmente, os alunos adquirem do mundo, da vida e do homem. Assim, pois, a escola católica que se abre, como convém, ao progresso dos tempos, educa os seus alunos para conseguirem eficazmente o bem-estar da cidade terrestre e os prepara para o serviço da difusão do reino de Deus, para que se tornem como que o fermento salutar da comunidade humana, pelo exercício duma vida exemplar e apostólica.

Gravissimum Educationis Momentum, 8

127.                    Síntese entre e cultura

A escola católica, ajudando os alunos a realizar a síntese entre e cultura mediante o ensino, parte de uma concepção profunda do saber como tal; não pretende de modo algum desviar o ensino do objetivo que lhe é próprio na educação escolar. (38)

128.                    Finalidade das disciplinas

Neste contexto, cultivam-se todas as disciplinas no respeito pleno do método peculiar de cada uma. Seria portanto errado considerar as disciplinas escolares como meras auxiliares da ou como meios utilizáveis para fins apologéticos. Elas dão a possibilidade de aprender técnicas, conhecimentos, métodos intelectuais, aptidões morais e sociais, que permitam ao aluno desenvolver a sua personalidade e inserir-se como membro ativo na comunidade humana. Com efeito, apresentam não só um saber a adquirir, mas também valores que devem ser assimilados, e especialmente virtudes a descobrir. (39)

129.                    O ensino como busca da verdade

À luz desta concepção global da missão educativa da escola católica, o mestre encontra-se nas melhores condições para iniciar o aluno no aprofundamento da e para permitir-lhe simultaneamente enriquecer e iluminar o saber humano com os dados da . O ensino proporciona numerosas ocasiões para elevar o aluno a visões de ; mas, para além destas circunstâncias, o educador cristão sabe descobrir o contributo válido que as disciplinas escolares podem proporcionar para o desenvolvimento da personalidade cristã. Ele pode formar o espírito e o coração dos alunos e dispô-los a aderir a Cristo de modo pessoal e total, até pelo enriquecimento que a cultura proporciona à pessoa. (40)

130.                    ... em busca da Verdade Eterna

O mestre, preparado na própria disciplina e que possui também sabedoria cristã, transmite ao aluno o sentido daquilo que ensina, e leva-o, para além das palavras, ao coração da verdade total. (41)

131.                    ... e dos valores absolutos

O patrimônio cultural da humanidade compreende outros valores para além do âmbito específico do verdadeiro. Quando o mestre ajuda o aluno a captar, apreciar e assimilar tais valores, orienta-o progressivamente para as realidades eternas. Tal dinamismo, na direção da sua fonte incriada, explica a importância do ensino para o crescimento da . (42)

132.                    Importância do educador cristão

Dependerá muito da capacidade dos mestres que o ensino chegue a ser uma escola da , ou seja, uma transmissão da mensagem cristã. A síntese entre cultura e passa através da outra síntese entre e vida na pessoa dos educadores. A nobreza da tarefa a que são chamados reclama que, à imitação do único Mestre Cristo, revelem o mistério cristão não só com a palavra mas também em cada um dos seus gestos e com o seu comportamento. Compreende-se, assim, a diferença fundamental que existe entre uma escola em que o ensino está impregnado de espírito cristão, e uma escola que se limita a juntar a religião às outras matérias escolares. (43)

A Escola Católica, 1977. 38-43,
Da Sagrada Congregação para a Educação Católica

133.                    6.3. Escola Marista, uma comunidade educativa

Partilhamos nossa espiritualidade e nossa pedagogia com os pais, professores leigos e outros membros da comunidade educativa. Por seus serviços, o pessoal não-docente colabora intimamente em nossa tarefa apostólica.

Constituições, 88

134.                    6.5. O projeto educativo

A todos os responsáveis da educação - pais, educadores, jovens, autoridades escolares - que reúnam todos os recursos e meios disponíveis que permitam à Escola Católica desenvolver um serviço verdadeiramente cívico e apostólico.

A Escola Católica, 1977, 4

135.                    Conceito de ambiente educativo cristão

Pessoas, espaço, tempo, relações, ensino, estudo, atividades diversas, são elementos a considerar numa visão orgânica do ambiente educativo. (24)

136.                    Características do projeto educativo

Trata-se dum projeto global "caracterizado", enquanto ele tem a finalidade de conseguir objetivos peculiares a realizar com a colaboração de todos os seus componentes.

Concretamente, o projeto configura-se como um quadro de referência que

l define a identidade da escola, explicitando os valores evangélicos na qual ela se inspira;

l precisa os objetivos no plano educativo, cultural e didático;

l delineia a organização e o funcionamento;

l prevê algumas partes fixas, predefinidas da componente profissional (gestores e docentes); algumas partes a administrar juntamente com os estudantes, e alguns âmbitos confiados à livre iniciativa dos pais e dos estudantes;

l indica os instrumentos de verificação e de avaliação. (100)

Uma atenta consideração será reservada, especialmente, à exposição de alguns critérios gerais, que deverão inspirar e tornar homogêneo todo o projeto educativo, harmonizando as suas opções culturais, didáticas, sociais, civis e políticas:

a) A fidelidade ao evangelho anunciado pela Igreja. A ação da escola católica situa-se, antes de mais nada, no interior da missão evangelizadora da Igreja, inserindo-se ativamente no contexto eclesial do país em que atua e na vida da comunidade cristã local.

b) O rigor da investigação cultural e da função crítica, no respeito à justa autonomia das leis e dos métodos de investigação de cada uma das disciplinas, orientadas para a formação integral da pessoa.

c) A gradualidade e a adaptação da proposta educativa às diversas situações dos indivíduos e das famílias.

d) A co-responsabilidade eclesial. Sendo muito embora a comunidade educante o centro popular e responsável dominante de toda a experiência educativa e cultural, o projeto deverá nascer também do confronto com a comunidade eclesial nas formas de empenhamento consideradas oportunas.

O projeto educativo distingue-se, portanto, nitidamente, quer do regulamento interno quer da programação didática, quer duma apresentação genérica de intenções. (101)

No final do período, educadores, alunos, famílias verificarão se as previsões foram respeitadas. Caso contrário, procurar-se-ão responsabilidades e remédios. (102)

Dimensão Religiosa da Educação na Escola Católica,1988. 24, 100-102,
Da Sagrada Congregação para a Educação Católica

137.                    6.6. A aprendizagem

A principal finalidade da instrução não é preencher a mente dos meninos com conhecimentos úteis, mas fornecer-lhes os meios para adquiri-los. Para isto, é necessário desenvolver, dirigir e cultivar suas faculdades intelectuais, a fim de que os meninos, durante a sua vida inteira, possam delas tirar todos os proveitos possíveis. Mas, entre as faculdades, aquela que deve ser formada e cultivada, acima de todas as outras, é o juízo ou discernimento. Este é um dos grandes objetivos da instrução e da educação.

Guia das Escolas, 1853, p. 221,
Em História do II Capítulo Geral, CEM, Belo Horizonte

138.                    6.7. Encorajando os esforços do educando

Para que uma escola prospere e o ensino seja bom, é preciso que o esforço dos alunos acompanhe a ação do mestre, porquanto aquilo que o mestre faz pessoalmente, através de seu devotamento e suas lições, é pouco. Mas o que ele faz os alunos praticarem, através do estudo, da aplicação, do trabalho, é tudo. O importante será, pois, alcançar a espontânea colaboração dos educandos. Para obtê-la mais facilmente, o Pe. Champagnat apontava a emulação como meio seguro e eficaz. Queria que os Irmãos fizessem de tudo para estabelecê-la e conservá-la.

Vida, Edição do Bicentenário, pp. 485-486

139.                    6.8. Os bons efeitos das recompensas

As recompensas, quaisquer que sejam seus valores, produzem os mais felizes resultados; conquistam o coração dos meninos, afeiçoam-nos à escola, tornam-lhes fácil e agradável o trabalho e sustentam sua aplicação ao estudo. Tais recompensas, por mais insignificantes que sejam, sempre produzem no coração impressão vívida e profunda e levam os meninos a cumprirem com coragem, e até mesmo com alegria, os seus deveres. O estudo não constitui um atrativo natural para os meninos, porquanto não vislumbram os benefícios da instrução. Mas, propondo-lhes prêmios, transformam seus estudos em ocupações agradáveis, suas lições e deveres em atividades lúdicas.

Guia das Escolas, 1853, pp. 291-292,
Em História do II Capítulo Geral, CEM, Belo Horizonte

140.                    6.9. A dimensão religiosa da cultura escolar

O crescimento do cristão segue harmonicamente o ritmo do progresso escolar. Com o passar dos anos, na escola católica impõe-se, como exigência crescente, a coordenação entre cultura humana e . Nesta escola, a cultura humana permanece cultura humana, exposta com objetividade científica. Contudo, o professor e aluno crentes oferecem e recebem criticamente a cultura sem a separar da . Se isto acontecesse, seria um empobrecimento espiritual. A coordenação entre universo cultural humano e universo religioso realiza-se na inteligência e na consciência do mesmo homem-crente. Os pontos de encontro, a individuar na pessoa humana, protagonista da cultura e sujeito da religião, quando se procuram, encontram-se. Encontrá-los não é da competência exclusiva do ensino religioso. A ele é dedicado um tempo limitado. As outras matérias de ensino dispõem de muitas horas por dia. Todos os professores têm o dever de agir concordemente. Cada um ensinará o seu programa com competência científica, mas no momento próprio deve saber ajudar os alunos a olhar para além do horizonte limitado das realidades humanas. Na escola católica e, analogamente, em todas as escolas, Deus não pode ser o Grande-Ausente ou um intruso mal recebido. O Criador do universo não dificulta o trabalho de quem quer conhecer o universo, que a ilumina com um sentido novo. (51)

141.                    "Desafios" à

A escola católica secundária reservará um cuidado atento aos "desafios" que a cultura coloca à . Os estudantes serão ajudados a conseguir aquela síntese de e de cultura que é necessária para a maturação do crente, que deve ser ajudado a individualizar e a recusar criticamente os "desvalores" culturais que são um atentado contra a pessoa e, por isso, contrários ao evangelho... (52)

142.                    que ilumina a cultura

É indispensável ter presente neste campo que a , não se identificando com nenhuma cultura e sendo independente em relação a todas as culturas, é chamada a inspirar todas as culturas: "Uma que não se torna cultura é uma não plenamente recebida, não inteiramente pensada, não fielmente vivida". (53)

143.                    Natureza e dimensão religiosa

Os programas e reformas escolares de numerosos países reservam um espaço crescente ao ensino científico e tecnológico. A este ensino não pode faltar a dimensão religiosa. Os alunos devem ser ajudados a compreender que o mundo da ciência da natureza e as tecnologias relativas pertencem ao universo criado por Deus. Tal compreensão aumenta o gosto da investigação... (54)

144.                    Estudo do homem

A escola católica deve empenhar-se em superar a fragmentação e a insuficiência dos programas. Os professores de Etnologia, Biologia, Psicologia, Sociologia, Filosofia têm ocasião de delinear uma visão unitária do homem, necessitado de redenção, e de inserir nela a dimensão religiosa... (55)

Dimensão Religiosa da Educação na Escola Católica,1988. 51-55,
Da Sagrada Congregação para a Educação Católica

145.                    6.10. Os Meios de Comunicação

O caminho que hoje se privilegia para a criação e a transmissão da cultura é o dos instrumentos da comunicação social. Também o mundo dos mass-media, na seqüência do acelerado progresso das inovações e da influência, ao mesmo tempo planetária e capilar, sobre a formação da mentalidade e do costume, constitui uma nova fronteira da missão da Igreja.

No uso e na recepção dos instrumentos de comunicação, tornam-se urgentes tanto uma ação educativa em ordem ao sentido crítico, animado de paixão pela verdade, como uma ação de defesa da liberdade, do respeito pela dignidade pessoal, da elevação da autêntica cultura dos povos, com a recusa, firme e corajosa, de toda forma de monopolização e de manipulação.

Christifideles Laici, 44

146.                    6.11. Abertos às outras confissões cristãs

Os filhos de protestantes e adeptos de outras seitas poderão ser admitidos na escola, mas sob a condição explícita de assumirem o regulamento comum da classe e de não divergirem dos católicos em relação às práticas realizadas no interior da escola. Assistirão ao catecismo, sem, todavia, serem obrigados a decorá-lo e a recitá-lo, a menos que queiram fazê-lo. Quanto à missa, não serão obrigados a assisti-la, caso seus pais se oponham; neste caso, será permitida sua entrada na escola após a volta da missa, ficando, porém, neste tempo, sob os cuidados e responsabilidade dos pais; quanto à confissão, nada há que os obrigue à sua prática.

Guia das Escolas, 1853, pp. 153-154 Em História do II Capítulo Geral, CEM, Belo Horizonte

147.                    Escola católica e pluralismo escolar

Dada a situação que se criou em várias partes do mundo - a escola católica acolhe cada vez mais uma população escolar de e ideologias diversas - torna-se inadiável a necessidade de esclarecer a dialética a instaurar entre o momento cultural propriamente dito e o desenvolvimento da dimensão religiosa. Esta é um momento ineliminável, e permanece a tarefa específica de todos os cristãos empenhados nas instituições educativas.

Em tais situações, porém, não será sempre fácil ou possível conduzir avante o discurso da evangelização; dever-se-á então ter em vista a pré- evangelização, isto é, a abertura ao sentido religioso da vida. Isto comporta uma individualização e aprofundamento de elementos positivos do como e do conteúdo do processo formativo específico.

A transmissão da cultura deve estar atenta antes de mais nada a consecução dos próprios fins e a potencializar todas as dimensões que tornam o homem humano e, em particular, a dimensão religiosa e o emergir da exigência ética.

Dimensão Religiosa da Educação na Escola Católica, 1988.108,
Da Sagrada Congregação para Educação Católica

148.                    6.12. Ver nota 5.5.

149.                    6.13. Ver nota 5.5.

150.                    6.14. Harmonizar , cultura e vida

Para a Igreja, não se trata tanto de pregar o Evangelho a espaços geográficos cada vez mais vastos ou populações maiores em dimensões de massa, mas de chegar a atingir e como que a modificar pela força do Evangelho os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade, que se apresentem em contraste com a Palavra de Deus e com o desígnio da salvação.

Evangelii Nuntiandi, 19

151.                    6.15. Ver notas 6.2 e 5.5.

152.                    6.16. Diálogo com estudantes sobre a

Um modo eficaz para sintonizar-se com os alunos é falar com eles e deixá-los falar. Na atmosfera de confiança e cordialidade poderá aflorar um certo número de questões, diversas segundo os lugares e as idades, mas com tendência a se tornarem cada vez mais universais e precoces. São, para os jovens, questões sérias, que dificultam um estudo sereno da . O professor responderá, com paciência e humildade, sem declarações peremptórias, que correm o risco de serem contraditas.

Dimensão Religiosa da Educação na Escola Católica,1988. 72,
Da Sagrada Congregação para a Educação Católica

153.                    6.21. Inserção da Escola Católica na Igreja Local

"Sejam fomentadas as várias formas de apostolado e, em toda a diocese e em cada uma das suas regiões, a coordenação e íntima união de todas as obras de apostolado, sob a direção do Bispo, para que todas as iniciativas e instituições catequéticas, missionárias, caritativas, sociais, familiares, escolares ou de qualquer outra espécie, destinadas a um fim pastoral, trabalhem em harmonia umas com as outras, o que fará resplandecer mais a unidade da diocese". Isto é manifestamente indispensável para a Escola Católica que goza da "cooperação apostólica de ambos os cleros, dos religiosos e dos leigos".

A Escola Católica, 1977.72,
Da Sagrada Congregação para a Educação Católica

Vós sois instrumentos decisivos para a proclamação nas escolas do Evangelho de Cristo...Podemos, portanto, afirmar que nossas escolas são comunidades missionárias... A atividade educacional específica da Escola Católica deve integrar-se no ministério da pastoral de conjunto da Igreja local, ajudando os alunos a tomar parte na vida da comunidade paroquial e diocesana, e habilitando-os para estarem presentes, tanto quanto possível, nos vários organismos da Igreja. Por outro lado, a paróquia e a diocese considerariam as escolas católicas como parte integrante da comunidade eclesial e as assistiriam desenvolvendo sua própria contribuição na educação e na formação.

Instruções da Sagrada Congregação para Educação Católica, Vaticano, outubro de 1996.7

154.                    6.22. Bem-vindos os estudantes menos favorecidos

...Sendo a educação um meio eficaz de progresso social e econômico do indivíduo, se a escola católica dedicasse os seus cuidados exclusiva ou preferentemente aos membros de algumas classes sociais mais abastadas contribuiria para consolidar a vantagem da sua posição em relação a outras e favoreceria uma ordem social injusta.

A Escola Católica, 1977. 58,
Da Sagrada Congregação para a Educação Católica

155.                    Aprender a viver juntos

A história humana foi sempre conflitiva. Mas novos elementos acentuam o risco e o extraordinário potencial de autodestruição criado pela humanidade ao longo do século XX. A opinião pública, através da mídia, torna-se o observador impotente, para não dizer o refém dos que criam ou fomentam os conflitos. Até agora, a educação não fez muito para modificar este estado de coisas. É possível conceber uma educação que permita evitar os conflitos ou resolvê-los de maneira pacífica, desenvolvendo o conhecimento dos outros, de sua cultura e de sua espiritualidade?

A educação deve, pois, tornar possíveis - ao que parece - duas vias complementares. Em primeiro lugar, a descoberta progressiva do outro. Em segundo lugar e ao longo de toda a vida, o compromisso em projetos comuns, que parece um método eficaz para resolver ou evitar conflitos latentes.

156.                    Descobrindo o outro

A educação tem como missão ensinar simultaneamente a diversidade da espécie humana e a consciência das semelhanças e da independência entre todos os seres humanos do planeta. A escola deve, pois, aproveitar todas as ocasiões deste duplo ensino, desde a infância, as línguas e as literaturas estrangeiras, mais tarde

Enfim, a forma mesma do ensino não deve visar diretamente a este reconhecimento do outro. Os professores que, à força de dogmatismos, matam a curiosidade ou o espírito crítico, em lugar de treinar os alunos para isto, podem ser mais prejudiciais do que úteis. Esquecendo que se apresentam como modelos, correm, por suas atitudes, o risco de enfraquecer, para sempre, em seus alunos, a capacidade de se abrir à alteridade e de afrontar as inevitáveis tensões entre pessoas, grupos, nações. O confronto pelo diálogo e o intercâmbio de argumentos são um instrumento necessário à educação do século XXI.

157.                    Tender a objetivos comuns

Quando se trabalha em conjunto sobre projetos motivadores e fora do habitual, as diferenças e até mesmo os conflitos interindividuais tendem a reduzir-se, chegando a desaparecer em alguns casos. Uma nova forma de identificação nasce destes projetos que fazem com que se ultrapassem as rotinas individuais, que valorizam aquilo que é comum e não as diferenças. Graças à prática do desporto, por exemplo, quantas tensões entre classes sociais ou nacionalidades se transformaram, afinal, em solidariedade através de experiência e do prazer do esforço comum!

Educação: Um tesouro a descobrir, MEC-UNESCO, 1998, pp. 98-99
(Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o séculoXXI

158.                    6.24. Solidariedade, um imperativo moral

Uma leitura teológica dos problemas modernos:

Tudo na luz de Deus.

Solidariedade não é sentimento vago de compaixão ou tristeza barata, mas determinação firme e perseverante de comprometer-se com o bem comum. E atitude na qual o mais influente se sente responsável pelo mais fraco e o mais fraco faz o que pode para o bem de todos.

A solidariedade é o caminho da paz. A interdependência requer o abandono de blocos, o sacrifício de todas as formas de imperialismo econômico, militar ou político, a mudança da desconfiança para a colaboração. A solidariedade é a virtude cristã de nosso tempo. (266)

É fácil compreender que alguns dentre nós sentir-se-ão confusos, mesmo frustrados e impacientes perante um desafio que parece ser de natureza geopolítica. Que papel posso eu, como indivíduo, ser chamado a desempenhar para reverter o curso da história? ... Por causa da gravidade crescente, o subdesenvolvimento das pessoas e das nações requer, agora, a mobilização moral de toda a família humana. A afirmação central da encíclica de João Paulo II é que o desenvolvimento humano não pode ser atingido sem apelar para a consciência e a solidariedade moral de nossos contemporâneos, tanto ricos como pobres, de todos os que estão envolvidos e partilham a responsabilidade do verdadeiro progresso da família humana. (275)

Ir. Charles Howard, Circular XXIX, 1990, pp. 266 e 275,
Um Apelo Urgente: Sollicitudo Rei Socialis.

159.                    6.25. Estruturas de pecado

A esta análise genérica de ordem religiosa, podem acrescentar-se algumas considerações particulares para observar que entre as ações e as atitudes opostas à vontade de Deus e ao bem do próximo e as "estruturas" a que elas induzem, as mais características hoje parecem ser sobretudo duas: por um lado, há a avidez exclusiva do lucro; e, por outro lado, a sede do poder, com o objetivo de impor aos outros a própria vontade. A cada um destes comportamentos pode juntar-se, para os caracterizar melhor, a expressão: "a qualquer preço". Em outras palavras, estamos diante da absolutização dos comportamentos humanos, com todas as conseqüências possíveis.

Obviamente que não são só os indivíduos a se tornarem vítimas desta dúplice atitude de pecado; podem sê-lo também as nações e os blocos. E isto favorece ainda mais a introdução das "estruturas de pecado" de que falei. Se certas formas modernas de "imperialismo" se considerassem à luz destes critérios morais, descobrir-se-ia que por detrás de certas decisões, aparentemente inspiradas só pela economia e pela política, se escondem verdadeiras formas de idolatria: do dinheiro, da ideologia, da classe e da tecnologia.

Quis introduzir aqui este tipo de análise sobretudo para indicar qual é a verdadeira natureza do mal, com a qual deparamos na questão do "desenvolvimento dos povos": trata-se de um mal moral, fruto de muitos pecados, que produzem "estruturas de pecado". Diagnosticar, assim, o mal leva a identificar exatamente, ao nível do comportamento humano, o caminho a seguir, para superá-lo.

Sollicitudo Rei Socialis, 37

160.                    6.27. Ensino Superior e Universidades

Os consagrados e consagradas manifestem, com delicado respeito e também com coragem missionária, que a em Jesus Cristo ilumina todo o campo da educação, não prejudicando mas antes corroborando e elevando os próprios valores humanos... Dada a importância que as Universidades e as Faculdades católicas e eclesiásticas assumem no campo da educação e da evangelização, os Institutos que possuem a sua direção estejam cientes da sua responsabilidade, fazendo com que nelas, ao mesmo tempo que se dialoga ativamente com o contexto cultural atual, se conserve a peculiar índole católica, na plena fidelidade ao Magistério da Igreja. . .

Vita Consecrata, 97

161.                    6.28. Novas obras educativas

Normalmente, fazemos um apelo à conversão das pessoas, esperando que, depois de transformadas, possam caminhar em liberdade de espírito. São menos freqüentes os processos que afetam a "conversão das obras" e o início de novos projetos que sejam referência e inspiração para viver o espírito do XIX Capítulo Geral. Às vezes, tenho a impressão de que, por um lado, animamos os Irmãos para que se renovem e, por outro lado, os colocamos em condições de asfixia e de esgotamento. Não é a disponibilidade que lhes falta. Mas é necessário fortalecer o espírito com projetos e estruturas que animem e sustentem a qualidade de vida dos nossos Irmãos, juntamente com a novidade evangélica inerente à nossa missão. (10)

O que me surpreende é o pretexto de que não podemos assumir maior número de escolas populares a serviço dos pobres, porque as obras atuais requerem todas as nossas energias, e os Irmãos que temos são insuficientes para atendê-las.

É um tema delicado. É uma pedra de toque. É difícil. Mas é questão de fidelidade e de vida. Aferrar-nos a algumas obras, sermos incapazes de submetê-las à avaliação e ao discernimento evangélico, justificar tudo só por inércia ou por medo, será, com o tempo, a morte espiritual dessas obras e, possivelmente, a morte do entusiasmo de muitas vocações apostólicas de Irmãos e leigos. (32)

Ir. Benito Arbués, "Caminhar em paz, mas depressa", Circulares, 1997, 10, 32

162.                    6.30. Manter nossas escolas abertas aos pobres

Foi sobretudo para elas, as crianças pobres, que o Pe. Champagnat fundou o Instituto, e é vontade sua que os Irmãos se considerem particularmente encarregados de sua instrução...

.. .A igualdade deve ser a grande lei nas escolas dos Irmãos. Nelas não deverão existir preferências nem privilégios, nem consideração de status nem de qualidades exteriores. Ricos e pobres devem ser tratados segundo seu mérito, capacidade, virtude e condição individual...

Procura-se conservar os ricos só para proporcionar ao pobre os meios de se instruir, porquanto na maioria da vezes, se não houvesse meninos abastados para garantir os recursos aos Irmãos, a escola não poderia sustentar-se.

Vida, Edição do Bicentenário, pp. 482-483

7. Em outras estruturas de educação

163.                    7.1. O zelo criativo de Marcelino Champagnat

Alma da casa, o Pe. Champagnat, que apoiava e dirigia os Irmãos e aconselhava os pais a lhes confiar os filhos, resolveu imprimir desenvolvimento maior à escola. Observando que uma única sala de aula era insuficiente para tantos alunos, abriu mais uma, o que lhe possibilitou separar os alunos, classificando-os de acordo com seu aproveitamento. Isso contribuiu muito para acelerar-lhes o progresso.

Outro problema, também grave, chamou-lhe a atenção. Vários pais não conseguiram que os filhos pernoitassem na casa dos Irmãos e alojavam-nos no povoado. Lá, porém, se transviavam por ficarem abandonados à própria sorte, após as aulas. Para resolver a situação, o Pe. Champagnat ampliou e restaurou o prédio escolar. Isto permitiu que os Irmãos recebessem e alojassem as crianças que antes eram acolhidas em casas particulares. Apresentaram-se também muitas crianças indigentes. Os Irmãos acolheram-nas com bondade e solicitude, e a comunidade, embora desprovida de maiores recursos, proveu a todas as suas necessidades.

O Pe. Champagnat, que depositava em Deus confiança ilimitada, tomou a seu encargo vários meninos órfãos ou abandonados, deu-lhes instrução, alimentou-os, vestiu-os e, depois, colocou-os em famílias de confiança, continuando sempre a velar pelo seu comportamento, orientando-os e fazendo as vezes de pai. Neste primeiro ano, recebeu doze crianças pobres, às quais dava tudo.

O Pe. Champagnat não se contentou em exercitar os Irmãos na catequese escolar. Para inculcar-lhes o espírito apostólico e levá-los a compreender que a santificação das almas era a meta de sua vocação, resolveu enviá-los, dois a dois, aos domingos e outros dias, aos povoados da paróquia para darem catecismo aos camponeses.

Tendo chegado ao lugarejo indicado, ambos reuniam adultos e crianças num rancho ou em qualquer outro local conveniente. Começavam com a oração, entoavam um cântico, perguntavam o catecismo aos jovens. Em seguida, por meio de perguntas breves e claras, desenvolviam as respostas e terminavam a instrução com algumas conclusões práticas e exemplos ilustrativos.

O bom Ir. Lourenço postulou por muito tempo o favor de ir desempenhar essa função na aldeola de Bessac. Visto que se trava de missão penosa e difícil, para merecê-la foi-lhe preciso fazer muitos atos de zelo, abnegação e humildade. Situada no cimo do monte Pilat, distante duas léguas de La Valla, Bessac permanece coberta de neve pelo menos seis meses durante o ano. Nessa época, a povoação achava-se desprovida de sacerdote: em conseqüência, as crianças e até mesmo os adultos viviam em profunda ignorância.

O Ir. Lourenço, quando para lá se dirigia, levava os mantimentos necessários e toda quinta-feira vinha a La Valla para se animar no convívio com os Irmãos e abastecer-se com o indispensável. Hospedava-se na casa de um morador de Bessac. Preparava pessoalmente as refeições que consistiam numa sopa, feita de manhã para o dia inteiro, algumas batatas e queijo. Duas vezes por dia, o bom Irmão percorria a aldeia tocando a campainha para reunir a criançada.

Vida, Edição do Bicentenário, pp. 70, 75-76

A instrução das crianças, em geral, e em particular dos pobres órfãos, é o objetivo do nosso estabelecimento. Assim que terminarmos a casa de lHermitage e que pudermos utilizar uma boa captação de água, receberemos as crianças das casas de caridade; ensinar-lhes-emos um ofício, dando-lhes educação cristã. As que mostrarem pendor para a virtude e a ciência serão aproveitadas na casa.

Prospectus 1824 in Cadernos Maristas, 1, p. 33

164.                    7.2. Respondendo às necessidades dos jovens em situação de risco

Nós nos comprometemos a intensificar nossa presença entre as crianças e os jovens marginalizados nas "fronteiras" de nossa sociedade. Respondemos aos apelos urgentes dos jovens em situação de risco: meninos de rua, vítimas da droga ou da violência, analfabetos...

XIX Capítulo Geral, Nossa Missão, 33

165.                    7.7. Ver nota 4.26.

166.                    7.9. Acompanhar os jovens

O acompanhamento tem duplo objetivo: o primeiro é ajudar o candidato a se conhecer e a reconhecer a presença de Deus em sua vida, a compreender o que Deus lhe pede; a descobrir, apreciar, assimilar os valores humanos e evangélicos e a agir de acordo com eles. O segundo é possibilitar ao Instituto conhecer o candidato, por meio do acompanhante. Um bom acompanhamento faz-se em dois níveis: pessoal e grupal.

O acompanhamento da pessoa é feito sobretudo pela entrevista individual, com freqüência regular, e pelo projeto de vida do candidato.

O acompanhamento do grupo (comunidade) faz-se principalmente pela qualidade de vida da comunidade: sua organização (projeto comunitário e sua avaliação), a comunicação e notadamente por encontros regulares.

Guia da Formação Marista, 1993, Glossário, p. 143

167.                    7.10. O trabalho com os jovens

Nós, Irmãos Maristas, nos comprometemos a construir comunidades mais proféticas, simples e abertas, especialmente para os jovens.

XIX Capítulo Geral, Nossa Missão, 29

168.                    7.11. O cultivo das vocações

Estamos convencidos da atualidade e validez de nossa missão no mundo. É possível e vale a pena ser Irmão Marista, hoje, e consagrar a isso toda a vida!

Estamos convencidos de que Deus nos quer Irmãos, Religiosos leigos, o mais possível presentes, de modo simples e acolhedor, especialmente entre as crianças e os jovens.

XIX Capitulo Geral, Nossa Missão, 23 e 26

169.                    7.12. Líderes cristãos

Vocês, jovens, são especialmente chamados a se tornarem missionários da Nova Evangelização, pelo seu testemunho diário da Palavra que salva.

Vocês experimentam pessoalmente as ansiedades do presente período histórico, cheios de esperança e dúvidas, podendo, às vezes, desviarem-se dos caminhos que conduzem ao encontro com Cristo. De fato, são numerosas as tentações de nosso tempo, muitas as seduções que pretendem silenciar a voz divina que ressoa no íntimo de cada pessoa.

Para a gente de nosso século, também para todos vocês, jovens, sedentos e famintos da verdade, a Igreja se oferece como companheira de viagem e lhes oferece a mensagem eterna do Espírito e os encarrega da arrebatadora tarefa apostólica: serem os protagonistas da Nova Evangelização...

A Igreja confia a vocês, jovens, a missão de proclamar ao mundo a alegria que brota do encontro com Cristo.

Caros jovens, deixem-se atrair por Cristo, aceitem seu convite e sejam seus seguidores. Acolham e propaguem a Boa Nova que redime (Mt 28,19); façam isso com alegria e tornem-se comunicadores da esperança num mundo que, freqüentemente, é tentado de descrença, e comunicadores do amor nos acontecimentos diários que são, muitas vezes, marcados pela mentalidade de desenfreado egoísmo.

Mensagem de João Paulo II aos jovens, 1993

170.                    7.13. Próximos da realidade e da vida do povo

As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens do nosso tempo, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo, e nada existe de verdadeiramente humano que não encontre eco em seu coração.

Gaudium et Spes, 1

171.                    7.14. Com os olhos do pobre

Nós, Irmãos Maristas, estamos todos comprometidos com a solidariedade, embora não possamos, provavelmente, vivê-la do mesmo modo. Como expressão da opção pelos pobres, assumida em todas as Províncias, alguns Irmãos serão convidados a trabalhar diretamente entre os pobres e com eles (o número desses Irmãos deve ser suficientemente elevado para que se possa falar de opção preferencial). Entretanto, outros Irmãos, onde quer que estejam, saberão que são chamados a trabalhar para os pobres e a organizar sua vida e seu apostolado na perspectiva deles.

XIX Capítulo Geral, Solidariedade, 19

172.                    7.15. Apoiar os jovens

Converter o educando em sujeito, não só de seu desenvolvimento, mas também posto a serviço do desenvolvimento da comunidade: educação para o serviço.

João Paulo II, Discurso Inaugural I,9. AAS LXXI,
III Conferência do Episcopado Latino-Americano, p.287, 1030, Edições Loyola , 1979

173.                    7.16. Formar os jovens para que sejam «fermento» em sua sociedade

A educação católica deve produzir os agentes da transformação permanente e orgânica que a sociedade da América Latina requer (Medellin, 4,II,8) mediante uma formação cívica e política, inspirada na doutrina social da Igreja.

João Paulo II, Discurso Inaugural I,9. AAS LXXI,
III Conferência do Episcopado Latino-Americano, p. 288,1033, Edições Loyola, 1979.

174.                    7.18. A presença de Deus em nossas vidas e presença da vida em nossa oração

A uma oração renovada, aberta à realidade da criação e da História, eco de uma vida solidária com os irmãos, sobretudo com os pobres e os que sofrem. Oração apostólica que recolhe as penas e alegrias, angústias e esperanças daqueles que Deus coloca em nosso caminho.

XIX Capítulo Geral, A Espiritualidade Apostólica Marista, 26

8. Olhamos para o futuro com audácia e esperança

175.                    8.1. Ser povo profético

O profeta é considerado uma pessoa simultaneamente íntima com Deus e com os homens. É homem de oração pessoal e comunitária em prol do mundo e, ao mesmo tempo, encontra-se vitalmente engajado em favor de seus contemporâneos, com os quais e para os quais ora e luta. O profeta é um homem religioso que, possuído pelo Espírito de Javé, inspira e influencia o meio em que vive, pois acredita em um Deus salvador e vivificador. É um homem inserido em seu tempo, que tenta compreender a mensagem dos sinais dos tempos...: é um homem do futuro... A maneira de viver daqueles homens que falaram em nome de Deus, e sobretudo de Jesus... encontra realização concreta na vida religiosa leiga. Abordamos aqui um aspecto concernente à própria identidade do religioso leigo e que lhe aponta um caminho de contínua superação.

IRMÃOS nos Institutos Religiosos Leigos (USG), 1991, Capítulo 4,

176.                    8.2. Chamado à ação

Isso nos permitiu reconhecer a vida que vai surgindo de diferentes formas . É o vinho novo de maior sensibilidade perante as necessidades do Instituto ou do mundo e que cria maior disponibilidade. Hoje, essas atitudes têm rostos e nomes concretos de Irmãos nossos, alguns de conhecimento público e outros não. É o vinho novo dos projetos interprovinciais com comunidades internacionais, ou alguma experiência de novo tipo de comunidade com a participação de Irmãos e leigos, ou a transferência de obras e comunidades para a periferia onde estão nossos preferidos. E a vida (o vinho novo) se avalia não pelo quantitativo, mas por si mesma. É possível que tenhamos tomado consciência de certa timidez nesses processos de mudança, mas reconhecemos com alegria que existem.

Ir. Benito Arbués, "Caminhar em paz, mas depressa", Circulares, 1997, 25

177.                    8.4. Um desafio para os jovens

O futuro do mundo e da Igreja pertence às gerações jovens que, nascidas neste século, serão maduras no próximo, o primeiro do novo milênio. Cristo acolhe os jovens, como acolhera o jovem que lhe faz a pergunta: " Que hei de fazer de bom para alcançar a vida eterna? " (Mt 19, 16)... Os jovens, em qualquer situação e região da terra, não cessam de fazer perguntas a Cristo: encontram-no e procuram-no para interrogarem de novo. Se souberem seguir o caminho que Ele indica, terão a alegria de dar o próprio contributo para a presença Dele no próximo século e nos sucessivos, até a conclusão dos tempos. "Jesus é o mesmo ontem, hoje e sempre."

Tertio Millenio Adveniente, 58




* A numeração da presente coletânea de textos históricos e subsídios reporta-se ao número das notas de rodapé do documento. A Biografia do Pe. Marcelino Champagnat (Vida) utilizada foi a da edição brasileira do Bicentenário; os textos do Guia das Escolas - 1a. edição de 1853utilizados foram extraídos da tradução apresentada no livro História do II Capítulo Geral, Centro de Estudos Maristas, Belo Horizonte; o Guide des Écoles foi traduzido diretamente do francês para este documento da edição de 1932; da mesma forma, para Avis, Leçons, Sentences (ALS) foi utilizada a edição de 1927.






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