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A Comissão Internacional de Educação Marista
Educação Marista

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3. ENTRE OS JOVENS, ESPECIALMENTE ENTRE OS MAIS ABANDONADOS (§.53-68)

53. Marcelino Champagnat viveu entre crianças e jovens, amou-os profundamente e lhes dedicou todas as suas energias. Como seus discípulos, também experimentamos uma alegria especial em partilhar com eles nosso tempo e nossas vidas; fazemos eco de suas aspirações; sentimo-nos cheios de compaixão para com eles e fazemo-nos presentes em suas dificuldades.

54. Do mesmo modo como Marcelino Champagnat pensava nas crianças e nosjovens menos favorecidos, ao fundar os Irmãos Maristas, nossa preferência deve ser pelos excluídos da sociedade e por aqueles que, por causa de sua pobreza material, não têm acesso à saúde, a uma vida familiar equilibrada, à escolarização e à educação nos valores. 1 

55. Reconhecemos, nesse amor por todas as crianças e os jovens, e especialmente pelos pobres, a característica essencial de nossa Missão Marista. 2

56. A fidelidade a nosso Carisma exige de nós uma atenção constante às tendências sociais e culturais que exercem uma profunda influência na formação da consciência das crianças e dos jovens, assim como em seu bem-estar espiritual, emocional, social e físico.

57. O nosso mundo é confrontado com novos desafios: a interdependência mundial, a vida em uma sociedade pluralista, a secularização e o advento de novas tecnologias. Essas mudanças abrem outros horizontes e, apesar das ambigüidades que podem encerrar, oferecem-nos inauditas possibilidades.

58. Algumas das tendências atuais são uma ameaça ao amadurecimento sadio das crianças e dos jovens, como, por exemplo, o ritmo acelerado das mudanças, a cultura do individualismo e do consumismo, a insegurança na família e na perspectiva de trabalho. Pelo contrário, em outras situações, não se produziram as mudançasnecessárias: cresce a diferença entre ricos e pobres, em um mundo dominado pelos interesses criados pelos poderosos; e continuamente dilacerado por guerras. A desigualdade de condições de vida e de oportunidades educativas, as experiências de violência pessoal, de abandono, de exploração e de discriminação de todo o tipo continuam sendo a realidade diária para muitos.

59. Observamos também evidentes sinais de esperança: 3 uma crescente consciência dos direitos humanos, incluindo os direitos das crianças, esforços para universalizar o acesso à educação para todos. Constatamos os exemplos extraordinários de avanço no serviço à vida humana e uma responsabilidade crescente em favor do meio ambiente, o empenho daqueles que trabalham pela paz e dos que lutam contra a injustiça. Vemos o desejo dos pobres e marginalizados de envolver-se ativamente em sua libertação e desenvolvimento diante de estruturas opressivas. Vemos tanta gente, sobretudo, jovens comprometidos em lançar pontes de solidariedade entre diferentes povos, oferecendo voluntariamente seus serviços.

60. Através de nosso contato habitual com as crianças e os jovens, chegamos a apreciar seu idealismo e sua necessidade de fazer parte de grupos que os motivem e lhes dêem uma identidade. Sabemos como, em seus melhores momentos, são alegres, entusiastas e sinceros, estão dispostos a confiar em alguém, a colaborar ativamente e expressar sua ânsia de liberdade.

61. Percebemos seu sentido profundo de justiça, seu desejo de um mundo mais atento às pessoas e sua fome espiritual. Ouvimos seus clamores por reconhecimento e respeito, por educação de qualidade, por esperança e autenticidade, e por sentido na vida. Sentimos seus olhares sobre nós, questionando a credibilidade de nosso papel de adultos.

62. Freqüentemente, no entanto, encontramos jovens que estão desalentados,desorientados, ou para quem a vida é uma luta diária. Vemo-los convivendo com problemas de aprendizagem, deficiências pessoais, falta de aceitação por parte dos companheiros. Encontramos muitos distanciados da Igreja, que desconhecem Jesus Cristo, ou se mostram indiferentes para com Ele e Sua mensagem. Testemunhamos seu drama interior quando são vítimas da pobreza, da desintegração familiar, do abuso e da desordem social. Em seu estado de confusão, podem provocar estragos, tornar-se violentos, ou se entregar a comportamentos auto-destrutivos.

63. O espírito compassivo de Marcelino Champagnat anima nossas atitudes para com aqueles que nos são confiados. 4 Escutamos com o nosso coração as suas palavras: "Sede bondosos com as crianças mais pobres, as mais ignorantes e as menos dotadas; fazei-lhes perguntas e tratai de demonstrar-lhes em todo momento que as apreciais e as quereis tanto mais quanto mais carentes se acham dos bens da fortuna e da natureza" 5. 

64. Mas a dura realidade em que vivem tantas crianças e jovens nos chama pessoalmente, e como grupo, a crescer espiritualmente e a dar uma resposta mais audaciosa e decidida, fiel ao Evangelho e a nosso Carisma. 6 

65. Quando abrimos nossos olhos e nossos corações para compreender o profundo sofrimento das crianças e dos jovens, começamos a compartilhar da compaixão que Deus sente pelo mundo. Nossa nos faz ver o rosto de Jesus nos que sofrem, e procuramos fazer algo pessoalmente para aliviá-los. Mais ainda, sentimo-nos incomodados e indignados ante as estruturas que originam ou condicionam a pobreza e começamos a atuar sobre as causas mais do que sobre os sintomas.

66. Sentimo-nos pequenos diante da determinação e da capacidade dos pobres em ajudar-se a si mesmos. Ouvimos a voz de Deus, vemos a mão e o poder do Senhor quando lutam. Podemos sentir-nos desiludidos, ao vermos nossa própria pobreza e a debilidade humana dos pobres, até que aprendamos o que é a verdadeira solidariedade. Juntos, não mais "nós" ou "eles", reconhecemos a causa dos pobres como a causa de Deus, e aceitamos que existam aspectos em nós e em nossas realidades que somente Ele pode sanar.

67. Empenhamo-nos na transformação, onde é necessária, de nossas estruturas institucionais e outros campos de apostolado, para chegar de uma maneira mais efetiva aos jovens que estão verdadeiramente vulneráveis ou marginalizados devido a circunstâncias familiares ou sociais. 7 

68. Compreendemos, especialmente os Irmãos, 8 a necessidade de arriscar algo de nossa própria segurança, indo aonde ninguém vai, até a "periferia" e a "fronteira". 9 




1 Vida, VII, 69; Prospectus 1824; Estatutos 1828; Estatutos 1830, 1; Cf. Cartas, 13, 159



2 C. 33, 34, 167



3 XIX Capítulo Geral, Mensagem, 5-7; Missão, 8-10; cf. Tertio Millenio Adveniente, 1994, 46



4 Vida, XXI, 478-479; cf. Irmão Maurice Bergeret in Cadernos Maristas, IV, 1993, p.74-75



5 Vida, XX, 478-479-507



6 XIX Capítulo Geral, Solidariedade 10, 20; C. 83, 168



7 Irmão Benito Arbués, "Caminhar em paz, mas depressa", Circulares, 1997, 31



8 XIX Capítulo Geral, Mensagem 20; Redemptoris Missio 37 (b)



9 Irmão Benito Arbués, op. cit. 31; Sagrada Congregação para a Educação Católica, Carta aos Superiores Gerais, ProtN. 483/96/13, 1996, p. 11; XIX Capítulo Geral, Mensagem 27; Solidariedade, 9, 14, 15.






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