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Instituto dos Irmãos Maristas
XIX CAPÍTULO

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  • A ESPIRITUALIDADE APOSTÓLICA MARISTA
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A ESPIRITUALIDADE APOSTÓLICA MARISTA

I. INTRODUÇÃO

1. tempo que os Irmãos sentem a necessidade de adquirir maior vitalidade espiritual e encontrar, no Espírito, um caminho mais adequado a sua vocação de religiosos leigos de vida ativa.

2. O XVII Capítulo Geral formulou, em 1976, a proposição de que "se intensifiquem, em todos os níveis, as investigações empreendidas acerca de nossa espiritualidade apostólica marista" 1 . As Constituições, aprovadas pelo XVIII Capítulo Geral, falam de espiritualidade apostólica e marial (C 7).

3. O relatório que, no final do mandato, o Irmão Charles e seu Conselho entregou ao Instituto apresenta a dificuldade real que os Irmãos encontram em viver uma espiritualidade adequada a sua vocação.

4. O XIX Capítulo Geral estudou a proposição e escolheu a Espiritualidade Apostólica Marista como uma das quatro priori- dades que orientarão o Governo e a vida dos Irmãos nos próximos oito anos. Interpretamos essa opção como resposta ao Espírito que, sem cessar, nos guia e renova.

A reflexão capitular que apresentamos enfatiza intencionalmente a nota apostólica de nossa espiritualidade.

II - Realidades que nos afetam

Ao contemplar a realidade do mundo e da Igreja, detectamos alguns fenômenos que acreditamos influem no modo de conceber a espiritualidade.

Do mundo

5. Nosso mundo continua dominado pelo materialismo, divisões, de-sigualdades e injustiças. Reconhecemos nele fortes apelos de Deus para que colaboremos no plano de salvação, empenhando-nos na construção de uma sociedade mais justa, fraterna e transcendente.

6. Apesar do impacto do materialismo, do secularismo e do ateísmoexiste, sobretudo nos jovens, sede do transcendente e busca do espiritual.

Da Igreja

7. A Igreja está se renovando: a partir da comunhão, compreende-se melhor a si mesma, assume posição de maior encarnação no mundo e procura servir mais o homem.

8. A vida religiosa apostólica entende-se a si mesma, no espírito das Bem-aventuranças, não como fuga para o deserto, mas como aproximação do homem e do mundo para anunciar e consolidar aí o Reino de Deus.

9. Há um ressurgimento da consciência eclesial a respeito dos leigos e maior clareza de sua identidade, vocação e missão.

           

De nossa vida

           

10. Depois de observar a realidade espiritual de nossas comunidades e Províncias, selecionamos estes aspectos positivos:

— os exemplos de numerosos Irmãos que integram, em sua vida, amor a Deus e serviço generoso às crianças e aos jovens;

           

— a experiência de Irmãos especialmente sensíveis aos pobres, em          quem reconhecem e servem o Deus vivo;

— a reorientação evangelizadora e educacional das instituições escolares, e sensibilidade especial em relação aos jovens em dificuldades;

— o forte apelo a partilhar com os leigos nossa espirtualidade e carisma, o que enriquece nossa própria experiência;

— a preocupação em descobrir caminhos que permitam a nossos Irmãos idosos exercitarem sua dimensão apostólica e partilharem sua espiritualidade;

— a maior valorização de Champagnat, como modelo espiritual de nossa vida de consagrados.

 

1. Encontramos também aspectos importantes a melhorar:

conseguir maior unificação de vida;

exercitar-se no discernimento pessoal e comunitário;

praticar o acompanhamento espiritual;

— ter um estilo de vida mais simples, evangélico e acolhedor;

abrir nossas comunidades à vizinhança, para sintonizar com suas necessidades e deixar-nos interpelar;

escutar o clamor dos pobres e ser-lhes solidários;

ser homens de oração mais profunda e cristocêntrica; partilhar a Palavra de Deus em comunidade; procurar que o conteúdo das celebrações e da oração comunitária esteja mais de acordo com a vida e a missão de seus membros;

conseguir que nosso testemunho de comunidade orante e apostólica seja mais evidente e compreensível;

procurar que Maria inspire mais nossa vida e ação, e seja realmente modelo e companheira de caminhada.

 

III - Nossas convicções

Deus presente no mundo

12. Descobrimos e experimentamos Deus nas realidades temporais, próprias do ministério que exercemos, e percebemos o mundo como o lugar onde escutamos, servimos e amamos a Deus.

13. O Pai amou o mundo a ponto de entregar-lhe seu Filho. Em seu amor infinito, continua apaixonado pelo homem e pelo mundo de hoje, com seus dramas e esperanças. Suscita em nós o dom de que nos responsabilizemos por eles, nos sensibilizemos ante seus problemas, acolhamos seus desafios, procuremos, em obediência a nossa missão, responder a suas necessidades.

14. Nessa ótica, o mundo deixa de ser obstáculo, e se torna lugar de encontro com Deus, de missão e santificação. Nele exercitamos a presença de Deus, tão querida a nosso Fundador e a tantos Irmãos. Irmãos apaixonados pelo Evangelho

           

15. Jesus nos apaixona com seu Evangelho. Ele é a razão de ser de tudo o que fazemos. Mantemos relação vital e profunda com Ele nos sacramentos, na oração pessoal e comunitária e na ação apostólica. Como em Pentecostes, seu Espírito nos lança ao mundo com entusiasmo e generosidade, para continuar sua obra de salvação em nossa missão evangelizadora (cf. C 79, 80).

16. Na oração e no trabalho apostólico, experimentamos o que custou a Cristo salvar o mundo, e o que continua custando. Essa experiência nos estimula a deslocar-nos, com audácia e senso missionário, para missões de fronteira, áreas marginali- zadas, ambientes inexplorados onde a implantação do Reino é mais necessária (cf. C 83).

17. Maria, associada à missão de seu Filho, é nosso modelo e companheira.

           

A Espiritualidade se desenvolve na dedicação ao próximo

18. Em nossa inserção no mundo, seguimos o exemplo de Jesus, que se assemelhou a nós2 , e viveu em unidade perfeita a fidelidade à vontade de seu Pai e a entrega ilimitada ao homem.

19. Vivemos e desenvolvemos a espiritualidade no devotamento aos outros (cf. C 7). O pobre, a criança, o jovem e o Irmão de comunidade, dia a dia, se tornam para nós sacramentos vivos de Deus e interpelações do Espírito (cf. C 83). No serviço a esse próximo integramos, como Jesus, o amor a Deus e ao irmão, a contemplação e o apostolado.

           

20. Vivemos a presença entre os jovens, tão recomendada pelo    Fundador, como lugar de encontro com Deus (cf. C 81). A ação apostólica, assim entendida, longe de enfraquecer a união com Deus, a favorece e a expressa (cf. C 7).

21. Maria nos serve de exemplo. Atenta às necessidades de sua prima e em atitude de serviço, vive profunda experiência espiritual e, por seu intermédio, o Espírito é comunicado a Isabel. Seu Magníficat é maravilhosa expressão de unificação interior: Maria experimenta Deus no íntimo de seu coração e no compromisso com a libertação de seu povo.

Viver e partilhar a espiritualidade de Champagnat

22. Com sua vida, Champagnat nos anima a crescer na aventura de amar a Deus, a partir do mundo, e a amar o mundo a partir de Deus.

23. Movido pelo Espírito, no encontro com o jovem Montagne, revive a experiência do amor incondicional de Jesus e de Maria pela humanidade. Cheio de compaixão, se lança na aventura de fundar uma família de Irmãos que dediquem sua vida ao serviço das crianças e dos jovens, especialmente os mais abandonados (cf. C 2, 81).

24. Essa abertura ao amor de Jesus e de Maria e aos acontecimentos e necessidades de seu tempo permite-lhe unificar a vida e estar em comunhão com Deus, tanto em lHermitage como nas ruas de Paris (cf. C 2). Ele vibra apostolicamente de tal forma que não pode ver uma criança, sem sentir o desejo de ensinar-lhe o catecismo e fazer-lhe compreender quanto Jesus Cristo a ama (cf. C 2).

25. Reviver essa experiência espiritual e partilhá-la com os leigos é uma forma concreta de prolongar em nossa história o dom que Marcelino é para a Igreja.

IV - Apelos que sentimos

26. A uma oração renovada, aberta à realidade da criação e da História, eco de uma vida solidária com os irmãos, sobretudo com os pobres e os que sofrem3 . Oração apostólica que recolhe as penas e alegrias, angústias e esperanças daqueles que Deus coloca em nosso caminho (cf. C 66, 71).

27. Ao encontro com Deus no cotidiano. A busca da vontade de Deus na relação com as pessoas, nas ocupações diárias, nas atividades da comunidade e na humilde fidelidade de todos os dias nos unifica no amor (cf. C 44).

28. À escuta e meditação da Palavra de Deus, pessoal e comunitariamente; ela, acolhida na história concreta que vivemos, nos dispõe a interpretar os sinais dos tempos e a descobrir a intenção divina em toda a parte4.

29. A desenvolver o exercício pessoal e comunitário do discernimento evangélico, como treino ininterrupto de interpretação do sentido sacramental da realidade (aconteci- mentos, pessoas, coisas) que se torna lugar de comunhão com Deus5.

30. A ver na comunidade, como família unida em nome do Senhor, uma realidade teologal; espaço onde a experiência de Deus deve poder ser alcançada particularmente em sua plenitude e ser comunicada aos demais6.

31. A um projeto pessoal e comunitário que facilite o contato com Deus: ritmos mantidos de oração pessoal, prática do acompanhamento espiritual, uso equilibrado dos meios de comunicação social, estruturas comunitárias que facilitem o trabalho pastoral, moderação em face de ativismo exagerado, revisão do dia...     

32. A descobrir a presença de Deus nas culturas dos povos que evangelizamos. Crescemos em nossa experiência de Deus a partir da alma cultural de cada povo, descoberta e amada, lugar onde se tornam presentes as sementes do Verbo.

33. A enriquecer a herança espiritual legada por Marcelino, partilhando-a com os leigos. Nós nos enriquecemos partilhando com eles as múltiplas formas de presença do Senhor, a superabundância de graça em cada pessoa e os infinitos caminhos de crescimento na .

 

V - Linhas de ação que propomos

34. A evolução para a espiritualidade apostólica, onde os Irmãos se encontram com Deus, não só na oração, mas também na ação apostólica, é processo que requer pedagogia apropriada e tempo.

 

Propomos concretamente:

35. Em nível de Instituto

           

Promover processos de formação à espiritualidade apostólica marista, sob a responsabilidade do Irmão Superior Geral e seu Conselho. Isso implica:

animar o aprofundamento no estudo da espiritualidade apostólica marista (exemplos, pedagogia, etc.);

promover cursos de preparação de animadores dessa espiritualidade;

acompanhar os planos provinciais de formação e os dos centros de formação permanente, para que possibilitem a iniciação e a consolidação dos Irmãos na caminhada do crescimento espiritual.

36. Em nível provincial

— As Províncias promovem processos de discernimento para elaborar seu Plano Pastoral ou Apostólico. Nesse processo, que envolve todos os Irmãos, busca-se o modo de integrar as diferentes facetas da vida do Irmão (oração, comunidade, apostolado, etc.).

— O Conselho Provincial promove oficinas de oração para melhorar a oração pessoal e comunitária na linha da espiritualidade apostólica.

— O Ir. Provincial estimula o acompanhamento espiritual visando a unificar a vida de cada Irmão a partir da atividade apostólica que realiza.

— Os Superiores propiciam aos Irmãos acompanhamento espiritual adequado nas experiências de solidariedade, de contato com os leigos, de abertura da comunidade..., para conseguir por meio delas maior sensibilidade apostólica e melhor unificação de vida.

37. Em nível comunitário

— Cada comunidade propõe-se progredir na partilha da vida, dos sentimentos, da missão e da .

— Cada comunidade, ao elaborar o Projeto Comunitário, determina caminhos de renovação da oração, tanto pessoal como comunitária, para que se torne oração apostólica, aberta à realidade, atenta à Palavra de Deus e solidária com o mundo.

—  A organização da comunidade deve ajudar o crescimento na , dentro das exigências do trabalho apostólico de cada um dos Irmãos (horários, oração, encontros...).

—  Cada comunidade ora e partilha comunitariamente o Evangelho, as Constituições, os documentos capitulares e os acontecimentos, com material apropriado.

           

           

Algumas perguntas para uso pessoal e comunitário:

           

1.       O que você entende por Espiritualidade Apostólica Marista?         

            A conceituação apresentada tem algo de novo para você?

2.       Que reações provocaram em você os conteúdos do texto da Espiritualidade Apostólica Marista?

3.       O texto traz algum apelo especial à mudança na vida de oração, pessoal ou comunitária?

            As relações comunitárias também são atingidas?

            O que a Espiritualidade Apostólica Marista tem a ver com a Missão e a Formação?

           

4.       Diante das indicações feitas na IVª parte (Resposta aos apelos), como a comunidade poderia empenhar-se?

            Priorize as linhas de ação, referentes ao nível comunitário

            37.

           

Partilha e oração comunitária:

            Após a invocação ao Espírito Santo, ler comunitariamente o texto "III- Nossas Convicções", partilhando os próprios sentimentos.

           

            Repetir um refrão adequado, após cada intervenção.

            Pedir a Maria e a Marcelino que nos ensinem a sermos apóstolos, em união com Jesus. Rezar a Oração marial (final do texto do Ir. Benito).

            Concluir com um canto que exprima compromisso.




1 Cf. Atas do XVII Capítulo Geral: "Oração, Apostolado, Comunidade" (PAC), 5, Proposições.



2 Flp 2,7



3 "Dimensão contemplativa da Vida Religiosa", 5.



4 Ibid. 8.



5 Ibid. 14.



6 Ibid. n 15.






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